CNN e NYTimes soltaram poucas notícias sobre a H1N1 nos últimos dias. Hoje, dia 12, a manchete (quase única) de destaque é a ameaça de processo da família da primeira vítima do vírus em NY.
No Brasil, a coisa é diferente. Pipocam notícias a cada segundo. Os jornais dedicam mais do que metade de seu tempo a isso. A única chance de mudança é a nova leva de acusações contra o Edir Macedo. Ainda assim, acho que o bispo não desbanca o vírus nas manchetes brasileiras.
Nem a OMS faz tanto alarde sobre a questão.
O que parece ocorrer é o de sempre no Brasil: jornalistas irresponsáveis vendem o pânico no país. Lembro-me que no dia do discurso do Sarney no senado (aquele em que ele falou que não conhecia o cara de quem foi padrinho de casamento), o editorial da Band foi sobre a suposta incompetência do minístro da saúde por não liberar geral o Tamiflu. O irresponsável Boechat encheu a boca para falar da atitude do ministro e esqueceu que outra coisa muito mais importante e incômoda acontecia no país naquele dia.
Coincidência ou não (o que penso é que não), os fatos mostraram que as ações do governo e do ministério se mostraram as mais corretas, pois o tal Tamiflu mais faz mal do que bem a crianças – por exemplo.
E incompetente, mesmo, se mostra a mídia brasileira, que mais alardeia do que informa. No noticiário local do almoço daqui de BH, por exemplo, os apresentadores do jornal da Alterosa (que, diga-se, apresentam o jornal em pé – francamente… sentem-se, isso é ridículo!) fizeram questão de frizar numa determinada notícia que falava do atendimento em uma UPA da cidade, que seria melhor que o remédio fosse distribuído livremente. Entretanto, a notícia seguinte foi a de que pesquisadores reportaram que o Tamiflu pode causar efeitos colaterais graves. Vixe, Maria! Além de apresentar um jornal meia-boca em pé, são dementes.
Cabe ao cidadão ter capacidade de discernir sobre o que vê, certo? Mas no país do futebol, acho que isso é um pouco improvável de acontecer… Afinal, fazer estádio de futebol e trazer copa do mundo dá mais voto do que fazer escola. É assim que vamos levando os dias no Brasil da desinformação. Uma pena.
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