Para reflexão: aprender e ensinar

Já falei sobre o assunto aqui algumas vezes (aqui e aqui) mas o tema está longe de se esgotar. Aprender é difícil e demanda muito esforço.

É muito mais trabalhoso para o aluno do que para o professor. Fato. Demanda disciplina e dedicação. Sem isso, a coisa não anda. Falo isso com certa propriedade pois além de professor, sou aluno (está se esquecendo de que eu estou em pleno curso de doutorado?).

É fácil jogar a responsabilidade nas costas do outro. Especialmente quando se trata da relação entre professor e aluno. Um exemplo disso pode ser encontrado aqui; numa referência de que é complicado assumir ou reconhecer um erro. Isso prejudica – e muito – o processo de aprendizagem.

Óbvio que você pode argumentar que eu estou falando isso porque sou professor e – da mesma forma – é muito mais fácil eu colocar a responsabilidade no outro (o aluno). Mas acontece que o buraco é mais embaixo.

Exemplos como este (mais aqui) e estes (vídeos aqui e aqui) mostram que estamos com um grande problema que muita gente escolhe ignorar.

De certo estamos lidando com uma mudança cultural. Mas isso não é novidade. As pessoas e a sociedade mudam o tempo todo. É assim que a realidade se desenha. Falar que as escolas pararam no tempo é uma falácia. Acredito que o problema antecede a adaptação das escolas. A questão comportamental é mais grave e urgente (vide).

Tenho dez anos de experiência em docência. O que tenho percebido é que – ao longo dos anos – os jovens estão cada vez mais resistentes em buscar conhecimento e com cada vez mais dificuldade de aceitar críticas e compreender avaliações. São duas características que contrariam o que se fala sobre o jovem. Há uma resistência enorme em aceitar um erro e o caminho mais comum é o de criticar  e atacar o professor quando uma avaliação é feita e o resultado não é o esperado (pelo aluno).

Não sei pra onde a coisa vai. Mas posso dizer que está cada vez mais difícil trabalhar com as pressões que os professores sofrem. De um lado, alunos demandam aulas mais interativas e participativas. Do outro lado eles se mostram resistentes em se preparar (com leitura e busca autônoma por informação)  para estas interações e se mostram incapazes de participar de forma efetiva. Quando avaliados, criticam a avaliação sem base para tal. Não julgo de forma alguma os colegas que desistem do magistério. Preocupo-me.

E você o que acha?

Alguns cases de mídia social

Acabo de trabalhar com meus alunos do curso de publicidade e propaganda alguns cases interessantes de uso das mídias sociais. Resolvi compartilhar aqui no blog pois mais gente pode estar em busca do mesmo assunto (assim como meus alunos estavam). A aula tratou de exemplos de mídias sociais sendo usadas como parte de estratégias, ações ou campanhas de comunicação. Os escolhidos e trabalhados na aula foram:

  • Utilização do Twitter pela Dell e Pepsi – Nestes exemplos pode ser visto o conjunto de motivações que algumas empresas tem para trabalhar as mídias sociais, retornos obtidos e as considerações dos envolvidos. Vale ressaltar que há uma série de outros casos sendo apresentados na mesma seção do site em que o Twitter se dedica a apresentação de suas funcionalidades e possibilidades de uso por parte de empresas.
  • Doe Palavras – Neste caso, discutimos os desdobramentos da ação, mensuração e eficiência frente aos objetivos identificados. Há de se considerar a questão de que aqui a quantidade de manifestações dos usuários é um indicativo direto da eficiência da ação.
  • Xixi no banho e Dengue Ville –  sobre estes casos, discutimos os formatos e ponderamos sobre a necessidade de desdobramentos posteriores para verificar eficiência das ações. Entendemos que – embora válido – é muito mais complicado afirmar que estas ações são eficientes pois trabalham com conjuntos de pressupostos dos usuários e também com mudanças de comportamentos que às vezes este tipo de ação não é capaz de motivar.
  • Devassa em BH –  Aqui falamos de como os mesmos canais utilizados para a manifestação dos usuários foram usados pela empresa para responder as questões colocadas pelos usuários.
  • Old Spice – Discutimos como uma campanha criativa de tv e internet ajudou a mudar os números das vendas da marca. Discutimos o fomato utilizado, o papel das mídias sociais e os desdobramentos em mídia espontânea e de vídeos feitos por usuários.
  • Falamos ainda das ações rápidas da GVT para gerenciar problemas gerados em função de falhas nos serviços e de como a Fiat trabalhou a participação dos usuários com o Fiat Mio.

Enfim, foi uma aula que deu pano pra manga. Por isso mesmo resolvi compartilhar os links por aqui.

De uma vez por todas! “Sessão”, “Seção” e “Cessão”

Atenção, isso não é erro de digitação…

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Passou da hora de aprender:

SEÇÃO: dignifica corte, segmento, setor (setor de esportes);
CESSÃO:  é o ato de ceder (transferir ou doar algo); e
SESSÃO:  (com três esses) significa intervalo de tempo de uma reunião para determinado fim.

O que mais dói é ver que 100% dos erros mostrados foram cometidos por empresas de comunicação.

Dois textos bacanas sobre educação

Duas visões distintas. Se complementam de forma bastante indireta. Sobre a primeira, não sei se concordo. Com relação à segunda, seria o meu sonho poder trabalhar de um jeito mais livre, mas um professor não trabalha sozinho, ele precisa da colaboração dos que estão à sua frente.

  1. The UX Design Education Scam (via)
    If you emerge from university today with a web design degree, chances are rather slim that you’re employable as a user experience (UX) or web designer. Maybe you learned a lot of stuff; it’s just probably the wrong stuff. Congratulations, you’ve been defrauded. Hope it didn’t cost you or your parents too much.
  2. Pushing back on mediocre professors
    When a professor spends hours in class going over concepts that are clearly covered in the textbook, I think you have an obligation to repeat the part about the debt and say, “perhaps you could assign this as homework and we could have an actual conversation in class…”