Usabilidade é coisa séria

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna enviada para a revista WWW no dia 1 de novembro de 2005

Usabilidade é coisa séria

O assunto já foi abordado diferentes vezes nesta coluna, mas nunca de maneira direta. Faz parte do principio “osssso”, jamais deve ser deixado de lado em um projeto web e, obviamente, deve ser pensado em todos os serviços e sistemas hipertextuais que usam – ou não – a web como suporte.

Usabilidade é algo que só recentemente vem sendo aplicado à web, mas o conceito, os métodos e os princípios são muito anteriores a ela. Aqui na W vocês tiveram a oportunidade de ler uma matéria bem abrangente sobre o tema e sua aplicação na web. A leitura desta matéria especial é mais do que recomendada para aqueles que se importam em construir websites eficientes.

Então, voltando à Usabilidade (sem nunca ter saido dela). Trata-se de um assunto sério e que, por isso, dispensa a falsa colaboração de doidos, maluquinhos, opinadores e demais aproveitadores de plantão. Mas não é um tema difícil, apesar de sua abrangência, seriedade e complexidade. Tanto que, em novembro, tivemos o dia mundial da Usabilidade (http://www.worldusabilityday.org/), promovido pela UPA (Usability Professionals’ Association – http://www.upassoc.org/). Com aplitude global, como o próprio nome diz, o dia mundial da Usabilidade contou com eventos em mais de 30 países, inclusive no Brasil.

O dia 3 de novembro – data escolhida – teve como mote a valorização da Usabilidade, mostrando a sua importância. O slogan era: “Making it easy”, que não poderia traduzir melhor o conceito do termo Usabilidade: fazer as coisas serem mais fáceis de usar.

No Brasil tivemos eventos em Belo Horizonte, Curitiba e São Paulo. Em BH, onde pude, honrosamente, ser um dos professores participantes, a quantidade de inscritos e a ocupação dos auditórios onde o evento foi realizado mostrou que a preocupação em desenvolver tecnologias, dispositivos e sistemas de fácil utilização é crescente e merece a atenção de quem desenvolve sistemas interativos, com grande destaque para a web.

Muitos eram os interessados em tecnologias, dispositivos e websites fáceis e simples de usar para suas empresas, entidades, instituições governamentais e clientes. Afinal de contas, se é difícil de usar, as pessoas evitarão o uso, certo?

Foi um dia bastante produtivo, posso dizer. Pudemos mostrar a todos os interessados duas coisas muito importantes que compartilho aqui com vocês:

1 – Usabilidade deve ser uma preocupação presente em todo o processo de desenvolvimento de um produto, tecnologia, serviço ou sistema interativo (iclua aí os websites), e não no final, como muita gente está acostumada a ver. Estes pequenos detalhes podem fazer uma enorme diferença – tanto orçamentária, evitando gastos desnecessários com retrabalho, quanto em satisfação do usuário;

2 – Usabilidade significa pesquisa, avaliação e método, coisa que muita gente esquece e acaba se baseando apenas em opiniões e achismos. Avaliações e testes de usabilidade são apresentam resultados mensuráveis que implicam em ações diretas e específicas que podem representar impactos substanciais aos projetos de desenvolvimento de novos produtos, sistemas, tecnologias e serviços.

Em suma: poder conversar sobre um assunto tão interessante e importante, não poderia ter sido melhor; tanto lá quanto cá. E é por isso que eu aproveito, mesmo já tendo passado quase um mês da realização do evento, para reforçar este conselho primordial para que você faça bom uso da rede: inclua avaliações de Usabilidade em todo o processo de desenvolvimento de sistemas interativos. O usuário agradecerá e, consequentemente o seu cliente e – talvez num apelo mais ‘capitalista’ – o seu bolso também.

Web 2.0 – Novas considerações

Novamente um post oriundo dos arquivos do blog. Desta vez uma releitura de uma coluna escrita para a Revista WWW em 2005. O post foi publicado no dia 18 de abril de 2009.

20090418_web20Quando o termo surgiu, lá em 2005, confesso que fui um dos primeiros a descer a lenha na conceitualização cunhada por Tim O’Reilly (para quem não lê inglês há uma versão traduzida do artigo original aqui. Mais definições aqui e aqui). Por um bom tempo eu sustentei a argumentação de que a coisa mais parecia um embuste de guru; sem validação e sustentação teórica.

Entretanto, confesso também que minha opinião mudou depois que comecei a refletir bastante em cima das propostas do texto (sim, demorou três anos para isso acontecer. Não se pode apressar algumas coisas e, embora a vida na web seja aparentemente mais rápida do que é no mundo “de verdade”, sem este tempo de reflexão e maturação, ao contrário do que se espera, a sociedade pára).

É importante ressaltar que várias coisas que li e que vi por aí na web não me ajudaram a mudar a opinião. Muito se escreve que a web 2.0 traduz novos aplicativos e conceitos; o que não é verdade. Por isso que eu ajudava a entoar o coro de que o conceito era questionável (para ser bastante eufêmico). O que ocorre é que web 2.0 não diz respeito a aplicativos ou a versões da web, como muitos acham que é e outros tantos  (como eu) argumentavam ser total non-sense.

Por isso resolvi escrever estas linhas para buscar uma melhor interpretação e compreensão do termo, que se refere muito mais a uma nova maneira de enxergar a web, e não de fazer a web necessariamente (embora uma coisa possa implicar a outra em grande parte dos casos).

Comecei a perceber isso quando lia e relia as argumentações de O’Reilly, onde ele diz que uma importante característica da web 2.0 é que a informação agora volta e o UGC é peça-chave para o entendimento da web 2.0. Quando eu lia e relia estas informações, menos entendia a web 2.0, pois pensava (com razão): “Mas os fóruns e grupos de discussão são isso há um tempão e a wikipedia é, também bem anterior à web 2.0; por qual motivo vir com este termo agora? por qual motivo tentar versionalizar algo que não tem jeito de ser versionalizado?”

O fato é que o cerne da questão não é a tentativa de versionalizar nada e nem mesmo de fazer explicações rápidas e isoladas. Da mesma forma que é bastante equivocada a argumentação de que o comércio eletrônico representa a “nova economia”*, é equivocado dizer quea web 2.0 trata da web como plataforma, ou de aplicativos web usando Ajax ou ainda de “beta permanente”.

É mais do que isso. Web 2.0 é uma nova (aí sim) maneira de enxergar a web e seu potencial, que sempre esteve lá, mas que somente depois de 10 anos de internet comercial começou-se a usar estas características já há tanto tempo identificadas. É novo porque ainda tem gente que trata a web como um simples canal de comunicação, o que não é bem a realidade. A web é um espaço onde coisas acontecem. Muito mais coisas acontecem neste espaço do que em canais de comunicação convencionais (a TV, o rádio e os jornais impressos, por exemplo, são canais de comunicação onde a informação trafega em apenas uma direção). Por isso é, também equivocado dizer que a web é “apenas” um canal de comunicação.

O conceito de web 2.0 nos ajuda a enxergar isso. Neste espaço / ambiente em que se configura a web, não há hierarquia, influência do poder econômico e nem a necessidade de uma concessão do governo para enviar mensagens. Este rompimento de paradigma que nasceu com a web, mas que até 2004/2005 parecia estar hibernado, é o que realmente dá significado à web 2.0. O suporte de aplicativos proporciona apenas (sem desvalorizar, claro) a estrutura para que isso ocorra com mais facilidade e acesso a um maior número de pessoas.

Mas por qual motivo falar disso agora?
Bem, em primeiro lugar, pois eu não vi em nenhum lugar este tipo de explicação e fazer este tipo de esclarecimento me parce bastante oportuno no momento.Em segundo lugar, para deixar claro o meu entendimento da coisa a quem interessar possa.

Mas o mais importante motivo que me faz querer falar disso agora é que tenho visto muitas empresas que têm a faca e o queijo nas mãos para usar e abusar da web 2.0 e se beneficiar bastante com isso, mas escolhem um caminho que pode não ser muito legal. Citarei três (para não deixar este post ainda mais longo) exemplos de empresas que em pleno ano de 2009 parecem não ter sacado o conceito (viu como eu não demorei tanto?) de verdade.

Para exemplificar e analisar a coisa com o mínimo de rigor metodológico, escolhi empresas de varejo. Tomo com referência para as observações a Amazon que faz uso de algumas premissas do conceito de web 2.0 com bastante êxito. Para não deixar as análises ainda mais longas, focarei em apenas uma premissa: participação do usuário. Assim fica mais fácil tecer os comentários.

Pensemos no nosso exemplo (Amazon) e observemos como a coisa funciona lá em termos de participação dos usuários. Na Amazon, os produtos podem ser comentados pelos consumidores e avaliados por eles. Para evitar fraudes (registradas), os próprios usuários têm seus comentários avaliados pelos outros usuários. Um comportamento bem condizente com as premissas da web 2.0 (conteúdo gerado pelo usuário e criação de espaços de comunicação / interação entre as pessoas ao invés de apenas “entregar” informações). Com esta iniciativa, a Amazon permite que sejam criadas comunidades em sua loja. As pessoas ficam mais tempo no site e recebem auxílio de outros consumidores para tomarem suas decisões; afinal, a opinião de outra pessoa como eu vale muito mais pra mim do que a opinião do vendedor. Além disso, é fornecido ao consumidor a possibilidade de trocar idéias sobre os produtos em um fórum de discussão com acesso imediato, logo na página do produto. As conversas que vi nestes espaços vão além da recomendação de um produto ou sua avaliação e rumam para a colaboração efetiva entre os consumidores: um consumidor ajudando outro que tem dúvidas sobre o uso de um produto específico, por exemplo.

Ou seja: a aplicação de alguns princípios simples implicou em uma série de benefícios para a empresa. eu mesmo já me vi comprando produtos na Amazon não por outro motivo senão a recomendação de alguém. Isso não acontece facilmente em uma loja tradicional (física) e muito menos nos exemplos brasileiros.

  1. Casas Bahia
    Uma pena que o maior varejista do setor no país tenha iniciado sua operação na web apenas em 2009. O atraso, entretanto, poderia ter proporcionado às Casas Bahia uma entrada triunfante na web brasileira. Afinal, não é todo mundo que pode se dar o luxo de começar do zero uma frente de vendas na web em plena era da web 2.0.  Só que o que aconteceu foi o lançamento de uma loja bem, digamos, web 1.0. Não há nenhum tipo de recurso que passe perto da possibilidade de avaliar um produto ou deixar meu comentário. A coisa mais perto disso (embora esteja bem distante, deve-se dizer) é a funcionalidade de mandar um e-mail a alguém com um link de um produto.
  2. Magazine Luiza
    O pioneiro do comércio eletrônico no Brasil ficou prá trás na web 2.0. Aqui também há apenas a possibilidade (bem escondida, por sinal) de enviar um e-mail a alguém com um link para um produto. A possibilidade de interação pára por aí. Interação, então, nem pensar.
  3. Submarino
    A empresa que é sinônimo de vendas pela web no país parece ser a única que oferece esta funcionalidade, embora muito pouco explorada. Ao final das páginas dos produtos, é possível avaliar o produto e colocar uma opinião sobre ele. Mas a coisa pára por aí. Embora possa parecer bastante se comparado aos outros players brasileiros, o que temos aqui passa longe do que seria um pleno uso das possibilidades que podem ser exploradas com este tipo de funcionalidade. Além disso, esta possibilidade não é muito trabalhada junto aos consumidores. Ninguém se sente estimulado ao comentar sobre um produto e o caminho para isso não é muito claro (aposto que tem gente que compra regularmente na loja e nunca viu isso). Então… Apesar de ter algum tipo de ferramenta que pode ser bastante aproveitada, o Submarino perde muito ao não dar destaque a esta ferramenta e ao não incentivar o usuário a utilizá-la plenamente.

Então… Se alguém teve a paciência de ler até aqui, é hora de agradecer e concluir, certo?

Pois bem… É legal então ver que o conceito de web 2.0 é muito mais amplo e interessante do que o uso da web como plataforma e certamente refere-se muito mais a uma mudança de comportamento ao enxergar a web do que uma palavrinha da moda.

Talvez por causa da interpretação errônea do conceito temos visto muitas empresas ignorarem alguns princípios bem interessantes e que podem ser bem vantajosos tanto aqui no Brasil quanto lá fora (aliás, este é outro conceito que devemos aprender a repensar… com a web, não existe mais “aqui” e “lá”, mas isso deve ser assunto para outro post).

*Vale explicar que esta abordagem é equivocada pois embora tenhamos alterações substanciais no composto de marketing, por exemplo, a virtualização do comércio não faz o suficiente para ser atribuído a este processo o título de “nova economia”; afinal, pessoas continuam trocando bens e serviços por dinheiro ou outros bens e serviços. Isso não é nada novo. Apenas o balcão mudou, não a economia.

Critique e deixe criticar

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna publicada na revista WWW no dia 1 de setembro de 2005

Critique e deixe criticar

Você que, como eu, trabalha com desenvolvimento e gestão de peças de comunicação ou sistemas de informação em hipertexto para a web, já deve ter se deparado com críticas ocasionais (embora às vezes, nem tão ocasionais assim) a trabalhos desenvolvidos por nós ou por nossas equipes. Vez por outra também somos flagrados criticando o trabalho “dos outros”.

Mas… Qual o problema com as críticas? Não devemos fazê-las? E quando o trabalho é desenvolvido por nós, como receber uma crítica? É errado criticar? Devemos sempre retrucar as críticas? Críticas são necessariamente observações recalcadas e devem ser ignoradas? Devemos sempre segurar nosso ímpeto de criticar alguma coisa?

Bem, se formos listar tudo aqui, eu acabo com o espaço da página, mas não fecho a idéia. Então, por partes. Em primeiro lugar, é bom termos em mente que toda critica é, de certa forma, positiva. Mesmo as mais ácidas podem contribuir positivamente para um projeto. Basta olharmos as críticas com outros olhos.

Para isso, é bom ter em mente que só porque exteriorizamos uma idéia, não quer dizer que esta idéia é nossa. Principalmente quando estamos falando de produções que exigem esforço coletivo de criação. Por mais genial que a “nossa” idéia possa parecer, ela não é definitiva ou infalível. E outra: no momento que esta idéia se torna pública, instantaneamente, ela deixa de ser nossa.

O que precisamos aprender é que não somos artistas e nossas peças não são obras de arte. Devemos entender que pontos de vista divergentes existem e que todos somos capazes de emitir opiniões. Assim sendo, é bem provável que alguém que tenha visto um site desenvolvido por você ou por sua equipe tenha uma critica a fazer. Devemos ser capazes, portanto, de receber as opiniões emitidas pelos outros com maturidade e inteligência.

Um exemplo prático: Sabe aquele site que a sua equipe fez e que deu o maior trabalho para desenvolver; pois o cliente impôs uma série de limitações e, mesmo assim a equipe conseguiu conceber uma peça bastante legal (pelo menos esta é a sua avaliação)? Pois é. Já pensou se chega alguém que não participou do processo, não sabe dos meandros da coisa, mas, ainda assim, aponta uma série de falhas? Que chato, né?

Não. Não há nada de chato nisso. Pelo contrário. O fato de alguém ter o trabalho de escrever para você ou se manifestar publicamente apontando aquilo que você ou sua equipe deixaram passar não deveria ser encarado como algo ruim; é uma ajuda.

Geralmente temos um monte de coisas influenciando nossa criatividade: perfil e demandas específicas do cliente, o cliente do cliente, o ambiente, as pessoas para as quais aquela determinada peça de comunicação se destina, enfim… Esta é outra lista que parece não ter fim. De qualquer maneira, estas acabam sendo nossas desculpas para não aceitarmos as críticas que recebemos ou usamos qualquer item desta lista como justificativa para o que fizemos. Isso não é bom para ninguém.

Cabe a nós, profissionais de criação e desenvolvimento, encontrar soluções eficientes mesmo nos cenários mais hostis. É este o verdadeiro desafio de criação. As “restrições” devem ser encaradas como catalisadores de criatividade e competência, não limitadores de ações. Pense nisso e perceba o quanto é legal quando alguém, que está com a mente limpa e sem os problemas que envolveram o desenvolvimento da solução aponta onde podemos fazer e onde podemos melhorar.

Desvincular a criação do criativo é o primeiro passo para enxergarmos as críticas de forma positiva. Receber críticas faz parte do processo criativo. Portanto, critique e deixe criticar!

A internet não tem dono

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna publicada na revista WWW no dia 1 de abril de 2005

A internet não tem dono

De quem é a internet? É certo que muitos desenvolvedores e responsáveis por websites já pararam pra pensar nesta questão. A resposta não deve ter sido diferente para quem refletiu que, tendo como base o histórico da rede, talvez ninguém e, ao mesmo tempo, todo mundo seja dono da internet. Só que, ainda assim, vemos muita gente tentar fazer usocapião da rede.

Longe daqueles malucos que reclamam a propriedade da lua ou de Júpiter. Refiro-me aos insanos que decretam, sem pestanejar: “quem não tem versão mais recente do browser C não poderá visualizar o site”. Estes decretos desprovidos de qualquer senso de limite ainda podem ser apresentados nas variáveis “região geográfica”, “plugin” ou ainda “velocidade de conexão”. Realmente, é coisa de doido.

Não cabe ao desenvolvedor e nem ao responsável por um website decidir qual browser, plugin, conexão ou sistema operacional o usuário que acessará o site que ele está construindo deve ter. Parece besteira, mas pergunte a alguém que não conseguiu acessar determinado site – qualquer um – qual o nível de sua frustração. Tenho certeza que será alto.

Pensar que o usuário deve ter a liberdade de acessar o seu website de qualquer browser, em qualquer plataforma e com qualquer conexão é uma excelente maneira de demonstrar inteligência estratégica, respeito ao usuário e ao seu investimento em comunicação online. Estes cuidados com o website traduzem um aspecto interessante da usabilidade (para quem ainda não pescou a idéia, é disso que eu estou falando nesta coluna) que interfere diretamente com os resultados de uma estratégia de comunicação online: multiplataforma significa multiusuários.

Como assim? Pense que agora temos diferentes dispositivos que acessam a rede; os computadores pessoais – qualquer que seja a plataforma – estão deixando de ser os principais dispositivos de acesso e celulares, PDA´s e smartphones já despontam como importantes dispositivos de acesso.

E este é só o começo. Imagine os fornos microondas, geladeiras e carros que serão capazes de acessar informações na rede para o deleite de seus usuários. Já pensou a situação de você, em seu super carro, em plena estrada tendo que parar no acostamento e esperar a animação em flash terminar de ser exibida para, finalmente, poder ver as indicações de um mapa? Ou pior, já imaginou alguém pagando uma fortuna por um carro e descobrir que com aquele equipamento ele não é capaz de visualizar os mapas de determinado website, pois a versão do browser do computador de bordo do veículo não é compatível com o plugin usado? Ridículo, não é?

Levando em conta que o motivo mais comum que leva empresas e pessoas a colocarem informações na rede é ter usuários acessando, faz algum sentido restringir o acesso somente a alguns? Se a internet é de todos, é inteligente segregar assim? Obviamente não.

Então, caros amigos desenvolvedores e responsáveis por websites, lembrem-se que pensar usabilidade é pensar no conforto, facilidade de uso e respeito a quem usa o sistema. É lembrar que as decisões (como acessar, de onde acessar, o que acessar, em que ordem e com qual dispositivo acessar) cabem ao usuário, ninguém mais.

Projetar websites que não funcionam em determinada configuração ou que subestimam as capacidades do usuário é sinal de falta de profissionalismo. O usuário foi inteligente o suficiente para escolher buscar as informações em seu website, deixe que ele decida se quer ou não que os links abram em novas abas. Afinal, é ele quem manda; viva o dono da internet!

E aí, terminou?

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna publicada na revista WWW no dia 1 de julho de 2005

E aí, terminou?

Quando você é o responsável por um website ou uma intranet, esta pergunta tem sempre a mesma resposta; pode falar sem medo de errar: Não.

Um website jamais está pronto, por mais que possam insistir no contrário. Muito menos uma intranet ou qualquer outro sistema de informações hipertextuais com esta característica tão marcante que é a interação.

Não fosse assim, na bibliografia mais proeminente que trata do assunto não constariam títulos que tratam o processo de concepção e construção de um website no gerúndio ou o classificam como um fluxo. Um website é um produto de comunicação que não tem início, meio ou fim. Seu processo de construção não acaba simplesmente; seu conteúdo deve ser sempre atualizado e, por mais que o layout esteja definido e prontinho – permanecendo às vezes anos sem qualquer perspectiva de alteração visual – temos sempre que lembrar que um aspecto muito importante de um website é como este sistema de informações aproxima você, seu produto ou sua empresa de seu interlocutor.

Espero que isso não seja, de forma alguma, novidade para os leitores desta coluna.

Uma coisa que muita equipe responsável por website, intranet ou qualquer assemelhado que o valha acaba por esquecer é que:

1 – O dito sistema de informações em hipertexto foi feito, ou pelo menos assim espera-se, com foco em quem vai usá-lo. Pode chamá-lo de usuário (preferivelmente) ou de cliente, mas não o chame de nada que termine com “auta”. Isso seria um atestado de tudo aquilo que representa o oposto ao bom uso da rede. Enfim, é para este indivíduo que o website foi feito.

2 – Tendo em mente que o referido website foi elaborado com um indivíduo (ou uma classe) em mente, e levando em consideração o caráter interativo do meio onde este sistema é disponibilizado para o tal indivíduo, é, no mínimo, esperado que exista um retorno (ou no jargão mercadológico, um feedback) por parte do tal usuário.

E esta é uma questão que jamais deve ser esquecida: interação. Na verdade, é o ponto central desta coluna. Nós, gestores e membros de equipes responsáveis por websites temos sempre que ter em mente estas questões referentes às particularidades da web. É primordial para que possamos realmente fazer bom uso da rede lembrarmos que um website serve para comunicar; e, como bem sabemos, não existe – neste caso – a mais remota possibilidade de comunicação em uma única direção. A informação vai e a resposta vem. Para este ponto, poucos voltam os olhos.

Mas onde eu quero chegar com tudo isso?

É simples, como tudo nesta vida deve ser. Basta que se lembre (ou melhor: que nunca se esqueça) que, se o sistema está no ar, os usuários farão uso deste sistema para se comunicarem com você e com sua empresa.

É triste, no entanto, que isso aconteça com freqüência assustadora. Não é raro esperarmos dias, semanas e até meses em vão por uma resposta a uma pergunta ou mensagem enviada em diversos websites. O tempo de espera varia numa relação que é proporcionalmente direta à paciência ou esperança por uma resposta.

Frustração é o mínimo que sente um usuário que não recebe resposta de uma empresa. Se lembrarmos que é com foco no usuário que sistemas de informações hipertextuais são construídos, saber que estes usuários (nem que seja apenas um) estão frustrados deveria ser razão suficiente para que tudo que gira em torno do website seja repensado. A começar por seus objetivos.

Fazer bom uso da rede significa lembrar que o processo de produção de um website não começa no momento em que o cliente (ou o patrão) procura a equipe apresentando a demanda (começa bem antes, mas isso é assunto para uma próxima coluna) e não deve acabar com o lançamento do website.

Até a próxima!

Liberdade de verdade

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna enviada para a revista WWW no dia 1 de junho de 2005

Liberdade de verdade

Uma das coisas mais interessantes que a gente percebe quando trabalha com tecnologia é o quanto a própria tecnologia muda a nossa realidade, as nossas vidas e o jeito de a gente encarar as coisas. Às vezes, chega ao cúmulo de a tecnologia (ou o avanço dela) seqüestrar a vida, ou melhor, aprisioná-la; fazendo com que muita gente acabe se tornando escrava dos avanços e consumindo de modo exacerbadamente exagerado (com o perdão do pleonasmo). Mas não é sobre este aprisionamento que quero conversar com você, leitor, hoje. Quero usar este exemplo para falar do oposto: liberdade.

Não, você não está lendo a coluna de nenhum psicólogo, sou apenas um profissional de comunicação e tecnologia que gostaria de contribuir para que você faça (ou continue fazendo) bom uso da rede.

Façamos, pois, uma analogia ao pensamento do aprisionamento, que você leu há pouco, no contexto da produção web. Imagine um profissional, uma produtora ou uma equipe de produção que se concentra apenas em manter seus trabalhos up-to-date com o que há de mais novo no “estado-da-arte” (seja lá o que isso significa) das ferramentas multimída e se esquece que, do outro lado daquelas interfaces maravilhosas e “interativas”, existe um ser humano.

Este profissional, ou equipe, em questão comete um erro incrível quando pensa e age dessa forma. É preciso lembrar que, um website é, antes de qualquer coisa, um sistema multimídia de informação. E é justamente o conjunto de informações contidas e organizadas neste sistema que leva o usuário até ele. Se ele (o usuário) não consegue usar este sistema (é sempre bom lembrar que na web devemos usar o termo usuários, e não aquela palavrinha tosca que eu nem tenho coragem de escrever, mas que termina com “auta”), não há sequer uma razão para que o tal sistema exista.

O usuário pode bem ser aquele camarada que é fissurado em tecnologia e tem o mais novo dispositivo tecnológico ou uma pessoa digamos, normal, que acessa a rede de um computador pessoal. Não importa. É um ser humano. E, em ambos os casos, deve ter facilidade para usar e aproveitar tudo aquilo que o sistema lhe oferece. Estou falando de usabilidade, para aqueles que ainda não entenderam. E num conceito mais ampliado do que de costume. Vai além da tão falada – mas pouco praticada – facilidade de uso de um sistema.

Usabilidade, além de facilidade também quer dizer pluralidade, multiplicidade. Seja de pessoas ou de dispositivos de acesso à informação e às funcionalidades dos sistemas.

Voltemos ao aprisionamento abordado no início. Se o tal profissional ou equipe de produção web permanecer com o foco apenas em tecnologias multimídia supostamente interativas, dificilmente deixaremos de assistir o lançamento de sistemas sem nenhum atrativo funcional; tudo se resumirá em interfaces e sistemas que, além de difíceis de usar são impossíveis de serem acessados em outros dispositivos que não computadores de mesa com grande capacidade de processamento. E aí fica claro o aprisionamento que o estreitamento do foco em tecnologia pode causar. Em outras palavras: um website precisa ser fácil de usar, para qualquer pessoa poder fazê-lo usando qualquer dispositivo.

Será que eu estou exagerando? Talvez não. Tomara que não. A não ser que somente eu tenha percebido que agora temos uma infinidade de dispositivos que não são computadores pessoais que têm a capacidade de acessar a web. Enfim, quem produz websites deve pensar – e muito – nessa diversidade de usuários e dispositivos.

Aí eu lhe pergunto: como é que o website feito com o que há de mais recente na vertente das bolinhas pulantes, piscantes e barulhentas vai ser acessado por aquele cara que está interessado em conhecer o seu produto ou a sua empresa, mas quer fazê-lo agora, enquanto está no meio da rua, usando um telefone celular?

Esse, é o verdadeiro desafio da produção web. Ao mesmo tempo que temos liberdade de formato, são as possíveis limitações que vão definir a diferença entre uma solução eficiente e as bolinhas que piscam ao som de algum loop de música eletrônica.

O Segredo do Sucesso é Saber Segurar a Onda

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna enviada para a revista WWW no dia 1 de maio de 2005

O princípio “osssso”

Na última (quanta pretensão, hein? Aquela foi a minha primeira!) coluna eu cheguei a mencioná-lo. Trata-se de um importante conceito para aqueles que querem fazer bom uso da rede. Refiro-me ao princípio “osssso”, que reduz em uma palavra (ou quase isso) a seguinte frase: “O Segredo do Sucesso é Saber Segurar a Onda”. Com uma generosa dose de bom humor (porque sem isso a vida e o trabalho seriam muito chatos, né?) vamos á explicação deste interessante e imprescindível conceito para que você possa fazer o bom uso da rede.

Costumo creditá-lo a um autor anônimo, pois se trata de uma mistura de conselhos que amigos me deram e conceitos que eu li em lugares que já nem mais me lembro; mas a idéia é simples: quando seguramos a onda e não forçamos a barra, o resultado final tem grande probabilidade de ser melhor.

Vamos a exemplos práticos. Descreverei algumas situações onde o princípio “osssso” não é seguido e, como conseqüência, temos um péssimo uso dos recursos da rede.

Suponha que você queira destacar algum tipo de informação que seja muito importante para o usuário que acessa a primeira página de seu website. Sem aplicar o princípio “osssso” você corre sério risco de acatar algum conselho oriundo uma fonte pouco criativa e ousada e usar uma janela pop-up. Isso, como sabemos, é o exato oposto do bom uso da rede. Usando algum elemento gráfico que chame a atenção do usuário sem desequilibrar o layout da página e ainda assim passar a informação para o usuário poder acessá-la pode ser uma saída muito melhor do que fazer pipocar uma janela que o usuário não pediu (ou clicou) para ser aberta. Isso é segurar a onda.

Outro exemplo: digamos que você queira divulgar por banners o website de um festival de música. Aí alguém tem aquela super idéia de colocar som nos banners da campanha. Sem o princípio “osssso” para cortar o delírio pela raiz, o resultado pode ser catastrófico: ao invés de clicar, uma grande quantidade de usuários vai acabar fechando a aba do browser (Isso mesmo, você leu direito; eu escrevi aba. Quem faz bom uso da rede sabe do que eu estou falando). Segurando a onda você pode propor uma maneira mais criativa e menos invasiva de passar sua mensagem. É certo que a web é multimídia, mas não precisamos forçar a barra, não é?

Falando em multimídia, deixei este exemplo – o mais polêmico – por último. Aplicar o princípio “osssso” é usar os recursos adequados para obter resultados satisfatórios da maneira mais racional. Não é só porque a web é multimídia que, se o seu website não utilizar todos os recursos de áudio e vídeo, ele não será bom. Pensar assim é forçar a barra e não segurar a onda.

Muitas empresas poderiam ter seus websites institucionais com conteúdo claro, rápido e fácil de navegar, bem desenhado e atendendo os objetivos. Mas acabam por errar a mão escolhendo utilizar uma tecnologia como o Flash para “incrementar” a coisa. O resultado? Uma série de telas de carregamento para exibição de textos e imagens estáticas e as tão faladas introduções animadas que não têm função alguma além a de serem puladas. Segurando a onda é possível conseguir um resultado excelente trabalhando justamente a simplicidade.

Segurar a onda, entretanto, também é pensar que, dependendo do segmento de atuação de uma empresa, é esperado (e recomendado até) que seu website use e abuse do Flash. Afinal, devo segurar a onda (sempre) e lembrar que o Flash tem seu lugar; por exemplo em um website cujo conteúdo conste de multimídia interativa, obviamente.

Então, para terminar: Aplicar o princípio “osssso” é simples como fazer bom uso da rede; basta ter bom senso, foco e pensar no usuário.

Você anda fazendo bom uso da rede?

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna publicada na revista WWW no dia 1 de abril de 2005

Você anda fazendo bom uso da rede?

Em primeiro lugar, é importante dizer o prazer que é estrear esta coluna aqui na W. Neste espaço eu pretendo usar com primor a chance que me foi dada pela revista compartilhando conhecimento com todos vocês, leitores, acerca do bom uso da rede.

Mas antes que vocês me achem o rei da petulância, é legal esclarecer o que é “fazer bom uso da rede”.

Fazer bom uso da rede é algo bastante simples. Seja você usuário, empreendedor ou desenvolvedor, a ferramenta a usar se chama bom senso. E não pense que as aplicações do bom uso da rede tratam apenas de questões abstratas, utópicas e filosóficas só porque eu falei do bom senso. O bom uso da rede tem tantas aplicações práticas quanto o princípio “osssso” (o segredo do sucesso é saber segurar a onda); mas isso é assunto para uma próxima coluna. Por enquanto, vamos nos ater ao bom uso da rede e suas aplicações.

No comércio e nas estratégias de atuação mercadológica na web, fazer bom uso da rede é entender que não há nada de novo na dita “nova economia”; as relações de consumo continuam as mesmas, embora produto, processo ou agentes possam ter sofrido algumas modificações. É compreender que a web pode ser muito boa para seus negócios, mas não é a galinha dos ovos de ouro. É perceber que não há sucesso sem investimento e planejamento; e que o consumidor, na web, tem um comportamento ativo – ele busca aquilo que lhe interessa – diferente dos meios offline onde tudo lhe é enfiado goela abaixo sem ter muitas opções de escolha. E isso é importantíssimo para os seus negócios, tanto na rede quanto fora dela.

No ponto de vista de quem contrata uma equipe de desenvolvimento, fazer bom uso da rede é compreender que um website de sucesso é aquele que resolve os problemas de quem o acessa, e não necessariamente aquele que “faz barulhinho” ou que tem as animações mais engraçadinhas e usa todos os recursos da mais nova tecnologia – normalmente aquela cujos plugins só a equipe que desenvolveu o website têm.

No desenvolvimento e gestão de projetos web, fazer bom uso da rede é lembrar que o usuário é alguém como você, que pode (ou não) conhecer todos os recursos tecnológicos usados no website que sua equipe desenvolveu, mas ainda assim precisa que você o respeite, sendo claro e honesto com ele; oferecendo uma solução web eficiente e relevante. É usar corretamente as potencialidades da rede; lembrando que a interatividade não é um fim, mas sim um meio para que algo aconteça. É se preocupar em oferecer conteúdo, serviços e produtos relevantes e interessantes para aqueles que acessam o website; lembrando que nenhuma solução web vem – e nem precisa vir – com um manual de instruções. É perceber que o verdadeiro desafio da criação é, mesmo com todas estas limitações, oferecer algo verdadeiramente interessante.

Já do lado do usuário, fazer bom uso da rede é pensar, com uma postura defensiva e reflexiva “será que eu realmente preciso abrir este anexo que veio em uma mensagem de alguém que nem conheço?” Ou então, tomar uma atitude mais reativa e participativa, do tipo “será que o problema de eu não conseguir achar o que procuro neste site é realmente culpa minha e por isso devo ficar calado? Não! Eu preciso alertar esta empresa… mas onde está o link para isso neste website tão confuso?”. É também refletir um pouco antes de enviar aquele anexo de dois mega por e-mail a todos os seus 247 contatos.

Bem, já deu para perceber que a lista de ações que caracterizam o bom uso da rede é virtualmente infinita, não é? Há muito mais além do que foi escrito nestas poucas linhas acima e, certamente, não se trata de nada muito complicado de fazer. Basta usar o bom senso.

E então, você anda fazendo bom uso da rede?

Faça bom uso do e-mail

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna enviada para a revista WWW no dia 1 de dezembro de 2005

Faça bom uso do e-mail

Fazer bom uso da rede também significa fazer bom uso do e-mail. Afinal, mais da metade do tráffego da rede se refere às mensagens trocadas por meio do correio eletrônico. Fazer bom uso deste serviço é crucial tanto para a empresa quanto para o profissional; seja em negócios de tecnologia ou de qualquer outra natureza.

Comecemos pelo uso empresarial do e-mail. Refiro-me aos casos em que a empresa entra em contato com pessoas para assuntos diversos. É providencial neste momento passar o primeiro conselho para o bom uso do e-mail: Jamais envie uma mensagem para quem quer que seja sem que esta pessoa tenha lhe autorizado.

Não é segredo para ninguém que o poder está nas mãos do usuário no que se refere à internet. No caso do e-mail, isso se manifesta de maneira ainda mais expressiva. Coloque-se no lugar do usuário: Sua caixa de entrada é aquele espaço só seu, protegido por uma senha que só você sabe, que só você acessa quando quiser, que você guarda o que quiser. Ver aquele espaço invadido por alguém que você nem conhece – e pior: para tentar lhe vender qualquer que seja o produto ou serviço – é algo que está muito além dos limites. Dessa forma, opte sempre por enviar mensagens em nome de uma empresa somente àqueles que concordaram em receber estas mensagens.

Sem deixar o sarcasmo de lado, espero nem precisar dizer que a quantidade de mensagens e a periodicidade do envio devem ser definidas pelo usuário no momento da autorização, não é? Ah, e pra ficar bem claro: evite a todo custo enviar qualquer mensagem em nome de uma empresa usando um e-mail pessoal ou de um domínio que não tenha qualquer relação com a empresa em si. Comprar um domínio e fornecer endereços aos funcionários é tão barato que o uso de serviços de terceiros é cada vez menos necessário. Se for gratuito, então… ih! Que credibilidade e autoridade você daria a uma empresa que usa um e-mail gratuito para conversar com seus consumidores e/ou prospects?

Antes de falar especificamente aos profissionais, duas pequenas dicas que são de extrema importância tanto para as empresas quanto para quem trabalha nelas. É hora do segundo conselho para o bom uso do e-mail: Não envie mensagens em HTML. Porquê? É simples: Você não pode garantir como o destinatário visualizará a sua mensagem. Colocar aquele texto infame que diz “caso você não esteja visualizando esta mensagem corretamente, clique aqui” não resolve nada. Aliás, para os usuários que optam pela exibição de mensagens em modo texto, este trecho nem será clicável. Para ajudar a justificar esta posição, recorro ao fato que é atraves de mensagens em HTML que os software leitores de e-mail executam scripts e disparam worms que tanto nos dão trabalho.

Agora, mais uma dica comum a empresas e profissionais; ou, se preferir, o terceiro conselho para o bom uso do e-mail: Se precisar enviar a mesma mensagem a um grande grupo de destinatários de uma só vez, opte pelas cópias-carbono, ou blind carbon copies. O uso deste recurso impede que sua mensagem seja tratada como spam por alguns filtros além de garantir a provacidade de todos os seus destinatários e evitar a publicação indevida de endereços eletrônicos de pessoas que, provavelmente, não concordariam com isso.

Agora, falando especificamente aos profissionais que usam o e-mail como ferramenta de trabalho, os dois últimos conselhos. Seguindo a ordem, eis o quarto conselho para o bom uso do e-mail. Seja claro, objetivo e não abuse da paciência do destinatário. O campo de assunto de uma mensagem eletrônica deve dizer muito sobre o conteúdo da mensagem. E deve dizer a verdade. Se você falar que tudo é “urgente”, no final das contas, nada será urgente de verdade, não é? Não precisa escrever a mensagem inteira no campo do assunto, mas basta dizer a verdade acerca do conteúdo da mensagem. Isso fará com que mensagens que precisem de resposta imediata serão lidas rapidamente e respondidas o quanto antes. Outra coisa importante a se considerar é o tamanho do texto. Além de mim, não conheço mais ninguém que tenha se acostumado a ler textos longos na tela do computador. Dá uma preguiça danada para muita gente, além de – claro – dores nos olhos. Sendo assim, segure a onda.

Seguindo o supracitado princípio OSSSSO (O Segredo do Sucesso é Saber Segurar a Onda), eis o quinto conselho para o bom uso do e-mail. Não trabalhe para o e-mail, deixe o e-mail trabalhar para você. Mantenha uma quantidade mínima de endereços pois gerenciar várias caixas postais é uma tarefa um tanto quanto cansativa. Além disso, ajuste a checagem automática de novas mensagens para efetuar o serviço a cada 20 minutos ou mais. Tem gente que acha que uma hora de intervalo é pouco, mas eu me contento com metade disso. O fato é que, toda vez que o seu software apita você deixa de fazer o que estava fazendo para ir lá ver o que chegou. Isso é muito pouco produtivo, não precisa nem dizer, não é?

Para acabar a coluna (que já está bem longa), uma última dica para deixar o e-mail trabalhar para você: use e abuse de templates e assinaturas. Já que estamos falando de rendimento no trabalho, tente contabilizar quanto tempo por semana você gasta escrevendo saudações e assinaturas para suas mensagens eletrônicas.

Bem, é isso. Um excelente uso do e-mail a todos!

Três reflexões sobre pós-graduação

Em diversos momentos mencionei, aqui no blog, o tema da formação continuada (especialização). Selecionei três textos sobre pós-graduação que podem ser bastante úteis para quem está finalizando um curso de graduação ou já se formou há algum tempo e busca atualização profissional.

Especialização: Conselhos 
(publicado originalmente em: 24 de janeiro de 2007)

Uma coisa importante sobre formação superior e capacitação profissional é que é preciso lembrar que capacitar-se não significa apenas frequentar um curso (seja ele qual for). Dessa forma, alguns conselhos:

Motivos para não cursar uma especialização:

  • Buscar uma sequência para uma graduação mal-cursada.
    Não é numa pós que você vai resolver este problema.
  • Pouco interesse pelo assunto do curso.
    Fazer só por fazer (ou porque o “mercado” manda) é uma péssima opção.
  • Está desempregado e não sabe o que fazer da vida.
    Novamente, não é numa pós que você vai achar a solução.

Motivos para cursar uma especialização:

  • Busca por direcionamento (e foco) nos estudos em um determinado tema.
    Se você se interessa por um tema ou área de atuação e pretende capacitar-se neste campo, a especialização é recomendada.
  • Procura por aperfeiçoamento em um campo no qual já atua.
    Se você já atua na área e precisa especializar-se um pouco mais, este é o caminho.
  • Deseja reciclar os conhecimentos adquiridos no passado.
    Ver o que há de novo naquilo que você aprendeu há tempos é bom pra você e pra sua carreira.

Engana-se quem busca a especialização como uma continuação da graduação. Cuidado. Nestes casos, a decepção é quase certa. No mais, bom estudo!

 

Buscar uma pós-graduação ou estudar inglês?
(publicado originalmente em 05 de novembro de 2009)

Hoje recebi uma mensagem muito bacana de um ex-aluno que se formou já há algum tempo e que estava na dúvida se cursava uma especialização na área em que trabalha (logística) ou se buscava capacitação em inglês.

Como imagino que esta seja a dúvida de muita gente, resolvi compartilhar aqui no blog o que respondi a ele:

Se eu estivesse em sua situação, colocaria as seguintes coisas na balança:

  1. Há quanto tempo eu me formei?
    (quanto mais tempo de formado, maior a necessidade de uma volta à escola para reciclagem)
  2. Estou trabalhando numa área que domino?
    (se sim, a necessidade de me especializar formalmente na área que domino será restrita ao título)
  3. Qual é a minha estabilidade em meu emprego?
    (maior estabilidade indica que posso buscar algo que expanda meus conhecimentos numa esfera mais ampla de minha carreira. Não necessariamente algo que vá me especializar em um assunto específico ou único; partindo, claro, do pressuposto de que eu estou trabalhando em algo que já domino)
  4. O que fará a maior diferença em minha carreira?
    (caso o setor em que você atua valorize mais a titulação de especialista, temos que considerar esta como a primeira opção. se o setor prioriza uma formação mais completa e demanda conhecimentos culturais que vão além do diploma de especialista, a escolha é outra)
  5. Esta especialização vai me demandar muito de leitura e material didático em inglês?
    (áreas ligadas a tecnologia têm esta peculiaridade; dessa forma, o inglês é um pré-requisito para uma boa especialização)

Então…  Colocando os itens na balança, você deve ter uma boa noção do que fazer. Lembre-se: faça algo quando estiver pronto para fazer bem feito. Compromisso, vontade de aprender e dedicação serão fundamentais tanto numa especialização quanto num curso de inglês. Do contrário, você estará jogando tempo e dinheiro na lata do lixo.

Pessoalmente, recomendo a todos que estudem inglês antes de se especializarem. Acredito muito (por causa da minha área de atuação)
que você se capacita melhor na sua área quando expande seus limites de conhecimento. O idioma estrangeiro é excelente para expandir estes limites.

Enfim… não é uma escolha fácil. Mas colocando estes elementos numa balança, creio que a coisa fique menos complexa de decidir.

Boa sorte e sucesso em sua escolha!

Como disse antes, espero que esta mensagem ajude a quem quer que esteja com o mesmo “dilema” a fazer uma boa escolha.

PS: Em 2007 escrevi algumas linhas para ajudar os interessados em cursar uma especialização.

 

Mais reflexões sobre pós-graduação
(publicado originalmente em 21 de janeiro de 2014)

http://www.flickr.com/photos/bhoard/3694254773/Início de ano e provavelmente muita gente está correndo atrás de capacitação para adequar-se às exigências do mercado de trabalho. Um dos caminhos mais percorridos por quem está nesta situação é a pós-graduação.

Você já deve ter lido o que venho falando sobre pós há alguns anos. “O quê é melhor: estudar inglês ou fazer uma pós?” e “O peso do título de especialista…” (infelizmente este texto se perdeu para sempre) são algumas das minhas reflexões sobre o tema. Coisa que mostra o que penso a partir dos meus 14 anos de atuação como professor. Hoje pretendo dar continuidade a estas reflexões mostrando que há um caminho bacana a seguir.

Não mudei de opinião ainda. Acho que você vai aproveitar muito pouco uma pós se não souber falar inglês, por exemplo. Saber falar e ler inglês vai proporcionar a você aproveitar muito mais uma pós. Além disso vai te colocar numa posição mais confortável, podendo ter acesso a publicações estrangeiras que – por causa do baixo nível geral dos profissionais – é um diferencial muito maior do que muitos cursos de pós podem oferecer. Pense nisso.

Outra coisa que acho pouco válida é procurar imediatamente após a sua graduação uma pós que praticamente repete conteúdo que você viu na sua graduação. Por exemplo, uma pessoa que se graduou em publicidade e propaganda procurar uma pós em marketing. Isso é a receita de sofrimento. Tente alguma coisa que vá complementar sua formação. Acrescentar algo de verdade. A maior parte das queixas que percebo em alunos de pós refere-se a esta escolha. O pessoal reclama que os professores não estão trazendo novidades. Também pudera, né? VocÊ acaba de estudar marketing na graduação e no semestre seguinte vai fazer uma pós em marketing esperando algo novo? Tá difícil… Pense em algum curso que vá proporcionar a você conteúdo novo e complementar ao que você já estudou.

Também não acho que você deva procurar uma pós porque é o assunto do momento (mídias sociais, marketing digital e etc estão “bombando” hoje). Será que este é o assunto ideal ou mais adequado para a sua formação e atuação profissional? Pense bastante a respeito.

Outra coisa (que é meio que uma sequência disso) é a burrada de buscar uma pós apenas pelo título. Salvo o serviço público, raros são os contratantes que aumentarão seu salário porque você tem um diploma de pós. Além disso, quase ninguém cobra estes diplomas na hora da seleção ou contratação (falo da área de Comunicação, que é o meu domínio). Os contratantes querem saber o que você é capaz de fazer. E um diploma de pós não mostra o que você é capaz de fazer. Ele apenas mostra que você frequentou as aulas e fez os trabalhos. Isso diz pouco sobre a sua capacidade profissional. Para isso, o que vale mesmo é o seu portfólio.

Aprender a fazer algo também é muito difícil numa pós. As aulas normalmente são condensadas e o professor vai acabar mostrando conceitos e procedimentos. Não há muito espaço para a parte prática. Isso dificulta um pouco. Manere nas expectativas. Numa pós você aprende que a coisa existe e onde deve buscar mais informações. A parte prática fica por sua conta. E tenha em mente que isso não é uma falha do curso (qualquer que seja), mas sim do modelo. Não pense que você vai aprender uma coisa e ficar bom nela em 20h de aula. Faça o paralelo com uma auto escola. Você acha que um piloto de F1 se forma com 20h de aulas de direção?

Então… Já fui coordenador de cursos de pós por cinco anos e dou aulas nestes cursos há mais de dez anos. Meu entusiasmo com o formato já oscilou bastante. Num passado recente, me posicionei radicalmente contra, mas agora estou um pouco mais flexível e entendendo que a coisa pode ser trabalhada de um jeito bem interessante. Estou disposto a das mais tempo a estas atividades. Em 2014 farei isso.

Pra você que está em busca de uma pós, fica a dica: Pense sobre estas questões e organize as suas prioridades.