Olhando para nós mesmos para pararmos de falar sobre nós mesmos 4

Leia este post com atenção.
Ele tem uma importante lição para você e sua empresa usarem melhor as mídias sociais.
E não se trata de uma lição de moral.

Quem olha a imagem abaixo – de cara – tira uma série de conclusões.Duas das mais comuns conclusões que ouço quando mostro esta foto são:

  1. a de que o dono deste carro é uma pessoa sem noção;
  2. trata-se de uma pessoa que não tem muito bom gosto.

Mas… Será que é isso mesmo? Não, não refiro-me a estas características. Elas podem até ser verdade (e é bem provável que sejam). Mas, será que devemos sair por aí tirando conclusões precipitadas sobre as coisas ao vermos apenas uma fração delas? Ou melhor… O que as pessoas fazem mostra realmente o que elas são?

Vamos sair do exemplo do carro e dar uma olhadinha no Twitter. Não demora muito para vermos exemplo de ação semelhante:

A iniciativa desta pessoa não difere muito daquela do dono do carro da foto anterior, concorda? Trata-se de uma demonstração pública de amor e afeto e, por sí apenas, não deve – de maneira alguma – ser recriminada. Muito pelo contrário.

Isso só mostra que devemos olhar mais para o que nós fazemos ao invés apenas de ficar apontando o dedo para os outros. É muito difícil, concordo, e assumo que raramente consigo, mas é  o que deve ser feito.

Mas… O que eu quero dizer com estas duas imagens e este texto que está com a maior cara de lição de moral (embora não o seja, viu! Olha você julgando a coisa de cara novamente!)?

Bem, vamos lá então.

O que causa estranhamento, nos dois exemplos, não é o conteúdo da mensagem e nem a atitude em si, mas sim o lugar onde isso acontece. É claro que, em determinados momentos, o que mais queremos é que o mundo inteiro saiba o que estamos sentindo ou qual é a razão de nossas vidas. O problema é querer isso o tempo todo e forçar as outras pessoas a escutar ou ver o que queremos demonstrar. Milhares de pessoas devem ver este carro da foto andando pelas ruas da cidade todos os dias e não dão a mínima. Outras tantas olham e pensam (ou dizem): “e eu com isso?”.

A mesma coisa acontece com os tweets que lemos. Tem uma quantidade absurda de coisas que o que dá vontade de dizer é “é mesmo?” ou então o famoso “e o kiko?”. Aqui, no entanto, há uma singela diferença: enquanto o carro a gente vê involuntariamente, no Twitter a gente quer ver o que aquela pessoa tem a dizer, do contrário, não a seguiríamos.

[Pausa para você pensar que realmente o que eu não queria com este post era passar algum tipo de lição de moral. Não te disse?]

- Agora sim estamos chegando a um ponto bacana no post, Caio!

Ainda bem… O lugar onde quero chegar, para vocês que ainda não sacaram, é: quando estamos num ambiente onde falamos ao mesmo tempo que um bando de outras pessoas para o mesmo público, a mensagem tende a não chegar da melhor forma ou da maneira que queríamos que o nosso público a ouvisse. Nas ferramentas de mídia social como o Twitter, embora parte do seus seguidores também siga empresas concorrentes, eles estão atentos ao que você diz e a mensagem pode ser entregue de uma maneira mais fiel à ideia original. Daí, tira-se:

  1. Talvez não sejam os assunto de maior interesse para o meu público aquilo que eu faço ou somente as minhas opiniões randômicas sobre assuntos diversos;
  2. Quem me segue estará prestando atenção no que digo e espera ver algo relevante ou que se relacione comigo (e com ele);
  3. Estas pessoas também falam. Transformar a coisa num monólogo, não é legal. O mais interessante aqui é a conversa!

Atenção. A lição está abaixo!

Onde quero chegar com isso é que o que importa é o que você fala em seu canal e com quem você se relaciona. O número de seguidores é secundário aqui. Volume não representa qualidade, necessariamente. E não importa se aquilo que você tem a dizer é a coisa mais importante do mundo para você. Se aquilo for importante apenas para você, talvez você não devesse ficar falando pro mundo então… Qualidade vem de uma conversa produtiva e de mensagens relevantes. Assim sendo, para retomar o título do post e os exemplos citados, não é muito bacana ficar apenas falando de nós mesmos ou daquilo que é importante apenas para nós no Twitter. Nossos seguidores esperam conversar e interagir. Se eles não percebem que isso acontece, vão embora. E o volume de seguidores não é a coisa mais importante, mas sim a sua relevância para quem te segue. E manter-se relevante é bastante difícil. Muito mais difícil do que conseguir uma multidão de seguidores oferecendo prêmios pelo número de pessoas que te segue e retuíta suas mensagens… Como disse, o importante é ser relevante.

E o que isso tem a ver com o carro e o twwet citados? Tem tudo a ver, meu caro gafanhoto! Se a gente usa as ferramentas de mídias sociais (em especial o Twitter) para ficarmos falando apenas de nós mesmos, a gente vai acabar soando enfadonho ou desinteressante para muita gente… E isso é tudo o que não queremos quando a meta é sermos relevantes, não acha?

Ah, e antes de terminar, embora para muitos isso tudo pode parecer (e é) óbvio, basta dar uma navegada pelo Twitter para encontrar exemplos e mais exemplos que provam que não é todo mundo que sabe disso. Se você achou tudo isso óbvio, parabéns. Você tem um pouco de noção. Mas se você ainda não fazia ideia disso, parabéns também! Você acabou de aprender algo novo.

4 thoughts on “Olhando para nós mesmos para pararmos de falar sobre nós mesmos

  1. Marcelo Sander Sep 30,2010 15:50

    Caio, listo as coisas mais chatas que pessoas que considero bacanas postam no Twitter:
    - Dar bom dia, boa tarde ou boa noite.
    - Dizer onde está e o que está fazendo tipo “tô no aeroporto esperando o voo”.
    - Usar o formsquare o tempo todo.
    - Falar o que acabou de fazer tipo “almocei, jantei, caguei”.
    - Expressar seu estado de espírito ou sensação física tipo “Tô feliz, tô cansado, tô com sono, tô gripado, etc…”
    - Escrever em inglês como quem diz “eu entendo inglês”.
    - Retwittar usando hashtags do Trending Topics pra tentar aumentar a visibilidade da twittada.
    - Twittar frases sem sentido tipo “Quero muito mas não sei se devo.”

    Abraço!

  2. Rusvel Nantes Oct 4,2010 07:27

    Caio,

    não tenho twitter (já tive, mas deletei), nem blog, nem fotolog, quase não uso o orkut e acesso pouco o facebook. Não tenho nada de tão relevante a dizer e também não me sinto na obrigação de ter opinião sobre a pauta do dia.

    Não acho que seja falta de noção. Entendo seu ponto de vista, mas acho que ele é muito fundamentado numa análise empresarial ou mercadológica (não sei ao certo qual termo é mais adequado). Para quem deseja visibilidade, o monólogo pode ser tão interessante quanto o diálogo. Concordo que seja bastante difícil manter-se relevante, mas tem gente que consegue apenas falando de si.

    Lógico que eu falo isso a partir da minha pesquisa. E meu objeto de análise, apesar de não ter nada a ver com as redes sociais, diz muito a respeito desse tipo de comportamento. Ano que vem te convido pra banca…

  3. Caio Cesar Oct 4,2010 09:03

    Excelente comentário Rusvel! E concordo contigo! Acho que o monólogo pode ser tão interessante quanto o idálogo (ou em alguns casos até mais do que ele). No entanto, ser interessante não necessariamente se converte em ser eficiente (e sim, do ponto de vista de gestão ou construção de um posicionamento de marca online) para quem está tomando conta da ação. Em tempos de uma web controlada por usuários, temos que considerar – e muito (mas não apenas) – as vozes da audiência.

  4. Narcélio Filho Oct 5,2010 13:13

    O Caio diz no twitter quando vai tomar café! >:^)

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