Dá um jóia que tá tudo certo
Mar 20, 2009 Blog, Cibercultura, Elucubrações, Publicidade
Olá! 1a vez aqui?
Saiba mais sobre este site e sobre o Caio Cesar
Gostou? Assine o feed RSS para poder acompanhar novidades do blog.
Obrigado pela visita!
DISCLAMER: O título deste post nada tem a ver com o “jóia” do Quintão; mas sim com aquele comportamento muito conhecido de fechar alguém no trânsito mas “dar um jóia” para dizer que se importa e achar que isso anula a besteira recentemente feita.
Então… Parece que “dar um jóia” é o suficiente para passar por cima de uma caca que a gente faz. Algo como: pode fazer o que você quiser, desde que você dê um jóia depois. Tá valendo.
É isso que me parece ser o que está escrito nas entrelinhas deste post do Marcelo Tas onde ele explica que seu rabo agora abana para uma companhia telefônica. O post é recheado de idiossincrasias e contrariedades, como todas as explicações, aliás, daqueles que vendem suas opiniões e esperam que com um “jóia” (ou uma tag, ou uma hashtag ou um aviso no rodapé de um post) as coisas se resolvam (as coisas se resolvam == os leitores aceitem como normal o fato de que agora o rabo do autor tem dono). Um dos trechos que mais gostei foi este:
6. Finalmente: não tenho obrigação de “falar bem”, ”vender” ou mesmo fazer qualquer menção ao serviço da Telefônica.
Ah, claro… A empresa está te pagando para falar do produto dela e você não tem a menor obrigação de falar bem do produto. Faça-me rir! Da mesma forma abstrata e utópica que o jornalista do caderno de turismo que viajou às custas do resort não tem a menor obrigação de falar muito bem do tal resort; ele o faz porque o resort é muito bom. Ou ainda da mesma forma que o jornalista do caderno de veículos não tem a menor obrigação de falar bem dos carros da montadora tal que custeou sua viagem ao salão de Genebra para ver os lançamentos; os produtos falam por si só… Sim, claro. Entendo perfeitamente.
Obviamente, como o próprio Tas explica em seu post (engraçado ele precisar explicar isso, né? É algo tão normal…) nada há de errado em vender posts, ou vender a sua opinião. Eu também acho que não há nada de errado nisso. É algo lícito e ponto final. Só que eu não faço e não acho que é algo bacana de se fazer num blog. E acho pior ainda as pessoas fazerem e acharem que só por falarem que estão fazendo a coisa se transforma em comportamento correto e corriqueiro e que está tudo bem.
Bem, embora seja algo lícito, IMHO, eu não acho que fica tudo bem. Meu ponto é o seguinte: Os blogs são caracterizados por encarnarem e escancararem o poder democrático da web na questão da produção de conteúdo. Com um blog, eu, você ou qualquer outra pessoa comum pode – DE GRAÇA – colocar a sua opinião na rede para os outros lerem. Isso faz desta ferramenta uma excelente plataforma para o jornalismo cidadão, opinativo, pessoal, direto e verdadeiramente descomprometido com interesses econômicos quaisquer. Um blog (e aí vale complementar que qualquer outra ferramenta de publicação semelhante se apropria do raciocínio, como o Twitter, por exemplo) vale da reputação e da autoridade de seu autor; diferente de um jornal, que se vale do poderio econômico de quem o mantém (ou seja, de um grupo seleto de engravatados e de seus anunciantes). Portanto, um blog, embora não obrigatoriamente o seja, tem o potencial de ser um exemplo verdadeiro de comunicação independente.
É uma pena, portanto, quando autores que se esforçaram para construir sua reputação com blogs e demais ferramentas simplesmente optem por “entrar num esquemão” de grande mídia e vender suas opiniões em troca de seu sustento. Claro que todo mundo deve ganhar dinheiro, e reforço que fazer o que estas pessoas fazem de vender seus posts é lícito. Mas não deixa de ser feio e decepcionante. É feio porque no blog a pessoa, por mais pública que seja, tem a oportunidade de permanecer independente e opta por não seguir este caminho. Sinceramente, não acredito que o Tas precise deste dinheiro para viver; ele tem outras fontes de renda diferentes. E ele poderia deixar (se é que algum dia foi) seu blog (e/ou twitter) independente.
Chega a ser engraçado, portanto, essa tomada de atitude estranha de vender sua opinião e achar que deixar claro que aquela opinião específica é vendida (com uma tag ou hashtag) deixa tudo claro e tranqüilo para quem lê o que a pessoa escreve. Óbvio que não. Se a atitude não fosse estranha, não seria necessário explicá-la, você não acha? Pense se agora os leitores destas pessoas que vendem suas opiniões em posts de seus blogs ou streams de twitter acham que realmente tudo o que eles escrevem é livre de influências externas? Eu duvido.
Em suma: Nada contra vender sua opinião. Ela é sua e você faz com ela o que quiser; mas não espere ter a mesma credibilidade de outrora depois que você começar a escrever posts em troca de dinheiro.
Enfim… Parece que faço parte de um pequeno grupo de pessoas que acham que blogs devem ser apenas blogs e não jornais pessoais onde os pequenos e mambembes Robertos Marinhos vendem espaço publicitário.
E você, o que acha?



March 20th, 2009 at 00:26
Boa, tô contigo e não abro.
March 20th, 2009 at 09:35
+ do mesmo: http://adivertido.com/marcelo-tas-ian-schafer-e-a-publicidade-no-twitter/
March 20th, 2009 at 11:18
Caio, O Tas, assim como aquela “blogueira” famosa que acha que foi a primeira a fazer tudo no mundo, adora descer a lenha em todo mundo e de alguma maneira se julga acima de todos, sobretudo das celebridades e tal. Mas, no fundo, o que esse pessoal quer é ser celebridade também – e daí lucrar com isso. A vaidade e a ganância não conseguem se esconder muito tempo debaixo dessa “intelectualidade” toda.
Certamente é lamentável. E a cada dia eu percebo que tinha uma ideia errada do Tas.
Enfim, eu não precisava dizer nada. Mais uma vez você escreveu tudo o que gostaríamos de ler. E viva sua sensatez.
Abs.
March 20th, 2009 at 12:53
Infelizmente, apesar da internet trazer um novo paradigma de interação com o consumidor, as empresas insistem que aplicar o modelo antigo de forçar uma mensagem positiva de um produto que nem sempre é bacana.
Precisamos todos tentar buscar o marketing em todos os níveis, onde o produto é bacana por suas qualidades inegáveis, e os consumidores usam a web para falar bem porque o produto é bom, e não porque alguém pagou para eles falarem isso.
Díficil? Claro! Mas acho que conseguimos chegar lá.
Abraços!
March 21st, 2009 at 00:40
Só não entendo uma coisa: fica ‘todo mundo’ reclamando que não consegue/pode ser independente, manifestar sua opinião, blablabla…
o blog permite isso. aí o sujeito joga pela janela.
perde o sentido: o barato do blog é manifestar a opinião e permitir que outros manifestem a sua. logo, faz-se o debate.
ou será que estou enganado??
March 21st, 2009 at 12:24
Pois é, Everaldo… Eu acho uma pena o uso de blogs pessoais como forma de ganhar dinheiro. Uma coisa que é facilmente confundida é o uso de ferramentas de publicação de blogs para a construção de revistas eletrônicas com finalidade comercial. Quando tenta-se aplicar este modelo num blog pessoal, acho que perde-se muito da pessoalidade da coisa e – obviamente – a independência e, em consequência disso, a credibilidade.
March 22nd, 2009 at 11:00
Caio, gostei muito do seu post, muito coeretente.
O blog deve ser, de fato, um espaço livre de pressões “superiores”, em que o autor possa se expressar livremente, fugindo de obrigações impostas pelos homens engravatados e anunciantes, que orientam o rumo das matérias.
Ainda não tenho uma opinião muito bem formada a respeito desse caso porque, ao mesmo tempo em que concordo muito com você, também penso que sendo um espaço livre e democrático, o Marcelo Tas (e qualquer outro autor) tem também o direito de anunciar em seu blog ou Twitter. Mas, o grande erro, na minha opinião, é não deixar isso explícito. Ou seja, lemos um conteúdo que achamos ser uma opinão legítima do autor, quando na verdade está sendo pago para opinar. Se o autor não deixa claro que está sendo pago para anunciar algo, aí sim, os blogs se tornarão veículos normais de comunicação, como os jornais. A única diferença é permitir comentários.
March 22nd, 2009 at 20:46
Será que algo vai ser indiretamente mencionado no CQC de amanhã?
March 22nd, 2009 at 20:57
Post pago tem o mesmo peso de letrinhas miúdas da televisão. São lícitos mas deveriam ser padronizados por lei, quando não pelo bom senso.
Caso contrário é enrolação, má fé. O Tas fez como fizeram o pessoal do pânico: Chacota com celebridades fúteis e desagradáveis até se tornarem do mesmo. Aquela masturbação no post dele sobre sair em jornal gringo e ser comparado com o Jon Stewart enjoam.
Pior que isso só o argumento de “se não gosta não me siga no twitter”. Eu já não seguia, mas acho que o papel de um profissional da área é ter senso crítico pra dessa discussão a ética de nossa área fortalecer.
Por sinal, telefônica é um lixo Tas! como você teve coragem? amanhã vai vender cocô no twitter, é só colocar a hashtag #shit e tá limpo.
March 23rd, 2009 at 11:08
Outro dia um blogueiro falou na “Época” algo como “quem não vende espaço e post está um passo atrás no quesito blog”.
Eu achei feio demais.
March 23rd, 2009 at 14:36
Berenís,
Tomara que não haja nenhuma referência no CQC de hoje. Seria de um mal gosto sem igual. De novidade, por enquanto, uma mulher repórter no programa.
esperar…
March 24th, 2009 at 15:59
Caio, gostei do teu post, mas não entendi o stress do merigo. Essas coisas são assim mesmo, algumas pessoas não gostam de ser questionadas.
Humberto, morri de rir com “…aquela “blogueira” famosa que acha que foi a primeira a fazer tudo…” definiu bem a “pioneira” da umbigosfera.
abs
March 25th, 2009 at 12:02
Hehehe, George, adorei a umbigosfera.
April 11th, 2009 at 14:25
Na Folha Online:
Cobranças diretas (“Ei, Marcelo Tas, quando volta meu Speedy?”), insinuações (“E ainda há quem sucumba a fazer tweet pago pra Tele(a)fônica”) e ironias (“A Telefônica anda merecendo um ‘Proteste Já’ [quadro do "CQC"]. Mas algo me diz que o Marcelo Tas não vai fazer”) relativas à pane se espalham pelo serviço de microblog.