Marketing e DCU

Sempre que vou me apresentar profissionalmente percebo narizes torcidos e olhos arregalados quando falo que pesquiso, leciono e trabalho com marketing e com design centrado no usuário.

Embora pra mim a coisa esteja sempre bem clara na cabeça, as pessoas costumam confundir as bolas. Muito em função do desconhecimento acerca das atividades que envolvem o marketing. Muita gente, eu diria a maioria, associa marketing a ações de promoção e comunicação e publicidade. Alguns poucos ainda arriscam falar de relacionamento e serviços. De fato, estas atividades são parte daquilo que pode ser considerado como de responsabilidade do marketing (já personificando a coisa).

Entretanto, o que não é muito claro para as pessoas é que dentre as atividades de marketing estão a pesquisa e o desenvolvimento de novos produtos. Ou seja; é o processo inteiro.

Por isso a coisa está sempre bem clara na minha cabeça e tudo acaba se relacionando.

Para reforçar esta idéia, recorro ao texto do David Kozatch para a UXMatters intitulado Breaking Down the Silos: Usability Practitioners Meet Marketing Researchers. Algo que eu costumo usar como parte de minha explicação da relação entre marketing e design centrado no usuário está lá:

Although their journeys may be different, UX professionals and marketing researchers both want the same thing in the end: to create a world in which the people your company cares about—whether you call them users, prospects, customers, shareholders, or whatever—have satisfying experiences that result in their really, really liking you—the you being your brand.

Ou seja: Os objetivos são compartilhados e as atividades de marketing não deveriam ser separadas ou consideradas à parte do processo de desenvolvimento de produtos.

Não há, IMHO, uma explicação mais clara para que as pessoas não considerem o processo de concepção como uma atividade de marketing do que um baixo entendimento das próprias funções, reforçado pelo excessivo enfoque e atenções às atividades de marketing que são posteriores ao desenvolvimento de produtos e a insistente associação restritora que se faz do marketing à comunicação.

De qualquer forma, acredito que com textos como o citado e com as iniciativas que tenho percebido de empresas que me procuram para auxiliar no processo de desenvolvimento de novos produtos tem-se evidências de que as coisas esboçam uma mudança de rumo no Brasil, espelhando, mesmo que timidamente, o que já acontece fora do país. Isso é bom para quem faz e, principalmente, bom para quem usa o que é feito.

Então… Proponho um desafio: vamos tentar derrubar a parede que isola o marketing do design (sempre no sentido do desenvolvimento) de produtos. Se, a cada dia, dermos um pequeno passo nessa direção, tenho certeza que os resultados serão sempre positivos.

Contem comigo! ;-)

One Comment to “Marketing e DCU”

  1. Leandro 21 May 2008 at 11:23 #

    Hehehehe… outro dia mesmo comentei (no blog do curso, se não e engano) que as técnicas de DCU são bem inspiradas (pra não dizer copiadas) das técnicas de pesquisa de marketing. Afinal, o que queremos é entender o usuário, suas necessidades e motivações. Óbvio que é a mesma coisa… Achei ótima a explicação sobre as finalidades, do Kozatch.


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