Poucas palavras sobre um assunto extenso
É comum vermos designers criticarem os profissionais de marketing.
Isso é errado. Não só pela questão do respeito e tudo o mais, mas também pelo fato de que design é parte de um processo de marketing. Sim, é isso mesmo que você leu.
Para explicar sem sair do mote criado pelo título do post, então, serei bem objetivo.
Pense em um designer que trabalha em um escritório de design especializado em embalagens (mas pode também ser um designer de interface numa empresa de web, um diretor de arte numa agência de propaganda ou um visual effects specialist numa empresa de motion design). Ele trabalha para uma empresa que atende empresas que fazem produtos que venderão em supermercados.
Sua função é criar embalagens que sejam adequadas ao que a empresa que contratou o serviço de seu escritório deseja. Esta empresa, a contratante, desenvolveu um produto (muito provavelmente, se estivermos falando de um produto de consumo material, não um alimento) este produto também foi concebido com a ajuda de um (ou mais) designer. Continuando a sequência do raciocínio, esta empresa resolveu desenvolver este produto em função de uma demanda que ela observou no mercado em questão. Conseguiu ver a relação?
Para ser, então, bem conclusivo, vamos lá… o estudo do mercado e do consumidor em questão, é um processo de marketing. A decisão de se conceber um produto que atenda a estas necessidades é um processo de marketing. O desenvolvimento do produto em si, é parte de um processo de marketing. A concepção de uma embalagem para que este produto seja colocado à venda na gôndola de um supermercado, então, é – claro – um processo de marketing.
Nada impede (na verdade, espera-se que) esta embalagem seja linda e funcional. Mas ela não é concebida para ser uma obra de arte. Sua função é comercial e não artística. Se depois de pronta, a embalagem for considerada tão revolucionária, bela e inovadora que mereça a alcunha de objeto de arte, isso é uma consequência, não um objetivo, ok?
Designer é designer e artista é artista. O primeiro (e às vezes o segundo também) trabalha bastante em processos mais amplos que são processos de marketing.
Dessa forma, é preciso desmistificar o design e, ao mesmo tempo, retirar os adjetivos negativos ou subdefinidores do marketing.
Enfim… esse assunto rende. There’s much more to come.
5 Comments to “Poucas palavras sobre um assunto extenso”
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Ainda há quem confunda as duas coisas?
Estou pasmo.
Designers, diretores de arte, web designers normalmente são um pés no saco. Falo porque já fui assim, e conheços pessoas assim.
Arte se faz em ateliês. Entrou no “mercado”? Aí já é outra coisa.
Design que não se preocupa com o usuário é arte, vai aparecer em fanzines e revistas digitais descoladas, mas não vende.
Publicidade que não se preocupa com o mercado é arte, vai fazer alguém chorar, ganhar um leão em Cannes, fazer o diretor de arte virar estrelinha, o big fish no laguinho do mercado deles. Mas não vende.
Sou formado em design e publicidade, mas tenho preguiça das duas profissões.
Nada contra design e publicidade em si, mas a maioria do povo que pratica essas profissões não entende o contexto em que elas se encaixam, como você citou.
Trabalho com marketing para entender o público e conseguir satisfazê-lo. Designers e publicitários devem trabalhar da mesma maneira… (claro, isso é um mundo ideal)
Pois é… Quando todo mundo entender que marketing não é só venda e que todas as atividades da instituição envolvem e são envolvidas por questões de marketing a coisa tenderá a melhorar.
Entretanto, é utópico achar isso quando os próprios profissionais que tomam as decisões de marketing não encararem estas atividades como cruciais…
É um problema gigante e institucionalizado que, só de olhar pra ele tenho desânimo e depressão. :-/
Apoiando no exemplo da embalagem, o ideal é que funcione perfeitamente, sem trazer qualquer aborrecimento ao cliente como dificuldade para abrir ou mal acondicionamento. Se for bonita e agradável, melhor ainda. Na verdade ela funciona como o último esforço para atrair o cliente (por já estar inserida no local de venda) e um recurso para induzir a recompra. Dessa maneira, ornamentos, cores, formas, tipografia e frufrus são apenas a materialização daquilo que condiz com os objetivos que vem de constatações prévias. Nesse caso design e marketing não estão assim tão distantes, dá até pra confundir. Quando o designer critica o profissional de marketing, pode estar alfinetando a si mesmo.