Já falei sobre o assunto aqui algumas vezes (aqui e aqui) mas o tema está longe de se esgotar. Aprender é difícil e demanda muito esforço.
É muito mais trabalhoso para o aluno do que para o professor. Fato. Demanda disciplina e dedicação. Sem isso, a coisa não anda. Falo isso com certa propriedade pois além de professor, sou aluno (está se esquecendo de que eu estou em pleno curso de doutorado?).
É fácil jogar a responsabilidade nas costas do outro. Especialmente quando se trata da relação entre professor e aluno. Um exemplo disso pode ser encontrado aqui; numa referência de que é complicado assumir ou reconhecer um erro. Isso prejudica – e muito – o processo de aprendizagem.
Óbvio que você pode argumentar que eu estou falando isso porque sou professor e – da mesma forma – é muito mais fácil eu colocar a responsabilidade no outro (o aluno). Mas acontece que o buraco é mais embaixo.
Exemplos como este (mais aqui) e estes (vídeos aqui e aqui) mostram que estamos com um grande problema que muita gente escolhe ignorar.
De certo estamos lidando com uma mudança cultural. Mas isso não é novidade. As pessoas e a sociedade mudam o tempo todo. É assim que a realidade se desenha. Falar que as escolas pararam no tempo é uma falácia. Acredito que o problema antecede a adaptação das escolas. A questão comportamental é mais grave e urgente (vide).
Tenho dez anos de experiência em docência. O que tenho percebido é que – ao longo dos anos – os jovens estão cada vez mais resistentes em buscar conhecimento e com cada vez mais dificuldade de aceitar críticas e compreender avaliações. São duas características que contrariam o que se fala sobre o jovem. Há uma resistência enorme em aceitar um erro e o caminho mais comum é o de criticar e atacar o professor quando uma avaliação é feita e o resultado não é o esperado (pelo aluno).
Não sei pra onde a coisa vai. Mas posso dizer que está cada vez mais difícil trabalhar com as pressões que os professores sofrem. De um lado, alunos demandam aulas mais interativas e participativas. Do outro lado eles se mostram resistentes em se preparar (com leitura e busca autônoma por informação) para estas interações e se mostram incapazes de participar de forma efetiva. Quando avaliados, criticam a avaliação sem base para tal. Não julgo de forma alguma os colegas que desistem do magistério. Preocupo-me.
E você o que acha?


