Na web como plataforma, sites oferecem serviços
Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!
Coluna enviada para a revista WWW no dia 1 de outubro de 2005
Na web como plataforma, sites oferecem serviços
O conceito de web como plataforma está cada vez mais claro para quem usa, produz, lê a respeito… enfim: vive a web dia após dia.
Esta maneira, relativamente nova, de encarar a grande rede hipertextual faz com que ela (a web) deixe, inclusive, de ser “apenas” (como se isso fosse pouco) uma grande rede hipertextual para ser algo muito maior e mais importante.
A web pensada como plataforma significa, por exemplo, que ao invés de apenas nos fornecerem informações, os sites nos prestam serviços. E muitos deles, sem os quais um bocado de gente que está lendo esta coluna agora não conseguiria viver (salvas as devidas proporções, obviamente). Duvida? Bem, dá para afirmar com muita segurança que é bem pouco provável que tenha alguém lendo este texto que suspeite da eficiência dos software de mensagens instantâneas no auxílio de diferentes procedimentos de trabalho e comunicação em diversas empresas – tanto interna quanto externamente. Apesar de o limite entre elemento facilitador e penduricalho contra-producente ser bastante tênue, não é difícil perceber que os software de mensagens instantâneas representam uma maneira fácil de comunicação imediata entre pessoas.
Não é segredo, entretanto, que, para trocar mensagens instantâneas, via de regra, temos que instalar um software em nossa estação de trabalho. Pois é. Esta via de regra está sendo cada vez mais longe de ser regra com a proliferação dos web-messengers, que simulam os software de mensagens instantâneas dentro de sites. Este exemplo representa uma maneira bastante interessante de pensarmos a web como plataforma.
É o que muita gente importante no mundo da tecnologia, como Tim O´Reilly – o fundador da O´Reilly Media, uma das mais respeitadas editoras de livros de tecnologia do planeta – tem chamado de web 2.0. O conceito é amplo e, ao mesmo tempo, simples: usar a web como uma plataforma para oferecer serviços. Exemplos não faltam. Os próprios web-messengers – cujo exemplo mais glamoroso e bem feito que tenho notícia é o Meebo (www.meebo.com), que oferece a oportunidade de você usar uma série de protocolos ao mesmo tempo, via um serviço oferecido dentro do browser, numa página da web – são bons exemplos de aplicação do conceito de web 2.0.
Quem mais exemplos? O Gmail como solução que independe de software (claro, você tem a opção de usar um cliente de e-mail para baixar suas mensagens, mas a solução oferecida é tão completa que isso se faz desnecessária) para gerenciamento de grandes quantidades de mensages eletrônicas é um excelente exemplo.
Ainda não está satisfeito? Então vamos falar de mais um exemplo que vai fundamentar ainda mais a necessidade de pensarmos a web como uma plataforma para serviços. A esta altura do campeonato, creio que fornecer conteúdo via RSS não é mais segredo para ninguém que esteja lendo esta coluna, certo? Entretanto, mais uma vez, para agregarmos os feeds RSS de diversos sites, precisávamos de um software leitor de RSS, não é? Precisávamos. Alguns serviços bastante interessantes, oferecidos por sites (e mais importante: baseados em sites) estão acabando com a necessidade de você instalar um software específico para isso. Google e Microsoft oferecem este tipo de serviço em forma de páginas iniciais personalizáveis para seus usuários (www.google.com/ig e www.start.com respectivamente). Entretanto, o exemplo mais legal que encontramos é o NetVibes (www.netvibes.com), que permite que você organize uma página inicial personalizada a partir de feeds RSS para praticamente tudo: de previsão do tempo até a gerência de sua caixa postal no Gmail, passando por buscas e por conteúdo de sites de notícias e weblogs. Tudo bastante personalizável.
O potencial deste tipo de prestação de serviço não é questionável. O que devemos, então, é aprender com isso. Três lições muito importantes são claras: 1) a web como plataforma para a prestação de serviços implica em usuários usando estes serviços; 2) serviços pressupõem personalização; 3) e personalização implica em controle.
Ou seja, o que nós, estrategistas, gestores e desenvolvedores web devemos pensar? Oferecer a melhor solução para nossos clientes implica em pensar de forma inovadora oferecendo controle, respeito e coerência aos usuários através de serviços úteis, utilizáveis e personalizáveis.




