O futuro dos livros, de acordo com a IDEO

Apenas hoje tive a oportunidade de ver o vídeo-conceito da IDEO sobre o futuro dos livros e da experiência de lê-los.

Apesar de muito citado e referenciado, não havia visto ainda nem o vídeo e muito menos alguém que comentasse algo sobre ele. O pessoal apenas recomendava a visualização. Senti falta de um pouquinho de reflexão e aqui vai o que achei do vídeo.

São apresentados três conceitos de maneiras diferentes para experimentarmos as leituras. O primeiro, Nelson, parece excelente; trata-se de uma espécie de sistema que permite que você compartilhe notas de diversas maneiras sobre o que está lendo. A ideia é bastante interessante pois permite criar discussões e debates constantes sobre as leituras. O conhecimento se expande e vai além do livro. No conceito me pareceu bastante inteligente a sacada, mas fiquei com algumas dúvidas com relação a viabilidade. O serviço me pareceu muito com o search wiki que o Google lançou e que teve uma pequena adesão. Imagino que apenas uma pequena parcela das pessoas que leram o livro que teriam algo para comentar comentariam. Aí vêm os desafios da implementação: onde ficariam armazenados estes comentários? Eu conseguiria controlar quais comentadores ver ou veria todo mundo? Será que eu só veria os comentários dos comentadores que são meus contatos? Como triar ou classificar os comentários? Imagina a quantidade de comentários que a bíblia ou o alcorão teriam? Obviamente que em sistemas colaborativos em que assuntos controversos são controlados como a Wikipedia, acoisa funciona razoavelmente bem, mas quem faria este serviço com os livros? As pessoas estariam dispostas a pagar por este conjunto de funcionalidades? Outra dúvida que me veio a cabeça quando vi o conceito do Nelson foi a de quais seriam as fontes da mídia que seriam utilizadas para contextualização atual do assunto do livro apresentada pelo conceito. Para ter credibilidade em todos estes aspectos, o produto precisa ser detalhadamente planejado, sem sombra de dúvidas. Percebam que eu não estou aqui querendo jogar lama no conceito apresentado, mas apenas discutir em cima das coisas que percebi assistindo o vídeo. De qualquer forma, o Nelson parece, como disse, bastante interessante. Especialmente a questão de checagem dos fatos e veracidade das informações apresentadas nos livros. Por último, sobre o Nelson, o aproveitamento do princípio do impacto e influencia de uma obra que temos na pesquisa acadêmica que mostra a rede de referencias e referenciadores de uma publicação é muito legal. Isso ajudaria bastante as pessoas a buscarem mais informação relevante baseando-se no impacto causado por elas no mundo editorial.

O segundo conceito, Coupland, consiste em um esquema de compartilhamento ampliado que, além de compartilhar livros comprados por muitas pessoas em uma determinada organização (pode ser uma empresa ou uma escola, por exemplo) permite que você tenha acesso a usuários e veja o que eles leram e estão lendo, recomende e receba recomendações de livros. Uma espécie de rede de leitura. Novamente aqui, alguns desafios nos são apresentados: mudanças no esquema de vendas devem ser planejadas pois eu duvido que os editores gostariam da ideia de um livro apenas ser vendido para a biblioteca da empresa quando existe o potencial de vender mais de mil cópias para todos os funcionários. E se este livro só é comprado para a biblioteca compartilhada da empresa depois de um certo número de cópias vendidas, quantos não serão os funcionários que optarão por esperar que outros comprem até que o livro fique disponível para ele acessar na biblioteca compartilhada. Não tenho dúvidas que este serviço, no entanto, acabe auxiliando a venda de livros e as regras para o funcionamento desse sistema de empréstimos precisam ser bem definidas. De qualquer forma, como conceito é bem interessante. Permite um alinhamento a lá Last.fm dos seus hábitos de leitura e proporciona a aproximação de pessoas que compartilham os mesmos gostos. No entanto, um outro desafio que é colocado é o do compartilhamento de informações entre empresas. Será que todas estariam dispostas a compartilhar o que anda alimentando as mentes de seus funcionários? Outro desafio que é colocado e que demanda pesquisa e refino para melhoria da proposta.

Por último, o conceito apresentado é o do Alice, um jeito diferente de experimentar a leitura, me pareceu o mais lúdico dos três e um que tem grandes chances de realmente mudar os hábitos de leitura. Você poderia descobrir capítulos escondidos ao fazer determinados procedimentos durante a leitura ou experimentar complementos narrativos ao estar em locais específicos que influenciem a narrativa e “liberam” novos trechos de conteúdo para os leitores. Sem sombra de dúvidas, este tipo de experiência se assemelha muito a uma partida em um jogo digital e proporciona engajamento e muda o jeito das pessoas de receber as histórias. Quem disse que os jogos digitais não mudariam a nossa cultura e a sociedade de uma maneira positiva, hein? De qualquer forma, este tipo de produto demanda um “reaprendizado” não só no jeito de ler, mas também no jeito de escrever. Escritores agora terão que aprender como conceber roteiros de interação que sejam cativantes e executáveis por seus leitores. Além disso, estes roteiros teriam que ser adequados ao perfil dos leitores. Lembrem que um game difícil é desafiador, mas um game muito difícil é frustrante. Esta experiência com o livro deve ser ainda mais sensível. Quem diria que os autores de romances agora teriam que fazer pesquisa com usuários? Me parece o conceito mais bacana dos três em termos de experiência com o material lido por parte do leitor e também do material escrito, por parte do autor. Dos três, é, pra mim, o mais fácil de ser amplamente adotado. Entretanto, questões como privacidade e acesso a informações pessoais dos leitores são um desafio. Com que critério você autoriza uma editora a saber onde você está a todo momento para te mandar um SMS te dizendo que você esteve em um lugar especial para a história que está lendo? E o seu telefone, você daria para uma editora te procurar via SMS quando ela achar conveniente? E se este lugar que “destrava” um conteúdo é um lugar que você não gostaria muito que alguém soubesse que você frequenta? Já pensou nas implicações? O que pode ser sedutor para uns, pode ser um pesadelo para outros.

Apesar disso, creio que estas propostas são muito interessantes e mais cativantes do que apenas livros com animações apresentados pela Apple no iPad. Esse é um indicativo forte de que livros eletrônicos não são (ou têm o potencial de ser mais do que) apenas papel digitalizado e passam a ser produtos multimídia. Isso é excelente pois abre (mais um) novo conjunto de possibilidades a explorar por parte de quem produz (e também de quem distribui e vende) conteúdo. O Designer de Interação e o Produtor Multimídia se mostram cada vez mais como profissionais mais do que necessários para o futuro.

Enfim, para fechar os meus devaneios, quero deixar claro que as ideias apresentadas são muito bacanas, mas vejo isso muito mais como um produto de uma livraria que controlará as coisas do que como um produto livre que permita cruzar dados de diferentes publicações vendidas por múltiplos varejistas. Isso, claro, não tira o valor dos conceitos, apenas torna-os mais próximos da realidade. Entretanto, consiste em um desafio para os varejistas conseguir adesão, frequencia e consistência no serviço. De qualquer forma, são possibilidades e, como tais, podem vir a se tornarem realidade e isso pode ser muito bom para a sociedade como um todo. Parabéns, IDEO.

Certificação TOEIC de grátis, cortesia da PBH

Acabo de receber esta mensagem do Fabiano Cancela (FayerWayer BR e ReadWriteWeb BR) e acho que vale muito a pena compartilhar com a maior quantidade de pessoas possível.

Momento utilidade pública:

A prefeitura de Belzonte vai fazer esse ano, como preparativo pra Copa e Olimpíadas que vem aí, um levantamento de como a população beagaense anda com o inglês.
O que acontece é que a prefeitura vai bancar o teste TOEIC / TOEIC Bridge para qualquer um que quiser fazer, como forma de medição do patrimonio linguistico da cidade.
Ou seja, para determinar como estão nossas condições para receber turistas e investidores estrangeiros.

Quem quiser fazer o teste e for aprovado receberá o certificado TOEIC por conta da prefeitura, pra enfeitar o curriculo. Essas provas costumam ser meio caras, então é uma boa fazer isso agora.
Encarem isso como uma forma de receber de volta um pouquinho da grana que vc gasta em impostos na cidade.
Para fazer o teste basta morar ou trabalhar em BH e ter mais de 16 anos.

Aos interessados, mais informações e o link para se inscrever estão aqui:
http://www.fundeg.org/masterpage/index.php?option=com_content&view=article&id=62&Itemid=54&lang=br

Bacana, né?

Pequena carta a Arnaldo Jabor

Hoje ouvi uma coluna do Arnaldo Jabor na CBN que me assustou. O cara comenta o filme do Oliver Stone sobre o Chaves, com o objetivo de criticar o presidente da Venezuela e acaba por falar que o Oliver Stone é um profissional medíocre. Não satisfeito, Jabor falou o mesmo de Noam Chomsky. Você pode ouvir a coluna aqui, no site da CBN.

Pois bem. Não consegui me segurar e mandei o seguinte comentário ao site (que obviamente não deve ser publicado e por isso replico aqui):

Jabor, discordar do Chaves e achar que ele á um ditador maluco é algo aceitável. Agora, contestar a qualidade do trabalho profissional do Oliver Stone… Poxa vida, vamos comparar a obra dele com a sua, então… Sem mencionar que você fala mal do Noam Chomsky… Acho que discordar da opinião é uma coisa, criticar a atuação profissional em virtude da opinião é outra completamente diferente. Esta coluna sua mostrou que você não é tão profissional assim, afinal, não sabe separar as coisas.

O pior de tudo é que tem gente que ainda vai coocordar com o Jabor. Pena.

Só para aperitivo, tente comparar: Toda Nudez Será Castigada (Jabor) X Platoon (Stone). Quem seria o cineasta medíocre? Manifeste-se nos comentários.

5 podcasts que você precisa ouvir / assistir + 1 bônus

O hype dos podcasts passou (passou? teve um hype? o que são podcasts?) e agora já estão consolidadas, em minha opinião, algumas das melhores fontes de conteúdo interessante de áudio e vídeo para ouvir no carro ou assistir no seu tocador de mídia portátil preferido.

Abaixo a minha lista de recomendação para quem curte tecnologia e afins:

  1. TWiT – Leo Laporte é um cara das antigas que reúne convidados bem bacanas semanalmente para excelentes conversas informais sobre tecnologia e comunicação. Além do programa original, o cara reúne uma série de programas de interesse para nichos específicos em seu “canal”. Vale muito a pena. Recentemente eles têm falado muito sobre twitter, o futuro dos jornais impressos nos eua e as novidades em telefonia celular.
  2. Diggnation – O Diggnation é o programa semanal em que Kevin Rose (o “dono” do Digg) e Alex Albrecht falam dos assuntos mais comentados na semana no Digg. É um programa bastante interessante de se assistir. Principalmente pelos comentários que eles fazem. Muito bem produzido e conduzido.
  3. Cranky Geeks – O Dvorak é um dos convidados regulares do TWiT; muita gente odeia o cara, mas aqui ele mostra que não é só de ranzinice que ele vive. Neste programa ele comanda excelentes conversas com bastante análise sobre tecnologia. Normalmente os convidados são pesos-pesados da indústria.
  4. No Agenda – De novo o Dvorak na lista, e desta vez com Adam Curry (acho que só de falar o nome do cara deveria estar satisfeito na descrição). A dupla discorre sobre temas variados (pouca coisa relacionada a tecnologia) especializando-se numa crítica ácida e informal (porém embasada) do notíciário e acontecimentos políticos e econômicos globais. Tem gente que chama o programa de confabulador de teorias de conspiração, mas eu não acho. As brigas entre os dois durante o programa são hilárias.
  5. This Week in StartUps – Jason Calacanis é um fanfarrão. Dono do MahaloAnswers, metido e bastante arrogante. Ainda assim, ele traz convidados muito legais num podcast semanal sobre empreendedorismo na web. É um podcast novo, só tem quatro episódios, mas o cara é bom e, embora o programa ainda seja bastante informal, vale a pena assistir (e ouvir).

Bônus: Tekzilla – Um programa muito bem formatado sobre bugigangas tecnológicas, hardware e software. Dicasinteressantes que vão desde qual é o melhor cabo para ligar um sistema de home theatre até a montar uma máquina parruga para games, passando por configurações de sistemas operacionais e telefonia móvel.

É uma lista pequena mas que pode te ocupar a semana inteira (como é o meu caso) no carro. Cheguei a esta lista depois de fazer uma pesquisa de mais de um mês reunindo bons programas e escutando ao menos três episódios de cada para decidir se continuaria assinando os feeds. Estes são os que mais escuto. Espero que a lista seja útil para você que vem aqui de quando em vez buscar por novidades.

Obviamente todos os programas estão em inglês. Infelizmente não achei podcasts nesse formato específico (que falem de tecnologia) com qualidade em português. Se alguém souber de algum e quiser me recomendar, estou à disposição.

Também não achei nenhum de qualidade voltado para produção web, design e sistemas interativos, e nem mesmo algum que fale de software livre. Novamente, se alguém tiver alguma indicação, estou à disposição.