E a pós em DI, Caio?

Então… :-)

No Dia Mundial da Usabilidade eu falei sobre o assunto. Pode ser que tenha sido uma grande novidade para muitos, mas quem já estava procurando o curso de pós-graduação em Design de Interação no site do IEC já suspeitava de algo, pois o curso não estava listado.

Aí veio o Interaction South America e mais gente começou a me perguntar. Para todos que me procuraram eu falei a mesma coisa. Aproveitarei este espaço aqui justamente para repetir o que falei, complementar e documentar aquilo que já estava falando. Além disso, tenho recebido muitos e-mails de pessoas interessadas em saber o que aconteceu e buscando o curso.

Aí vai então um pequeno FAQ sobre o curso e algumas previsões.

A pós em DI da PUC Minas acabou?
Bem, da maneira que ela existe hoje, certamente sim. Eu – depois de conversar com a profa. Simone Nogueira – decidi não mais ofertar o curso no atual formato. Provavelmente eu não volte a fazê-lo. No entanto, o projeto do curso é público e nada impede que algum professor ou mesmo a Simone volte a ofertá-lo.

Qual foi o motivo, pouca demanda?
De maneira alguma. Em cinco anos tivemos turmas dentro do esperado e temos visto a demanda crescer. O que ocorre é que o formato, como disse no WUD, não está me parecendo mais interessante. Uma reformulação se faz necessária.

Explique-se, Caio. Não estou entendendo nada!
Bem, em cinco anos de curso eu percebi algumas coisas:

  1. O titulo é menos importante do que o conteúdo trabalhado e a formação obtida.
  2. O conteúdo do curso pode ser repensado em termos de ordenamento de assuntos trabalhados, pré-requisitos internos (uma disciplina depender da outra) e ementário das disciplinas.
  3. A duração do curso e o formato demandam um comprometimento de dezoito meses e isso pode desencorajar muita gente que quer um conjunto de informações específico para desempenhar determinada função.
  4. Há uma demanda de capacitação para execução de procedimentos, e isso às vezes se mostra incompatível com o formato de uma pós, especialmente levando-se em consideração o jeito que o curso foi concebido.
  5. Durante o curso, muitas disciplinas careciam de mais aprofundamento na abordagem. Mas o tempo reservado a elas não permitia este aprofundamento.

Em função destas percepções (e, claro de outras questões que complementam o que foi listado acima) eu resolvi dar um tempo na pós e reorganizar este conteúdo em cursos livres de assuntos independentes (mas que se relacionam) e que contemplam tudo o que é trabalhado hoje na pós, mas com uma abordagem mais direcionada para a execução e com um formato que não seja desencorajador e nem que demande grande comprometimento de tempo.

Além disso, esta nova abordagem pode vir a proporcionar a participação de pessoas que antes não poderiam cursar a pós, pois moram e trabalham em outras cidades ou que têm vidas profissionais que impedem a frequência em um curso matutino de 18 meses.

Indo direto ao assunto, Caio, como serão estes cursos livres?
Imagino que o formato de cursos de temas específicos como prototipação, aplicação de métodos específicos de avaliação de sistemas interativos, planejamento de sistemas interativos, wireframing, enfim… penso em uma formação continuada em Design de Interação modularizada e ofertada de forma independente. Por exemplo, quem quer trabalhar com prototipação em papel e validação de protótipos funcionais e não quer aprender a trabalhar com Arduino, por exemplo, faria dois cursos de um conjunto de três que contemplariam estes assuntos. Além disso, o grupo de discussão que até hoje era restrito a alunos e ex-alunos do curso, será aberto aos participantes deste programa de mini-cursos e – possivelmente – a comunidade.

Ok, Caio. Mas como você fará isso?
A partir de janeiro, começarei a divulgar estes cursos. Estou ainda conversando com professores e fechando o formato, mas duas coisas são certas: O site continuará o mesmo (designdeinteracao.com.br); e este programa de mini-cursos será ofertado em parceria com a Latitude14, com quem tenho evoluído de forma bem satisfatória estas conversas e ideias.

Se você tiver interesse em saber mais sobre este novo formato, preencha o formulário abaixo que eu prometo que avisarei sobre o calendário e o formato dos cursos logo na virada do ano.

Balanço do #WUD

Então, acabou que deu tudo certo!

Apesar dos problemas com o trânsito, teve muita gente que foi e curtiu o que eu, o Bruno Assad e o Julius (no lugar do Marcos) falamos. Foi uma mudança bem positiva – em minha avaliação – fazer o Dia Mundial da Usabilidade em um esquema menos formal e num ambiente com livre acesso ao “lubrificante social”.

Conheci gente nova que se mostrou bastante interessada em conhecer mais e trabalhar usabilidade e também tive a oportunidade de rever colegas que há muito queria encontrar.

Foi uma oportunidade bem bacana para falar da comunidade de Design de Interação em BH e do futuro de nossas empreitadas. Por exemplo, falei que o curso de Design de Interação da PUC Minas vai deixar de existir da maneira que o conhecemos hoje. Mas depois falo disso. Dê uma olhada na minha apresentação abaixo:

Sobre a apresentação:

Como o tema deste ano do #WUD era educação, resolvi compartilhar com a comunidade o que eu aprendi com estes cinco anos de aulas, encontros, workshops e cinco turmas de Design de Interação.

Dentre as coisas que aprendi:

  • A demanda pela capacitação em usabilidade é transdisciplinar
  • A especialização em DI demanda um comprometimento de longo prazo
  • É complicado conciliar teoria e prática de forma que fiquem próximas no curso
  • Às vezes, pessoas que gostariam de ter acesso ao curso, deixam de fazê-lo por causa da duração e das limitações da oferta
  • Além de ter que lidar com as questões do curso em si, é preciso considerar as barreiras a vencer no mercado (desconhecimento e preconceito)

Tendo aprendido estas coisas, imagino que o caminho a seguir deva considerar o seguinte:

  • Cursos mais curtos e específicos
  • Foco em capacitação para aplicação imediata
  • Atender demandas de mercado mais voltadas a questões práticas

Posto isso, esclareci que estas costatações apenas traduzem e ajudam a explicar a decisão de suspender a oferta da pós em Di. Obviamente algumas perguntas emergiram:

  • O curso então, acabou?
    Sim e não. Sim. Acabou do jeito que o conhecemos. Mas nada impede que ele possa vir a ser ofertado novamente (particularmente, acho que será) com um novo formato.
  • A PUC vai oferecer estes cursos mais curtos?
    Provavelmente não.
  • Você estará envolvido nestes novos cursos rápidos?
    Sim, certamente. Mas ainda não há nada plenamente formatado. Por enquanto, trata-se apenas de um conjunto de ideias. Imagino que no início do ano que vem a coisa tome forma.

Enfim, minha apresentação no #WUD serviu para compartilhar este meu aprendizado e também para apresentar estas minhas ideias mirabolantes. Ainda estou com muitas dúvidas, e conversando com um bocado de gente bacana para verificar se é possível viabilizar este plano. Apresentei isso tudo para conversar sobre o assunto e – principalmente – escutar o que a comunidade de DI de BH tem a dizer a respeito. O bate-papo que tivemos logo após as apresentações foi muito legal. Gostaria de dar continuidade a isso também por aqui. Assim sendo, se você tiver alguma coisa para compartilhar, alguma dúvida ou sugestão, sinta-se livre para usar os comentários deste post.

Valeu e até a próxima!

Atenção estudante mineiro! Seu governador quer te ver pelas costas

Na última quarta-feira o movimento grevista dos professores do estado de Minas Gerais fez uma manifestação de grandes proporções, que paralizou o trânsito da região centro-sul da capital no final da tarde. A paralização, dentre outras coisas, visava chamar a atenção da sociedade para o movimento que vem reivindicando melhorias há tempos e suspendeu as atividades há quase três meses.

A pauta de reivindicações do movimento inclui a melhoria de salário e condições de trabalho. São reivindicações justas e mais do que merecidas.

No entanto, o movimento vem sendo tratado com descaso pelo poste governador Anastasia. Usando o quarto poder (a mídia mineira amordaçada e que come na mão do governo) o chefe do executivo estadual tenta – a todo custo – desviar a atenção, argumentando que parte da direção do sindicato dos trabalhadores em educação do estado é filiada ao PT (você esperava algo diferente, caro governador? É como se surpreender que os membros da diretoria da FIEMG sejam filiados ao Democratas, PSDB e PMDB! ) e ressaltando os transtornos causados pelo movimento ao invés de falar do que o movimento coloca em pauta para discussão.

O motivo deste post não é, apesar disso, falar (só) do movimento grevista e meu óbvio apoio a ele. O que quero aqui é mostrar duas coisas:

  1. Ao tentar desviar a atenção da população do centro da questão e – principalmente – ao tratar o professor do jeito que trata, o governador só pode ter um objetivo: desmoronar qualquer chance de esperança de que o mineiro que precisa do ensino público de formação básica possa vir a ter de ser bem formado pelo estado.
  2. Mais uma vez temos exemplos da mordaça (aceita de bom grado) que o governo do estado impõe à mídia mineira.
O primeiro objetivo do post parece claro e bem contemplado nos parágrafos acima (completo mais um pouco sobre isso a seguir), já o segundo, mostro abaixo. Clique nestas duas imagens para ampliá-las:

 

 

A imagem acima é a captura de um comunicado do governo do estado, e a imagem abaixo é a única menção ao movimento publicada no grande jornal dos mineiros na quinta-feira, dia seguinte da manifestação.

 

O que é legal perceber nas imagens acima é:

  1. Não há menção – na matéria – à pauta de reivindicações. O que é foco é a descabida acusação de ilegalidade do movimento. Isso implica dizer que o professor tem mais é que aceitar ter um piso salarial de menos que dois salários mínimos. Além disso, dê uma olhada no quadro da lateral da matéria, onde aparece que o piso proposto pelo governo para um professor da rede estadual com doutorado (ou seja, um cara que estudou – por baixo – 15 anos no ensino superior e se especializou ao grau quase máximo em um determinado assunto ou disciplina) é de quase mil Reais. Onde já se viu! Os professores são mesmo uns baderneiros, né? Quem é bobo de não aceitar um super salário como este!
  2. No comunicado do governo, é importante perceber como este está se esforçando para garantir a excelência e os sindicalistas safados comedores de criancinha só querem fazer barulho e não estão interessados em resolver nada.
Não sei, viu… É difícil manter a linha numa situação dessas. Este governo – com estas atitudes – só mostra uma coisa de forma clara: ele quer ver o estudante pelas costas.

 

Enquanto isso, no Chile, os estudantes vão às ruas para reivindicar melhores condições na educação (leia: mais investimentos e o fim da mercantilização do ensino). Por aqui, os estudantes são ensinados pelo jornal da cidade (devidamente pautado pelo governo) que os professores estão errados e que o bom mesmo é estudar numa escola particular bem cara. E os pobres é que se f&*%m.

 

Uma vergonha, uma vergonha, uma vergonha! O cidadão não merece este governo que tem – e muito menos – esta mídia amordaçada, que late no tom que o governo manda.

 

Pra quem tem preguiça de clicar nos links, replico abaixo os dois vídeos que mostram a mordaça imposta à mídia mineira (e aceita de bom grado). Cidadão, você está sendo paulatinamente enganado!

 


 


 


 
É só!

Quanto vale o show?

Leia e assista o vídeo desta reportagem sobre uma situação ocorrida numa escola municipal de Contagem, em MG.

Perguntinha básica para os nossos prefeitos, governadores e demais responsáveis:

Prezados,

Quanto os senhores acham que merece receber mensalmente em retribuição a sua colaboração para a formação de estudantes, o profissional que se dedica a carreira docente e ocupa a posição de diretor de uma escola pública tendo em vista que este profissional passa por situações de risco como a reportada acima e levando-se em consideração a carga de responsabilidade das ações deste profissional?

(via @berenis)