O brilhante papel de um blog

Estou assistindo neste momento o Observatório da Imprensa, que trata do filme Tropa de Elite e seu impacto na mídia.

Tentei participar do programa ligando pro 0800 deles, mas não consegui. Resolvi ligar o computador e passar um e-mail. No meio do “caminho” desisti de mandar o e-mail e resolvi passar por aqui e escrever estas linhas, que, longe do assunto do filme, refletem sobre o papel dos blogs. Ainda mais porque agora o programa está acabando e o meu interesse em falar o que eu acho do filme, também. Agora quero falar dos blogs. Legal, né?

Pense bem… Ao invés de eu ter que me submeter ao crivo da produção do programa que poderia optar por simplesmente ignorar meu e-mail, eu estou aqui escrevendo isso e você, daqui a pouco (ou daqui a algumas horas, ou dias, ou meses) vai poder ler. Mesmo que o assunto não seja mais o filme.

Esse é o poder dos blogs. Mais nada. Um blog é, simplesmente, um blog. Nada mais do que isso. Mas isso significa muito. E não estou falando aqui de reflexões incansáveis sobre o futuro da informação ou de sua credibilidade. Não vou me colocar a besta para fazer isso. Já tem cacique demais debatendo este assunto que mais rende do que o sexo dos anjos…

Mas… voltando às vacas frias. O que me importa aqui é deixar claro que um blog é um espaço para que eu (ou qualquer outra pessoa que queira) dizer o que pensa. Obviamente vai ter muita gente que vai usar isso para tentar ganhar dinheiro, monetizando mais e mais…

Não é diferente do que acontecia com os fanzines. Eu tive dois fanzines quando era mais novo. Poderia ter partido para o caminho de tentar transformá-los em revista e tentado ganhar alguns trocados mas, embora eu estudasse publicidade, eu não queria que aquilo que eu fazia fosse feito com o objetivo de ganhar dinheiro (até porque, mesmo se eu quisesse, talvez não conseguiria ganhar um centavo com eles). Então os meus fanzines duraram até o momento que meu interesse acabasse. Da mesma forma os blogs; vai ter (já tem, sempre tem) um tanto de gente querendo só ganhar dinheiro com blogs. Bem, eu acho que não é por aí. Mas isso sou só eu; isso é agora. Pode ser que mude depois, mas nem é o caso. E é isso que faz um blog ser um blog. É isso que faz um blog ser a coisa mais bacana do mundo e, ao mesmo tempo, a coisa mais trivial do mundo.

O fato de um blog ser uma possibilidade ao alcance de alguém que quer falar alguma coisa poder falar é o que há de mais legal. Como disse, vai ter gente usando a coisa só para (tentar) ganhar dinheiro e vai ter gente falando besteira por todos os orifícios; é provável, inclusive, que você encontre gente falando algo que seja relevante de alguma forma. Talvez eu me encaixe na segunda categoria, sei lá. O importante é ter o espaço.

Outra coisa importante é a gente não se deixar levar achando que os blogs são a solução para os problemas de comunicação e da mídia brasileira. Também não vale ficar crucificando os coitados dos blogs. Eles são simplesmente blogs. Enaltecidos por suas capacidades e culpados quando interpretados. É como querer tirar reflexão filosófica do pára-choque trazeiro de um Mercedes 1113 (muito embora as frases nunca são pintadas no pára-choque em si, mas isso é irrelevante no momento)
Talvez fosse o caso de as pessoas pararem de buscar o estrelato em blogs. Talvez fosse o caso de as pessoas pararem de tentar achar estrelas em blogs. Talvez fosse o caso de pararem de dizer que os blogs são isso ou aquilo e simplesmente olhar para os blogs e verem o que eles têm a dizer. Sem interpretações. Ponto.

Pensem assim: a internet transformou o mundo numa grande praça. Um blog é, então, um banquinho que alguém sobe em cima e começa a falar lá de cima. Obviamente tem um monte de gente falando em um monte de banquinho em um monte de praça por aí, né?. Isso não faz dos banquinhos as coisas mais revolucionárias do mundo, certo?

Pra finalizar, então, que eu já tô passando da hora: o brilhante papel de um blog é o de funcionar como um banquinho. Embora não seja a sua simples existência que seja o mais legal, é a partir deles que as pessoas conseguem falar o que querem para quem quiser ler. Ou você acha que o pessoal do Observatório da Imprensa iria veicular tudo o que eu diria sobre o filme numa ligação ou num e-mail?

Leave a Reply

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>