E-mail não é site

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna enviada para a revista WWW no dia 1 de fevereiro de 2006

E-mail não é site

Rotular nunca é legal. Como também nunca é legal usar a palavra ‘nunca’ (pois nunca se sabe o dia de amanhã). Ainda assim usamos o bendito ‘nunca’ o tempo todo e rotulamos de quando em vez. O que se conclui com isso é que – inevitavelmente – rotularemos e usaremos o tal ‘nunca’ da mesma maneira que usamos o ’sempre’.

O que escrevo aqui não foje à regra. Rotularei bastante e escreverei muitos ‘nunca’ e outros tantos ’sempre’.

Começo com o rótulo contido no título: E-mail não é site. Por causa disso, não deve ser composto em HTML.

Muita gente acha que enviar e-mail com HTML é legal e vai gerar retorno para a sua empresa se o seu newsletter for composto e enviado assim. Não, as coisas não funcionam desta maneira. Os software que usamos para ler nossos e-mails não foram totalmente preparados para renderizar e exibir os códigos HTML e, por isso, muitos erros podem ocorrer – inclusive o mais temido: seu cliente não conseguir ler a sua mensagem.

Além destes, há vários outros motivos para nunca enviarmos e-mail com HTML para nossos clientes ou quem quer que seja.

Segurança: E-mails em HTML costumam são um prato cheio para os mal-intencionados embutirem scripts que serão executados pelo incauto usuário e disparar worms, cavalos de tróia e vírus. Não importa se as mensagens que você envia não tenham nenhum tipo de artifício malicioso ou “truque sujo”, lembre-se que, para ler sua mensagem, o usuário deverá habilitar a leitura de e-mails com HTML e, portanto, sofrer o risco de ser infectado por uma mensagem de outrem. Não faça isso. Se possível, oriente-o a desabilitar esta função.

Confusão: Muitos gerentes acham – e eu concordo com eles – que, pior do que o seu cliente não conseguir ler o seu e-mail é o fato de a sua mensagem ser confundida com um spam por alguma ferramenta que ele venha a usar. Mensagens em HTML têm mais chances de serem diagnosticadas como spam do que mensagens de texto simples. Mais um motivo para nunca, nunca mesmo, mandar e-mail com HTML.

E não pense que sua mensagem comercial terá mais chances de gerar retorno só por causa de imagens e de uma formatação “bonitinha”. Grandes empresas oferecem a opção de entrega de mensagens no formato texto e recebem muitos cliques e compras em retorno a estas mensagens por um motivo simples: elas entregam nas caixas de entrada dos usuários aquilo que eles querem receber. E isso não depende de uma mensagem com figuras ou a sua marca numa animação, mas sim de uma estratégia bem planejada e executada de business intelligence. Isso mesmo, inteligência é a palavra-chave aqui. Nada a ver com firulas gráficas ou e-mail em HTML.

Eu sempre oriento meus alunos e clientes a seguirem o caminho do bom senso e da inteligência. Faço isso insistindo para que configurem seus leitores de e-mail para não processarem o HTML das mensagens e, principalmente, para não enviarem mensagens com HTML. Fazendo isso, os destinatários sempre agradecerão.

Comece a exteriorizar a sua inteligência e exercitar o bom senso: não envie nem receba mensagens em HTML. Faça bom uso da rede.

Conhecer para fazer

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna enviada para a revista WWW no dia 1 de janeiro de 2006

Conhecer para fazer

Sabe aquele ditado de “escreve bem quem lê bastante”? Pois é, a mesma coisa pode ser aplicada para nossos projetos interativos. Faz melhor quem conhece os mais variados projetos, ou seja: se dá bem aqueles que usam a rede de um jeito diferente, com um olhar diferente e percebendo coisas diferentes.

Suponha que você acaba de ser contratado para uma consultoria. Seu cliente precisa propor algo novo para o cliente dele. A idéia é fazer algo diferente, surpreendente e eficiente. A primeira pergunta a fazer deve ser a de sempre: “qual é o objetivo do cliente?”. Para quebrar o silêncio que certamente se instalará na sala de reuniões, explique o óbvio: diferenciar e surpreender não são objetivos claros. É preciso, em primeiro lugar, conhecer o cliente e saber o que ele pretende fazer em suas ações de comunicação; on e offline.

Tendo sido identificados de forma clara e eficiente os objetivos do cliente, a segunda coisa a se fazer é pesquisar. Buscar em tudo quanto for lugar algumas idéias interessantes para poder, efetivamente, surpreender o cliente com alguma solução realmente eficiente. Comece pelos concorrentes diretos do cliente, conheça-os e também as suas ações como se você fosse parte da equipe. Entenda o que eles estão fazendo e procure identificar quais objetivos podem estar por trás daquelas ações. Evitar copiá-los. Fazer algo só porque o concorrente fez não é garantia de sucesso. Verifique se aquela ação se encaixa no conjunto de objetivos de seu cliente antes de propor uma aolução semelhante. Se todos simplesmente copiassem, não haveria inovação.

Depois de conhecer os concorrentes de cliente como a palma de sua mão, busque conhecer aqueles que atuam no mesmo segmento, mas em praças diferentes. Por exemplo: se o cliente é um shopping center, a primeira parte da pesquisa tem como foco os outros shoppings da mesma cidade, começando por aqueles que atuam junto ao mesmo segmento e depois expandindo a pesquisa. A segunda etapa da terá como foco os shoppings de outras cidades. Comece por aqueles que tenham perfil semelhante ao do cliente e, depois, novamente, expanda seus horizontes. Neste ponto as referências se multiplicam. Nem preciso dizer que quanto mais ações de diferentes shoppings centers, você conhece, mais fácil será propor ações interessantes para o seu cliente.

A pesquisa não pára por aí. Busque referências em ações de empresas de outros países se houver tempo. Você verá o quanta diferença este tipo de ação faz na hora de propor algum tipo de solução. E não se contente apenas com os concorrentes e empresas que atuem no mesmo setor do cliente em questão; busque empresas com atuação em setores proximos ou que compartilhem públicos semelhantes. Neste ponto as referências que você terá reunido serão exponencialmente superiores (em número e em ações) àquelas que você tinha quando olhava apenas para os concorrentes diretos do seu cliente.

Aí ficou fácil, não é? Propor uma solução que seja diferente, surpreendente e eficiente ficou moleza depois desta pesquisa que você fez. Mas também, pudera, não é? Com tanto esforço, o resultado não poderia ser diferente.

Moral da história: Um projeto interativo realmente novo e criativo não cai do céu.

Faça bom uso do e-mail

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna enviada para a revista WWW no dia 1 de dezembro de 2005

Faça bom uso do e-mail

Fazer bom uso da rede também significa fazer bom uso do e-mail. Afinal, mais da metade do tráffego da rede se refere às mensagens trocadas por meio do correio eletrônico. Fazer bom uso deste serviço é crucial tanto para a empresa quanto para o profissional; seja em negócios de tecnologia ou de qualquer outra natureza.

Comecemos pelo uso empresarial do e-mail. Refiro-me aos casos em que a empresa entra em contato com pessoas para assuntos diversos. É providencial neste momento passar o primeiro conselho para o bom uso do e-mail: Jamais envie uma mensagem para quem quer que seja sem que esta pessoa tenha lhe autorizado.

Não é segredo para ninguém que o poder está nas mãos do usuário no que se refere à internet. No caso do e-mail, isso se manifesta de maneira ainda mais expressiva. Coloque-se no lugar do usuário: Sua caixa de entrada é aquele espaço só seu, protegido por uma senha que só você sabe, que só você acessa quando quiser, que você guarda o que quiser. Ver aquele espaço invadido por alguém que você nem conhece – e pior: para tentar lhe vender qualquer que seja o produto ou serviço – é algo que está muito além dos limites. Dessa forma, opte sempre por enviar mensagens em nome de uma empresa somente àqueles que concordaram em receber estas mensagens.

Sem deixar o sarcasmo de lado, espero nem precisar dizer que a quantidade de mensagens e a periodicidade do envio devem ser definidas pelo usuário no momento da autorização, não é? Ah, e pra ficar bem claro: evite a todo custo enviar qualquer mensagem em nome de uma empresa usando um e-mail pessoal ou de um domínio que não tenha qualquer relação com a empresa em si. Comprar um domínio e fornecer endereços aos funcionários é tão barato que o uso de serviços de terceiros é cada vez menos necessário. Se for gratuito, então… ih! Que credibilidade e autoridade você daria a uma empresa que usa um e-mail gratuito para conversar com seus consumidores e/ou prospects?

Antes de falar especificamente aos profissionais, duas pequenas dicas que são de extrema importância tanto para as empresas quanto para quem trabalha nelas. É hora do segundo conselho para o bom uso do e-mail: Não envie mensagens em HTML. Porquê? É simples: Você não pode garantir como o destinatário visualizará a sua mensagem. Colocar aquele texto infame que diz “caso você não esteja visualizando esta mensagem corretamente, clique aqui” não resolve nada. Aliás, para os usuários que optam pela exibição de mensagens em modo texto, este trecho nem será clicável. Para ajudar a justificar esta posição, recorro ao fato que é atraves de mensagens em HTML que os software leitores de e-mail executam scripts e disparam worms que tanto nos dão trabalho.

Agora, mais uma dica comum a empresas e profissionais; ou, se preferir, o terceiro conselho para o bom uso do e-mail: Se precisar enviar a mesma mensagem a um grande grupo de destinatários de uma só vez, opte pelas cópias-carbono, ou blind carbon copies. O uso deste recurso impede que sua mensagem seja tratada como spam por alguns filtros além de garantir a provacidade de todos os seus destinatários e evitar a publicação indevida de endereços eletrônicos de pessoas que, provavelmente, não concordariam com isso.

Agora, falando especificamente aos profissionais que usam o e-mail como ferramenta de trabalho, os dois últimos conselhos. Seguindo a ordem, eis o quarto conselho para o bom uso do e-mail. Seja claro, objetivo e não abuse da paciência do destinatário. O campo de assunto de uma mensagem eletrônica deve dizer muito sobre o conteúdo da mensagem. E deve dizer a verdade. Se você falar que tudo é “urgente”, no final das contas, nada será urgente de verdade, não é? Não precisa escrever a mensagem inteira no campo do assunto, mas basta dizer a verdade acerca do conteúdo da mensagem. Isso fará com que mensagens que precisem de resposta imediata serão lidas rapidamente e respondidas o quanto antes. Outra coisa importante a se considerar é o tamanho do texto. Além de mim, não conheço mais ninguém que tenha se acostumado a ler textos longos na tela do computador. Dá uma preguiça danada para muita gente, além de – claro – dores nos olhos. Sendo assim, segure a onda.

Seguindo o supracitado princípio OSSSSO (O Segredo do Sucesso é Saber Segurar a Onda), eis o quinto conselho para o bom uso do e-mail. Não trabalhe para o e-mail, deixe o e-mail trabalhar para você. Mantenha uma quantidade mínima de endereços pois gerenciar várias caixas postais é uma tarefa um tanto quanto cansativa. Além disso, ajuste a checagem automática de novas mensagens para efetuar o serviço a cada 20 minutos ou mais. Tem gente que acha que uma hora de intervalo é pouco, mas eu me contento com metade disso. O fato é que, toda vez que o seu software apita você deixa de fazer o que estava fazendo para ir lá ver o que chegou. Isso é muito pouco produtivo, não precisa nem dizer, não é?

Para acabar a coluna (que já está bem longa), uma última dica para deixar o e-mail trabalhar para você: use e abuse de templates e assinaturas. Já que estamos falando de rendimento no trabalho, tente contabilizar quanto tempo por semana você gasta escrevendo saudações e assinaturas para suas mensagens eletrônicas.

Bem, é isso. Um excelente uso do e-mail a todos!

Usabilidade é coisa séria

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna enviada para a revista WWW no dia 1 de novembro de 2005

Usabilidade é coisa séria

O assunto já foi abordado diferentes vezes nesta coluna, mas nunca de maneira direta. Faz parte do principio “osssso”, jamais deve ser deixado de lado em um projeto web e, obviamente, deve ser pensado em todos os serviços e sistemas hipertextuais que usam – ou não – a web como suporte.

Usabilidade é algo que só recentemente vem sendo aplicado à web, mas o conceito, os métodos e os princípios são muito anteriores a ela. Aqui na W vocês tiveram a oportunidade de ler uma matéria bem abrangente sobre o tema e sua aplicação na web. A leitura desta matéria especial é mais do que recomendada para aqueles que se importam em construir websites eficientes.

Então, voltando à Usabilidade (sem nunca ter saido dela). Trata-se de um assunto sério e que, por isso, dispensa a falsa colaboração de doidos, maluquinhos, opinadores e demais aproveitadores de plantão. Mas não é um tema difícil, apesar de sua abrangência, seriedade e complexidade. Tanto que, em novembro, tivemos o dia mundial da Usabilidade (http://www.worldusabilityday.org/), promovido pela UPA (Usability Professionals’ Association – http://www.upassoc.org/). Com aplitude global, como o próprio nome diz, o dia mundial da Usabilidade contou com eventos em mais de 30 países, inclusive no Brasil.

O dia 3 de novembro – data escolhida – teve como mote a valorização da Usabilidade, mostrando a sua importância. O slogan era: “Making it easy”, que não poderia traduzir melhor o conceito do termo Usabilidade: fazer as coisas serem mais fáceis de usar.

No Brasil tivemos eventos em Belo Horizonte, Curitiba e São Paulo. Em BH, onde pude, honrosamente, ser um dos professores participantes, a quantidade de inscritos e a ocupação dos auditórios onde o evento foi realizado mostrou que a preocupação em desenvolver tecnologias, dispositivos e sistemas de fácil utilização é crescente e merece a atenção de quem desenvolve sistemas interativos, com grande destaque para a web.

Muitos eram os interessados em tecnologias, dispositivos e websites fáceis e simples de usar para suas empresas, entidades, instituições governamentais e clientes. Afinal de contas, se é difícil de usar, as pessoas evitarão o uso, certo?

Foi um dia bastante produtivo, posso dizer. Pudemos mostrar a todos os interessados duas coisas muito importantes que compartilho aqui com vocês:

1 – Usabilidade deve ser uma preocupação presente em todo o processo de desenvolvimento de um produto, tecnologia, serviço ou sistema interativo (iclua aí os websites), e não no final, como muita gente está acostumada a ver. Estes pequenos detalhes podem fazer uma enorme diferença – tanto orçamentária, evitando gastos desnecessários com retrabalho, quanto em satisfação do usuário;

2 – Usabilidade significa pesquisa, avaliação e método, coisa que muita gente esquece e acaba se baseando apenas em opiniões e achismos. Avaliações e testes de usabilidade são apresentam resultados mensuráveis que implicam em ações diretas e específicas que podem representar impactos substanciais aos projetos de desenvolvimento de novos produtos, sistemas, tecnologias e serviços.

Em suma: poder conversar sobre um assunto tão interessante e importante, não poderia ter sido melhor; tanto lá quanto cá. E é por isso que eu aproveito, mesmo já tendo passado quase um mês da realização do evento, para reforçar este conselho primordial para que você faça bom uso da rede: inclua avaliações de Usabilidade em todo o processo de desenvolvimento de sistemas interativos. O usuário agradecerá e, consequentemente o seu cliente e – talvez num apelo mais ‘capitalista’ – o seu bolso também.

Na web como plataforma, sites oferecem serviços

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna enviada para a revista WWW no dia 1 de outubro de 2005

Na web como plataforma, sites oferecem serviços

O conceito de web como plataforma está cada vez mais claro para quem usa, produz, lê a respeito… enfim: vive a web dia após dia.

Esta maneira, relativamente nova, de encarar a grande rede hipertextual faz com que ela (a web) deixe, inclusive, de ser “apenas” (como se isso fosse pouco) uma grande rede hipertextual para ser algo muito maior e mais importante.

A web pensada como plataforma significa, por exemplo, que ao invés de apenas nos fornecerem informações, os sites nos prestam serviços. E muitos deles, sem os quais um bocado de gente que está lendo esta coluna agora não conseguiria viver (salvas as devidas proporções, obviamente). Duvida? Bem, dá para afirmar com muita segurança que é bem pouco provável que tenha alguém lendo este texto que suspeite da eficiência dos software de mensagens instantâneas no auxílio de diferentes procedimentos de trabalho e comunicação em diversas empresas – tanto interna quanto externamente. Apesar de o limite entre elemento facilitador e penduricalho contra-producente ser bastante tênue, não é difícil perceber que os software de mensagens instantâneas representam uma maneira fácil de comunicação imediata entre pessoas.

Não é segredo, entretanto, que, para trocar mensagens instantâneas, via de regra, temos que instalar um software em nossa estação de trabalho. Pois é. Esta via de regra está sendo cada vez mais longe de ser regra com a proliferação dos web-messengers, que simulam os software de mensagens instantâneas dentro de sites. Este exemplo representa uma maneira bastante interessante de pensarmos a web como plataforma.

É o que muita gente importante no mundo da tecnologia, como Tim O´Reilly – o fundador da O´Reilly Media, uma das mais respeitadas editoras de livros de tecnologia do planeta – tem chamado de web 2.0. O conceito é amplo e, ao mesmo tempo, simples: usar a web como uma plataforma para oferecer serviços. Exemplos não faltam. Os próprios web-messengers – cujo exemplo mais glamoroso e bem feito que tenho notícia é o Meebo (www.meebo.com), que oferece a oportunidade de você usar uma série de protocolos ao mesmo tempo, via um serviço oferecido dentro do browser, numa página da web – são bons exemplos de aplicação do conceito de web 2.0.

Quem mais exemplos? O Gmail como solução que independe de software (claro, você tem a opção de usar um cliente de e-mail para baixar suas mensagens, mas a solução oferecida é tão completa que isso se faz desnecessária) para gerenciamento de grandes quantidades de mensages eletrônicas é um excelente exemplo.

Ainda não está satisfeito? Então vamos falar de mais um exemplo que vai fundamentar ainda mais a necessidade de pensarmos a web como uma plataforma para serviços. A esta altura do campeonato, creio que fornecer conteúdo via RSS não é mais segredo para ninguém que esteja lendo esta coluna, certo? Entretanto, mais uma vez, para agregarmos os feeds RSS de diversos sites, precisávamos de um software leitor de RSS, não é? Precisávamos. Alguns serviços bastante interessantes, oferecidos por sites (e mais importante: baseados em sites) estão acabando com a necessidade de você instalar um software específico para isso. Google e Microsoft oferecem este tipo de serviço em forma de páginas iniciais personalizáveis para seus usuários (www.google.com/ig e www.start.com respectivamente). Entretanto, o exemplo mais legal que encontramos é o NetVibes (www.netvibes.com), que permite que você organize uma página inicial personalizada a partir de feeds RSS para praticamente tudo: de previsão do tempo até a gerência de sua caixa postal no Gmail, passando por buscas e por conteúdo de sites de notícias e weblogs. Tudo bastante personalizável.

O potencial deste tipo de prestação de serviço não é questionável. O que devemos, então, é aprender com isso. Três lições muito importantes são claras: 1) a web como plataforma para a prestação de serviços implica em usuários usando estes serviços; 2) serviços pressupõem personalização; 3) e personalização implica em controle.

Ou seja, o que nós, estrategistas, gestores e desenvolvedores web devemos pensar? Oferecer a melhor solução para nossos clientes implica em pensar de forma inovadora oferecendo controle, respeito e coerência aos usuários através de serviços úteis, utilizáveis e personalizáveis.

Critique e deixe criticar

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna enviada para a revista WWW no dia 1 de setembro de 2005

Critique e deixe criticar

Você que, como eu, trabalha com desenvolvimento e gestão de peças de comunicação ou sistemas de informação em hipertexto para a web, já deve ter se deparado com críticas ocasionais (embora às vezes, nem tão ocasionais assim) a trabalhos desenvolvidos por nós ou por nossas equipes. Vez por outra também somos flagrados criticando o trabalho “dos outros”.

Mas… Qual o problema com as críticas? Não devemos fazê-las? E quando o trabalho é desenvolvido por nós, como receber uma crítica? É errado criticar? Devemos sempre retrucar as críticas? Críticas são necessariamente observações recalcadas e devem ser ignoradas? Devemos sempre segurar nosso ímpeto de criticar alguma coisa?

Bem, se formos listar tudo aqui, eu acabo com o espaço da página, mas não fecho a idéia. Então, por partes. Em primeiro lugar, é bom termos em mente que toda critica é, de certa forma, positiva. Mesmo as mais ácidas podem contribuir positivamente para um projeto. Basta olharmos as críticas com outros olhos.

Para isso, é bom ter em mente que só porque exteriorizamos uma idéia, não quer dizer que esta idéia é nossa. Principalmente quando estamos falando de produções que exigem esforço coletivo de criação. Por mais genial que a “nossa” idéia possa parecer, ela não é definitiva ou infalível. E outra: no momento que esta idéia se torna pública, instantaneamente, ela deixa de ser nossa.

O que precisamos aprender é que não somos artistas e nossas peças não são obras de arte. Devemos entender que pontos de vista divergentes existem e que todos somos capazes de emitir opiniões. Assim sendo, é bem provável que alguém que tenha visto um site desenvolvido por você ou por sua equipe tenha uma critica a fazer. Devemos ser capazes, portanto, de receber as opiniões emitidas pelos outros com maturidade e inteligência.

Um exemplo prático: Sabe aquele site que a sua equipe fez e que deu o maior trabalho para desenvolver; pois o cliente impôs uma série de limitações e, mesmo assim a equipe conseguiu conceber uma peça bastante legal (pelo menos esta é a sua avaliação)? Pois é. Já pensou se chega alguém que não participou do processo, não sabe dos meandros da coisa, mas, ainda assim, aponta uma série de falhas? Que chato, né?

Não. Não há nada de chato nisso. Pelo contrário. O fato de alguém ter o trabalho de escrever para você ou se manifestar publicamente apontando aquilo que você ou sua equipe deixaram passar não deveria ser encarado como algo ruim; é uma ajuda.

Geralmente temos um monte de coisas influenciando nossa criatividade: perfil e demandas específicas do cliente, o cliente do cliente, o ambiente, as pessoas para as quais aquela determinada peça de comunicação se destina, enfim… Esta é outra lista que parece não ter fim. De qualquer maneira, estas acabam sendo nossas desculpas para não aceitarmos as críticas que recebemos ou usamos qualquer item desta lista como justificativa para o que fizemos. Isso não é bom para ninguém.

Cabe a nós, profissionais de criação e desenvolvimento, encontrar soluções eficientes mesmo nos cenários mais hostis. É este o verdadeiro desafio de criação. As “restrições” devem ser encaradas como catalisadores de criatividade e competência, não limitadores de ações. Pense nisso e perceba o quanto é legal quando alguém, que está com a mente limpa e sem os problemas que envolveram o desenvolvimento da solução aponta onde podemos fazer e onde podemos melhorar.

Desvincular a criação do criativo é o primeiro passo para enxergarmos as críticas de forma positiva. Receber críticas faz parte do processo criativo. Portanto, critique e deixe criticar!

A internet não tem dono!

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna publicada na revista WWW no dia 1 de agosto de 2005

A internet não tem dono!

De quem é a internet? É certo que muitos desenvolvedores e responsáveis por websites já pararam pra pensar nesta questão. A resposta não deve ter sido diferente para quem refletiu que, tendo como base o histórico da rede, talvez ninguém e, ao mesmo tempo, todo mundo seja dono da internet. Só que, ainda assim, vemos muita gente tentar fazer usocapião da rede.

Longe daqueles malucos que reclamam a propriedade da lua ou de Júpiter. Refiro-me aos insanos que decretam, sem pestanejar: “quem não tem versão mais recente do browser C não poderá visualizar o site”. Estes decretos desprovidos de qualquer senso de limite ainda podem ser apresentados nas variáveis “região geográfica”, “plugin” ou ainda “velocidade de conexão”. Realmente, é coisa de doido.

Não cabe ao desenvolvedor e nem ao responsável por um website decidir qual browser, plugin, conexão ou sistema operacional o usuário que acessará o site que ele está construindo deve ter. Parece besteira, mas pergunte a alguém que não conseguiu acessar determinado site – qualquer um – qual o nível de sua frustração. Tenho certeza que será alto.

Pensar que o usuário deve ter a liberdade de acessar o seu website de qualquer browser, em qualquer plataforma e com qualquer conexão é uma excelente maneira de demonstrar inteligência estratégica, respeito ao usuário e ao seu investimento em comunicação online. Estes cuidados com o website traduzem um aspecto interessante da usabilidade (para quem ainda não pescou a idéia, é disso que eu estou falando nesta coluna) que interfere diretamente com os resultados de uma estratégia de comunicação online: multiplataforma significa multiusuários.

Como assim? Pense que agora temos diferentes dispositivos que acessam a rede; os computadores pessoais – qualquer que seja a plataforma – estão deixando de ser os principais dispositivos de acesso e celulares, PDA´s e smartphones já despontam como importantes dispositivos de acesso.

E este é só o começo. Imagine os fornos microondas, geladeiras e carros que serão capazes de acessar informações na rede para o deleite de seus usuários. Já pensou a situação de você, em seu super carro, em plena estrada tendo que parar no acostamento e esperar a animação em flash terminar de ser exibida para, finalmente, poder ver as indicações de um mapa? Ou pior, já imaginou alguém pagando uma fortuna por um carro e descobrir que com aquele equipamento ele não é capaz de visualizar os mapas de determinado website, pois a versão do browser do computador de bordo do veículo não é compatível com o plugin usado? Ridículo, não é?

Levando em conta que o motivo mais comum que leva empresas e pessoas a colocarem informações na rede é ter usuários acessando, faz algum sentido restringir o acesso somente a alguns? Se a internet é de todos, é inteligente segregar assim? Obviamente não.

Então, caros amigos desenvolvedores e responsáveis por websites, lembrem-se que pensar usabilidade é pensar no conforto, facilidade de uso e respeito a quem usa o sistema. É lembrar que as decisões (como acessar, de onde acessar, o que acessar, em que ordem e com qual dispositivo acessar) cabem ao usuário, ninguém mais.

Projetar websites que não funcionam em determinada configuração ou que subestimam as capacidades do usuário é sinal de falta de profissionalismo. O usuário foi inteligente o suficiente para escolher buscar as informações em seu website, deixe que ele decida se quer ou não que os links abram em novas abas. Afinal, é ele quem manda; viva o dono da internet!

E aí, terminou?

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna enviada para a revista WWW no dia 1 de julho de 2005

E aí, terminou?

Quando você é o responsável por um website ou uma intranet, esta pergunta tem sempre a mesma resposta; pode falar sem medo de errar: Não.

Um website jamais está pronto, por mais que possam insistir no contrário. Muito menos uma intranet ou qualquer outro sistema de informações hipertextuais com esta característica tão marcante que é a interação.

Não fosse assim, na bibliografia mais proeminente que trata do assunto não constariam títulos que tratam o processo de concepção e construção de um website no gerúndio ou o classificam como um fluxo. Um website é um produto de comunicação que não tem início, meio ou fim. Seu processo de construção não acaba simplesmente; seu conteúdo deve ser sempre atualizado e, por mais que o layout esteja definido e prontinho – permanecendo às vezes anos sem qualquer perspectiva de alteração visual – temos sempre que lembrar que um aspecto muito importante de um website é como este sistema de informações aproxima você, seu produto ou sua empresa de seu interlocutor.

Espero que isso não seja, de forma alguma, novidade para os leitores desta coluna.

Uma coisa que muita equipe responsável por website, intranet ou qualquer assemelhado que o valha acaba por esquecer é que:

1 – O dito sistema de informações em hipertexto foi feito, ou pelo menos assim espera-se, com foco em quem vai usá-lo. Pode chamá-lo de usuário (preferivelmente) ou de cliente, mas não o chame de nada que termine com “auta”. Isso seria um atestado de tudo aquilo que representa o oposto ao bom uso da rede. Enfim, é para este indivíduo que o website foi feito.

2 – Tendo em mente que o referido website foi elaborado com um indivíduo (ou uma classe) em mente, e levando em consideração o caráter interativo do meio onde este sistema é disponibilizado para o tal indivíduo, é, no mínimo, esperado que exista um retorno (ou no jargão mercadológico, um feedback) por parte do tal usuário.

E esta é uma questão que jamais deve ser esquecida: interação. Na verdade, é o ponto central desta coluna. Nós, gestores e membros de equipes responsáveis por websites temos sempre que ter em mente estas questões referentes às particularidades da web. É primordial para que possamos realmente fazer bom uso da rede lembrarmos que um website serve para comunicar; e, como bem sabemos, não existe – neste caso – a mais remota possibilidade de comunicação em uma única direção. A informação vai e a resposta vem. Para este ponto, poucos voltam os olhos.

Mas onde eu quero chegar com tudo isso?

É simples, como tudo nesta vida deve ser. Basta que se lembre (ou melhor: que nunca se esqueça) que, se o sistema está no ar, os usuários farão uso deste sistema para se comunicarem com você e com sua empresa.

É triste, no entanto, que isso aconteça com freqüência assustadora. Não é raro esperarmos dias, semanas e até meses em vão por uma resposta a uma pergunta ou mensagem enviada em diversos websites. O tempo de espera varia numa relação que é proporcionalmente direta à paciência ou esperança por uma resposta.

Frustração é o mínimo que sente um usuário que não recebe resposta de uma empresa. Se lembrarmos que é com foco no usuário que sistemas de informações hipertextuais são construídos, saber que estes usuários (nem que seja apenas um) estão frustrados deveria ser razão suficiente para que tudo que gira em torno do website seja repensado. A começar por seus objetivos.

Fazer bom uso da rede significa lembrar que o processo de produção de um website não começa no momento em que o cliente (ou o patrão) procura a equipe apresentando a demanda (começa bem antes, mas isso é assunto para uma próxima coluna) e não deve acabar com o lançamento do website.

Até a próxima!

Liberdade de verdade

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna enviada para a revista WWW no dia 1 de junho de 2005

Liberdade de verdade

Uma das coisas mais interessantes que a gente percebe quando trabalha com tecnologia é o quanto a própria tecnologia muda a nossa realidade, as nossas vidas e o jeito de a gente encarar as coisas. Às vezes, chega ao cúmulo de a tecnologia (ou o avanço dela) seqüestrar a vida, ou melhor, aprisioná-la; fazendo com que muita gente acabe se tornando escrava dos avanços e consumindo de modo exacerbadamente exagerado (com o perdão do pleonasmo). Mas não é sobre este aprisionamento que quero conversar com você, leitor, hoje. Quero usar este exemplo para falar do oposto: liberdade.

Não, você não está lendo a coluna de nenhum psicólogo, sou apenas um profissional de comunicação e tecnologia que gostaria de contribuir para que você faça (ou continue fazendo) bom uso da rede.

Façamos, pois, uma analogia ao pensamento do aprisionamento, que você leu há pouco, no contexto da produção web. Imagine um profissional, uma produtora ou uma equipe de produção que se concentra apenas em manter seus trabalhos up-to-date com o que há de mais novo no “estado-da-arte” (seja lá o que isso significa) das ferramentas multimída e se esquece que, do outro lado daquelas interfaces maravilhosas e “interativas”, existe um ser humano.

Este profissional, ou equipe, em questão comete um erro incrível quando pensa e age dessa forma. É preciso lembrar que, um website é, antes de qualquer coisa, um sistema multimídia de informação. E é justamente o conjunto de informações contidas e organizadas neste sistema que leva o usuário até ele. Se ele (o usuário) não consegue usar este sistema (é sempre bom lembrar que na web devemos usar o termo usuários, e não aquela palavrinha tosca que eu nem tenho coragem de escrever, mas que termina com “auta”), não há sequer uma razão para que o tal sistema exista.

O usuário pode bem ser aquele camarada que é fissurado em tecnologia e tem o mais novo dispositivo tecnológico ou uma pessoa digamos, normal, que acessa a rede de um computador pessoal. Não importa. É um ser humano. E, em ambos os casos, deve ter facilidade para usar e aproveitar tudo aquilo que o sistema lhe oferece. Estou falando de usabilidade, para aqueles que ainda não entenderam. E num conceito mais ampliado do que de costume. Vai além da tão falada – mas pouco praticada – facilidade de uso de um sistema.

Usabilidade, além de facilidade também quer dizer pluralidade, multiplicidade. Seja de pessoas ou de dispositivos de acesso à informação e às funcionalidades dos sistemas.

Voltemos ao aprisionamento abordado no início. Se o tal profissional ou equipe de produção web permanecer com o foco apenas em tecnologias multimídia supostamente interativas, dificilmente deixaremos de assistir o lançamento de sistemas sem nenhum atrativo funcional; tudo se resumirá em interfaces e sistemas que, além de difíceis de usar são impossíveis de serem acessados em outros dispositivos que não computadores de mesa com grande capacidade de processamento. E aí fica claro o aprisionamento que o estreitamento do foco em tecnologia pode causar. Em outras palavras: um website precisa ser fácil de usar, para qualquer pessoa poder fazê-lo usando qualquer dispositivo.

Será que eu estou exagerando? Talvez não. Tomara que não. A não ser que somente eu tenha percebido que agora temos uma infinidade de dispositivos que não são computadores pessoais que têm a capacidade de acessar a web. Enfim, quem produz websites deve pensar – e muito – nessa diversidade de usuários e dispositivos.

Aí eu lhe pergunto: como é que o website feito com o que há de mais recente na vertente das bolinhas pulantes, piscantes e barulhentas vai ser acessado por aquele cara que está interessado em conhecer o seu produto ou a sua empresa, mas quer fazê-lo agora, enquanto está no meio da rua, usando um telefone celular?

Esse, é o verdadeiro desafio da produção web. Ao mesmo tempo que temos liberdade de formato, são as possíveis limitações que vão definir a diferença entre uma solução eficiente e as bolinhas que piscam ao som de algum loop de música eletrônica.

O princípio “osssso”

Achei em uns antigos backups aqui no escritório um cd com minhas colunas para a revista WWW. Escrevi estas colunas nos anos de 2005 e 2006. Como elas ainda não estavam disponíveis para os leitores do blog, resolvi colocá-las aqui aos poucos. O que replicarei no blog é o texto bruto, enviado para os editores da revista. Os textos podem estar antigos e, ainda, terem erros. Conto com vossa compreensão. Boa leitura!

Coluna enviada para a revista WWW no dia 1 de maio de 2005

O princípio “osssso”

Na última (quanta pretensão, hein? Aquela foi a minha primeira!) coluna eu cheguei a mencioná-lo. Trata-se de um importante conceito para aqueles que querem fazer bom uso da rede. Refiro-me ao princípio “osssso”, que reduz em uma palavra (ou quase isso) a seguinte frase: “O Segredo do Sucesso é Saber Segurar a Onda”. Com uma generosa dose de bom humor (porque sem isso a vida e o trabalho seriam muito chatos, né?) vamos á explicação deste interessante e imprescindível conceito para que você possa fazer o bom uso da rede.

Costumo creditá-lo a um autor anônimo, pois se trata de uma mistura de conselhos que amigos me deram e conceitos que eu li em lugares que já nem mais me lembro; mas a idéia é simples: quando seguramos a onda e não forçamos a barra, o resultado final tem grande probabilidade de ser melhor.

Vamos a exemplos práticos. Descreverei algumas situações onde o princípio “osssso” não é seguido e, como conseqüência, temos um péssimo uso dos recursos da rede.

Suponha que você queira destacar algum tipo de informação que seja muito importante para o usuário que acessa a primeira página de seu website. Sem aplicar o princípio “osssso” você corre sério risco de acatar algum conselho oriundo uma fonte pouco criativa e ousada e usar uma janela pop-up. Isso, como sabemos, é o exato oposto do bom uso da rede. Usando algum elemento gráfico que chame a atenção do usuário sem desequilibrar o layout da página e ainda assim passar a informação para o usuário poder acessá-la pode ser uma saída muito melhor do que fazer pipocar uma janela que o usuário não pediu (ou clicou) para ser aberta. Isso é segurar a onda.

Outro exemplo: digamos que você queira divulgar por banners o website de um festival de música. Aí alguém tem aquela super idéia de colocar som nos banners da campanha. Sem o princípio “osssso” para cortar o delírio pela raiz, o resultado pode ser catastrófico: ao invés de clicar, uma grande quantidade de usuários vai acabar fechando a aba do browser (Isso mesmo, você leu direito; eu escrevi aba. Quem faz bom uso da rede sabe do que eu estou falando). Segurando a onda você pode propor uma maneira mais criativa e menos invasiva de passar sua mensagem. É certo que a web é multimídia, mas não precisamos forçar a barra, não é?

Falando em multimídia, deixei este exemplo – o mais polêmico – por último. Aplicar o princípio “osssso” é usar os recursos adequados para obter resultados satisfatórios da maneira mais racional. Não é só porque a web é multimídia que, se o seu website não utilizar todos os recursos de áudio e vídeo, ele não será bom. Pensar assim é forçar a barra e não segurar a onda.

Muitas empresas poderiam ter seus websites institucionais com conteúdo claro, rápido e fácil de navegar, bem desenhado e atendendo os objetivos. Mas acabam por errar a mão escolhendo utilizar uma tecnologia como o Flash para “incrementar” a coisa. O resultado? Uma série de telas de carregamento para exibição de textos e imagens estáticas e as tão faladas introduções animadas que não têm função alguma além a de serem puladas. Segurando a onda é possível conseguir um resultado excelente trabalhando justamente a simplicidade.

Segurar a onda, entretanto, também é pensar que, dependendo do segmento de atuação de uma empresa, é esperado (e recomendado até) que seu website use e abuse do Flash. Afinal, devo segurar a onda (sempre) e lembrar que o Flash tem seu lugar; por exemplo em um website cujo conteúdo conste de multimídia interativa, obviamente.

Então, para terminar: Aplicar o princípio “osssso” é simples como fazer bom uso da rede; basta ter bom senso, foco e pensar no usuário.