
Sinuca de bico – Situação onde a pessoa se encontra sem uma saída. É uma analogia ao jogo de sinuca quando o jogador tem a bola da vez protegida atrás de outras bolas de forma que fica impedido de acertá-la. Ainda por cima, o jogo está numa condição onde a bola errada pode facilmente ser encassapada (sic). Via Dicionário inFormal
Estas eleições estão mais do que difíceis para o eleitor de Minas Gerais que espera que o Brasil seja um dia um país melhor. As escolhas estão bastante complexas. Mais do que nunca, tenho visto gente declarando que vai votar nulo por falta de opção. Literalmente.
Sinuca de bico 01 – Presidente da república
Tá difícil. Ou vota no poste (Dilma) que é sinônimo do continuismo – o que não necessariamente é ruim em termos gerais, mas pode ser péssimo se lembrarmos de escândalos como o do mensalão, por exemplo – ou na ameaça de um governo do PSDB, que representa o pior do liberalismo e ainda não se tem afastado o risco de um mensalão (pra quem não sabe, o mensalão nasceu em Minas, num governo do PSDB). Votar na Marina é interessante e serve como uma maneira de mostrar que a questão ambiental é importante; mas só um louco votaria numa pessoa que já se declarou simpatizante a uma posição contrária ao aborto e estudos com células tronco em virtude de ser evangélica (é até engraçado, diga-se, ver gente que abomina a Rede Record por causa dos bispos apoiar a Marina).
Sinuca de bico 02 – Governador do estado
A escolha aqui continua sendo complicada. As opções são: um poste (mas quanto poste, hein?) imposto pelo Aécio Neves ou uma chapa que jogou na lama o nome de Patrus Ananias com uma associação – no mínimo podre – com o PMDB de Hélio Costa. Situação difícil… Continuismo de uma condição sofrível por parte de quem vive e depende do estado e constantemente mascarada pela comunicação censora do governo ou o risco de um desastre total de uma gestão do PMDB.
Sinuca de bico 03 e 04 – Senador
Este ano votaremos em dois senadores para um mandato de oito anos. Por isso temos duas sinucas de bico aqui. Assim sendo, a coisa se mostra ainda mais desesperadora. As opções são: O ex-governador Aécio que bate em em mulher e censura a comunicação em Minas, acabando com a liberdade de imprensa no estado; O ex-tudo Itamar Franco que tem 80 anos e, além de não ter mais condições de exercer o cargo, fatalmente (literalmente) não conseguirá trabalhar por todo o mandato dando lugar ao suplente Zezé Perrella, que faltou a 88% das sessões em que deveria estar presente em comissões das quais faz parte (ou seja, um vexame total); Por último, tem o Pimentel, ex-prefeito de BH que ajudou o Aécio a eleger o Poste Márcio Lacerda em 2008 num conchavo jamais visto (PT + PSDB) e que, muito provavelmente assumirá um cargo no governo de Dilma, deixando a sua vaga para Virgílio Guimarães que, quem conhece, sabe que não é flor que se cheire… Ou seja, a coisa tá feia pro eleitor mineiro na escolha dos senadores.
Sinuca de bico 05 – Deputado federal
Nem precisa dizer que a coisa aqui não é boa. Tem de tudo entre os candidatos, inclusive o Newton Cardoso (que, quando deixou o governo de Minas, dizem, levou até lustres do palácio da Liberdade), Eduardo Azeredo (um dos inventores do Mensalão e autor do AI-5 Digital) e o já conhecido dono do castelo. A escolha pelo nulo parece mais certa a cada candidato que se apresenta.
Sinuca de bico 06 – Deputado estadual
Além do filho do dono do castelo (e potencialmente igualmente suspeito), o desfile de atrocidades é ainda mais intenso aqui. De totais desconhecidos a notórios canastrões, a lista dos candidatos apresenta apenas gente que quer mais o seu dinheiro em troco de nada. Gente que se dedica a sujar a cidade para se mostrar com cavaletes ridículos e se dá o trabalho de aparecer apenas quando lhe é conveniente. Lamentável.

Sem escolha, o eleitor se vê obrigado a anular
O eleitor mineiro que raciocina vai acabar anulando o voto, pois nem se trata mais da questão do “menos pior”. Todos são péssimos e não há uma saída plausível para este dilema quíntuplo (ou sextuplo, se você considerar os dois que vão pro senado) que se desenhou em Minas. A única opção para os que não querem ajudar a colocar no poder alguém que não merece e nem deve estar lá é votando nulo.
Como já disse em duas ocasiões: votar no “menos pior” não é a solução. Ainda mais quando percebemos que as escolhas nos levam pra longe dos “menos piores”. Eles são o que há de “mais pior”, isso sim!
Na falta de quem votar, vote nulo. O voto nulo é uma opção válida, sim!