Tentando entender ações de comunicação no twitter…
Recentemente a Morini (uma padaria de BH) iniciou a campanha – ilustrada ao lado – no twitter. Eles querem aumentar o número de seguidores e, para isso, vão doar dois mil reais em cestas básicas para a entidade de escolha dos twitters assim que conquistarem 2000 seguidores. A única condição é que isso aconteça até o dia 20 de dezembro.
A idéia é bastante interessante. Ao que tudo indica (estas são linhas escritas por um cara que está vendo tudo acontecer de longe: eu) eles querem usar a ferramenta de microblog para conversar com um público interessado em comprar seus produtos. Por algum motivo (imagino que fizeram algum tipo de pesquisa ou levantamento sobre seu público) eles associaram o comportamento de seus consumidores com o ato de solidarizar-se com uma campanha filantrópica. Se este for o caso, penso que não demorará muito para eles fazerem a doação.
Entenda. Olhando de fora, o que dá para perceber é que a padaria está buscando – via uma campanha de doação que ela fará – a atenção de pessoas que, ao mesmo tempo que querem que a doação seja feita, tenham interesse pelo que a empresa tem a falar. Imagino ser uma ação válida para buscar uma permissão inicial para estabelecer diálogo com seus consumidores.
Entretanto, vi gente criticando a ação (como mostra a imagem ao lado) argumentando que a Morini estaria “comprando” seguidores. Seria realmente isso? Será que estou olhando a coisa com bons olhos demais e deixando-me cegar pelo fato de que sou cliente da padaria em questão e achei simpática esta atitude deles?
Eu acho que há uma grande diferença entre a motivação e os meios (estratégias) das ações da Morini e do Luciano Huck (que sorteava prêmios aos seus seguidores), embora ambas busquem dar ao seguidor algo em troca de sua atitude de seguir o autor da ação.
No caso do Luciano Huck, levando em conta os atributos de uma escalada de permissão, busca-se a permissão circunstancial a partir da possibilidade de um brinde para a pessoa que o segue. Isso chama muito mais gente, pois a quantidade de pessoas que quer ganhar um prêmio é enorme. Entretanto, não necessariamente todo mundo que entra nesta onda realmente quer seguir o cara; apenas quer concorrer ao prêmio.
Já com a Morini, como o prêmio não é para a pessoa que segue, mas sim para uma entidade, a coisa muda um pouco de figura. Embora também circunstancial, a quantidade de gente que “entra por entrar” neste tipo de ação é bem menor do que num concurso de sorteio de prêmios. Afinal, quem apenas quer ganhar algo (muita gente) e não está interessado em ouvir o que a autora da ação quer fazer simplesmente ignora.
Por isso, não acho que é apropriado falar que A Morini está “comprando” seguidores com esta ação (muito embora outras vezes eles sortearam prêmios para a pessoa que desse o retweet número tal a uma mensagem deles). É que me parecem ser duas ações distintas que compartilham o mesmo fim. Enquanto uma visa recompensar diretamente uma pessoa, outra visa motivar as pessoas a participarem de algo maior.
Enfim. Isso me intriga. Novamente pergunto: será que estou sendo benevolente demais? Peço ajuda aos comentadores. Vamos conversar a respeito.
8 Comments to “Tentando entender ações de comunicação no twitter…”
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Oi Caio
não sei se foi o sentimento do Alysson, mas uma coisa que eu não achei simpático na ação foi “e se até tal dia não houverem 2000 seguidores? Nenhuma instituição ganha nada?”
Se entrarem 1999 por conta de um grande esforço boca a boca, a Morini praticamente ganhou o que queria mas os seguidores com certeza não.
E se a Morini topasse pagar o valor até um teto de R$ 2000 equivalente ao número de seguidores que eles conseguirem até 20/12?
Ou talvez, esquecer essa coisa de data limite e pagar os R$ 2000 quando chegarem aos 2000, desatrelando a campanha do evento natalino? (mais arriscado, se o ritmo de adoções for muito lento)
meus 2 cents
Feliz Natal
Seja no sorteio de prêmios ou na premiação de uma entidade, o interesse dos seguidores não está atrelado ao conteúdo que o Morini irá gerar no Twitter.
Sendo assim, na minha opinião, o resultado acaba sendo o mesmo: seguidores de momento, que não estão interessados no conteúdo.
Infelizmente, é a estratégia que muitas empresas estão usando no Twitter. Um evento momentâneo, ao invés da construção de relacionamento.
Abraços!
Na Morini, trazer novidade para os clientes é uma necessidade. O Twitter como ferramenta de diálogo (relacionamento) entre empresa e cliente tem se mostrado um magnífico meio de proporcionar esta interação. Buscamos interação todo o tempo, este é nosso único objetivo com o Twitter. Através do serviço de “atendimento” e informações em tempo real, os clientes conhecem melhor nossa marca e nossos produtos ao mesmo tempo que tira suas dúvidas, reclama e se informa de promoções. O cliente agora tem um contato direto com a direção da empresa, e pode se munir de informações privilegiadas para fazer melhores compras. É só perguntar para quem já nos fez alguma solicitação via Twitter e ver que realmente estamos empenhados em escutar, melhorar e prestar um bom serviço a partir da opinião dos clientes.
Esclarecida nossa estratégia, fica fácil concluir que não queremos seguidores desinteressados. Por qual motivo uma empresa iria pagar 1 real para ter o que chamamos de “seguidor de promoções”? Ele nunca irá nos reverter este 1 real investido pois não está interessado em comprar nossos produtos, ele não é um cliente.
Entrando no caso específico da polêmica campanha dos R$2.000,00, ela foi feita pois a empresa queria fazer uma doação que envolvesse nossos clientes sem pedir que eles próprios doassem os recursos. Esperávamos então que seguidores divulgassem nossa campanha pela causa e que por consequência, pessoas que potencialmente teriam vantagem em nos seguir (premissa básica do Twitter, siga quem te é relevante), conhecessem nossa operação online.
Agradeço e encorajo TODOS os comentários e me coloco à disposição para esclarecer melhor o assunto caso haja mais alguma dúvida. Basta pedir que entrarei em contato via DM.
Atenciosamente,
André Paes
Panificadora Morini
Boa noite André Paes,
Admiro sua explainação e iniciativa da Morini sobre o assunto em questão.
Gostaria de um e-mail para contato.
Obrigada.
Respeitosamente,
Jéssica.
O Twitter é uma ferramenta nova, principalmente no Brasil. Temos que ter uma certa tolerância em relação a experimentos como este da Panificadora Morini.
É louvável a iniciativa de ajudar uma instituição de caridade. Acabo de seguí-los. Não me faz valer mais ou menos, apenas demonstra meu apoio à iniciativa.
Mesmo assim, como bem observado pelo Felipe acima, se basear em número de seguidores pode ser um engano. Para mim, aqui nos EUA, não faz a menor diferença saber se o pãozinho saiu agora.
Em 2010 pense nos conceitos de fidelização e hyperlocalidade <- acabo de inventar o termo em português (Hyperlocal). Vale mais, muito mais, ter 100 seguidores fiéis que moram a 5-10 minutos de sua padaria do que 2000 sabe-se lá onde. Conseguir seguidores é tarefa fácil, existem muitos artifícios por aí. Difícil é manter a consistência e manter pessoas interessadas em seu conteúdo.
Espero que faça sentido
Um grande abraço,
Eduardo Castilho
http://www.twitter.com/ideiasdefora
Caio, nós iniciamos a conversa no Twitter, agora eu venho para cá.
O Luciano Huck é sempre muito criticado por ter sorteado TVs de LCD para quem seguisse ele. Então esse debate é uma pauta corrente mesmo.
Eu fiquei aqui pensando e voltei atrás, porque a promoção serve para divulgar a marca no Twitter: “Alô galera, a Morini está aqui também!”.
Isso não quer dizer que ela está comprando as pessoas, até pq elas ñ recebem dinheiro. O significado implícito disso é que o seu clique no “follow” pode representar uma doação de R$1,00, o que é lindo.
Me dá nos nervos ver aquelas promoções do tipo “retwitte para participar”. Considero isso até um tipo de spam. O que não é o caso aqui, porque a Morini não empurra tweets na timeline de quem não tem nada a ver com a história.
Parabéns à Morini, e me desculpem pelo tweet de hoje a tarde.
Abraços,
Concordo com o Leonardo Kenji, mas tipo… Twitter é uma mídia nova, a propaganda na rede ainda é dificil. Luciano Huck tinha o canal de TV para divulgar seu perfil, mas e a panificadora? Só tem o site dela… Ai, tem-se que criar uma polêmica para se popularizar, tornar-se conhecida.
E a respeito do André Paes, da panificadora, penso que ele pode estar um pouco equivocado. Afinal, quanto mais seguidores, maior a possibilidade de – DEPENDENDO DA ATUAÇÃO DELES NA REDE – converter ‘não clientes’ em ‘consumidores’. E mesmo aqueles que não são clientes diretos, continuam sendo stakeholders, afinal, eu que moro em uma região que não tem Morini, posso mal falar a empresa para várias pessoas que conheço e que moram perto de uma das panificadoras. Por isso, penso que deve-se prestar atenção MESMO àqueles seguidores que não converteriam o tal 1 real de promoções em consumo real na rede.
Bom, creio que me fiz entender. =\
Oi professor. Eu não acho legal seguir alguém no twitter para ganhar prêmios ou incentivar alguma ação social.
Quem de fato quer ajudar não precisa condicionar isso a participação de outros e quem quer mais seguidores que tenha conteúdo interessante. Há quem tenha milhares de seguidores sem sequer falar que tem twitter.
O problema, na minha humilde opinião, é “mais embaixo”: vaidade online. Uma praga que distorce o (bom) uso das ferramentas.
Estou pra comentar aqui há muito tempo, desde o rascunho deste post
ah! deixar o link aqui não é vaidade rsrs
abraço professor.
Feliz 2010 pra você!