Aponte para o alvo certo

Hoje recebi uma newsletter da TechSmith. Como há muito tempo não recebia newsletter deles, li atentamente o conteúdo. De certo, não se trata mais de algo de meu interesse, uma vez que não estou no momento dando consultoria e o último software que eu comprei deles já está bem desatualizado… Se não me engano, data do ano de 2006.

Enfim. Depois de ler o conteúdo da newsletter, localizei o bem posicionado link para descadastramento na newsletter. Bacana. Cliquei no link e fui direcionado à página onde eu podia me descadastrar definitivamente.

Entretanto, foi apenas depois de preencher o meu e-mail para descadastrar e clicar no botão de enviar os dados que eu percebi que estava no lugar errado.

O link em questão, cujo texto fazia referência ao descadastramento do banco de newsletters deles, levava o usuário, na verdade para o formulário de cadastramento para recebimento das mensagens. Foi então que eu percebi que era necessário escolher a aba correta para acessar o formulário de descadastramento.

Bem. Vamos então a observação. Sempre que você fizer uma referência hipertextual que demanda uma ação do usuário, leve-o exatamente para onde ele espera ir quando clicar naquela ligação. Afinal, como sabemos, uma vez que você clicou num link, espera que determinado conteúdo apareça. Quando se clica num link que te promete ir para um lugar onde você poderá se descadastrar ou editar seu cadastro, a palavra descadastrar está em primeira ordem e dispara uma ação que o usuário espera ser executada. Assim sendo, é interessante que o usuário veja que está no local para se descadastrar.

Minha sugestão seria a de abandonar as abas e colocar tudo numa única página e, se possível, com um único formulário. Assim o usuário clica no link em seu e-mail e é levado a um lugar onde pode resgatar seu cadastro. Depois de resgatado o cadastro, ele poderá alterar as opções de newsletter, corrigir seus dados e – claro – efetuar o descadastramento.

Poucas palavras sobre um assunto extenso

É comum vermos designers criticarem os profissionais de marketing.

Isso é errado. Não só pela questão do respeito e tudo o mais, mas também pelo fato de que design é parte de um processo de marketing. Sim, é isso mesmo que você leu.

Para explicar sem sair do mote criado pelo título do post, então, serei bem objetivo.

Pense em um designer que trabalha em um escritório de design especializado em embalagens (mas pode também ser um designer de interface numa empresa de web, um diretor de arte numa agência de propaganda ou um visual effects specialist numa empresa de motion design). Ele trabalha para uma empresa que atende empresas que fazem produtos que venderão em supermercados.

Sua função é criar embalagens que sejam adequadas ao que a empresa que contratou o serviço de seu escritório deseja. Esta empresa, a contratante, desenvolveu um produto (muito provavelmente, se estivermos falando de um produto de consumo material, não um alimento) este produto também foi concebido com a ajuda de um (ou mais) designer. Continuando a sequência do raciocínio, esta empresa resolveu desenvolver este produto em função de uma demanda que ela observou no mercado em questão. Conseguiu ver a relação?

Para ser, então, bem conclusivo, vamos lá… o estudo do mercado e do consumidor em questão, é um processo de marketing. A decisão de se conceber um produto que atenda a estas necessidades é um processo de marketing. O desenvolvimento do produto em si, é parte de um processo de marketing. A concepção de uma embalagem para que este produto seja colocado à venda na gôndola de um supermercado, então, é – claro – um processo de marketing.

Nada impede (na verdade, espera-se que) esta embalagem seja linda e funcional. Mas ela não é concebida para ser uma obra de arte. Sua função é comercial e não artística. Se depois de pronta, a embalagem for considerada tão revolucionária, bela e inovadora que mereça a alcunha de objeto de arte, isso é uma consequência, não um objetivo, ok?

Designer é designer e artista é artista. O primeiro (e às vezes o segundo também) trabalha bastante em processos mais amplos que são processos de marketing.

Dessa forma, é preciso desmistificar o design e, ao mesmo tempo, retirar os adjetivos negativos ou subdefinidores do marketing.

Enfim… esse assunto rende. There’s much more to come.

Tentando entender ações de comunicação no twitter…

http://twitter.com/MoriniBH/status/6666434319Recentemente a Morini (uma padaria de BH) iniciou a campanha – ilustrada ao lado – no twitter. Eles querem aumentar o número de seguidores e, para isso, vão doar dois mil reais em cestas básicas para a entidade de escolha dos twitters assim que conquistarem 2000 seguidores. A única condição é que isso aconteça até o dia 20 de dezembro.

A idéia é bastante interessante. Ao que tudo indica (estas são linhas escritas por um cara que está vendo tudo acontecer de longe: eu) eles querem usar a ferramenta de microblog para conversar com um público interessado em comprar seus produtos. Por algum motivo (imagino que fizeram algum tipo de pesquisa ou levantamento sobre seu público) eles associaram o comportamento de seus consumidores com o ato de solidarizar-se com uma campanha filantrópica. Se este for o caso, penso que não demorará muito para eles fazerem a doação.

Entenda. Olhando de fora, o que dá para perceber é que a padaria está buscando – via uma campanha de doação que ela fará – a atenção de pessoas que, ao mesmo tempo que querem que a doação seja feita, tenham interesse pelo que a empresa tem a falar. Imagino ser uma ação válida para buscar uma permissão inicial para estabelecer diálogo com seus consumidores.

http://twitter.com/alyssoncunha/status/6667199385Entretanto, vi gente criticando a ação (como mostra a imagem ao lado) argumentando que a Morini estaria “comprando” seguidores. Seria realmente isso? Será que estou olhando a coisa com bons olhos demais e deixando-me cegar pelo fato de que sou cliente da padaria em questão e achei simpática esta atitude deles?

Eu acho que há uma grande diferença entre a motivação e os meios (estratégias) das ações da Morini e do Luciano Huck (que sorteava prêmios aos seus seguidores), embora ambas busquem dar ao seguidor algo em troca de sua atitude de seguir o autor da ação.

No caso do Luciano Huck, levando em conta os atributos de uma escalada de permissão, busca-se a permissão circunstancial a partir da possibilidade de um brinde para a pessoa que o segue. Isso chama muito mais gente, pois a quantidade de pessoas que quer ganhar um prêmio é enorme. Entretanto, não necessariamente todo mundo que entra nesta onda realmente quer seguir o cara; apenas quer concorrer ao prêmio.

Já com a Morini, como o prêmio não é para a pessoa que segue, mas sim para uma entidade, a coisa muda um pouco de figura. Embora também circunstancial, a quantidade de gente que “entra por entrar” neste tipo de ação é bem menor do que num concurso de sorteio de prêmios. Afinal, quem apenas quer ganhar algo (muita gente) e não está interessado em ouvir o que a autora da ação quer fazer simplesmente ignora.

Por isso, não acho que é apropriado falar que A Morini está “comprando” seguidores com esta ação (muito embora outras vezes eles sortearam prêmios para a pessoa que desse o retweet número tal a uma mensagem deles). É que me parecem ser duas ações distintas que compartilham o mesmo fim. Enquanto uma visa recompensar diretamente uma pessoa, outra visa motivar as pessoas a participarem de algo maior.

Enfim. Isso me intriga. Novamente pergunto: será que estou sendo benevolente demais? Peço ajuda aos comentadores. Vamos conversar a respeito.

Sack’s Perfumaria. Mais um nome para a lista de spammers

Hoje, antes de esvaziar a minha caixa de spam no GMail, vi que havia lá uma mensagem da Sack’s (uma olja online que vende perfumes).

De cara, suspeitei que era mais uma empresa que deveria entrar para a lista de spammers que mencionei dias atrás. entretanto, não queria correr o risco de fazer um julgamento errado da empresa e resolvi checar se era mesmo um spam ou se se tratava de um falso-positivo do GMail. Procurei então verificar se algo estava errado? Procedi com uma verificação simples. O e-mail que a Sack’s me enviou foi destinado ao meu endereço [a]caiocesar.cc. Fui então ao site da empresa e pedi para que eles me lembrassem de uma possível senha minha naquele site a partir do e-mail em questão (que poderia ser um cadastro meu lá que eu poderia ter me esquecido que um dia fiz).

O resultado do procedimento simples que fiz (o site da loja me informou que o meu e-mail não era um e-mail cadastrado) mostrou o que eu já suspeitava: A Sack’s Perfumaria pratica o SPAM. Afinal, que explicação há para eles me enviarem uma mensagem e me tratem como cliente sem que eu sequer tenha cadastro lá?

Lamentável que existam empresas que invistam neste repugnante hábito.

Empresas que enviam SPAM (uma lista que sempre crescerá)

Então… Hoje eu recebi duas mensagens comerciais não solicitadas de empresas junto as quais eu já havia me manifestado insatisfeito com relação a este tipo de atitude.

Em ambos os casos, como disse, eu já havia desmarcado a opção de “concordo em receber mensagens comerciais” de meu cadastro nos sites. Ainda assim, eles continuaram me mandando as tais mensagens.

  • O Submarino, pela sétima ou oitava vez enviou-me uma mensagem querendo me vender o cartão de crédito deles. Marcado como SPAM.
  • O Grupo Meio&Mensagem enviou nova mensagem hoje (já perdi a conta da quantidade de mensagens que recebi deles) querendo me vender assinatura do periódico. Marcado como SPAM.

Será que a lista cresce? Eu tenho certeza que sim. Sempre que isso acontecer, acrescentarei o nome aqui. Imagino que não demorará muito para que esta lista fique enorme.

E você, de quem anda recebendo SPAM? Manifeste-se nos comentários.

É nisso que dá…

Hoje estava lendo o caderno de classificados do jornal Hoje em Dia (que às sextas tem duas páginas dedicadas ao universo da publicidade e propaganda) e topei com um texto que o Mário D’Alcântara replicou em seu espaço (ele tem uma coluna lá) no jornal.

O texto é de autoria do Fabiano Goldoni, da CuboCC, e é recheado de boas intenções. Foi publicado no blog Perestroika (que eu não conhecia) em 2008 e replicado no jornal de hoje. Acontece que as boas intenções vêm cercadas de erros bobos de conceito.

O mais gritante e que mais me supreendeu foi o de ele falar que Product Placement é um nome novo para merchandising. Este é um erro bobo que todo leigo em comunicação comete. Me surpeendeu pois pareceu que o D’Alcântara (que é um cara que deve ter mais tempo de vivência de mercado do que eu tenho de vida) não leu o texto; de tão besta que é o erro.

Ora, qualquer um que assistiu (e prestou atenção) em ao menos uma aula sobre o assunto sabe que merchandising é o nome que resolveram dar no Brasil à técnica chamada Product Placement, iniciada nos anos 1950 nos Estados Unidos.

Me espanta alguém que comete este tipo de erro ter cargo importante e lidar com grandes somas de dinheiro (dos outros) em ações de comunicação.

Devo deixar claro que nada tenho contra as pessoas envolvidas. Meu respeito é grande por quem dá a cara a tapa e mostra a que veio. Mas não posso me furtar o dever de evidenciar o que não está certo (até mesmo porque eu gostaria que fizessem o mesmo quando erro – e não é pouco) e pode levar muita gente a pensar errado apenas para seguir o que leu num blog (ou num jornal). As coisas não são por aí e esta é uma questão séria. Mostra pra gente muita coisa sobre comunicação (on e offline) e até educação (de acordo com meu viés particular evidenciado a seguir).

Tal equívoco (para ficarmos apenas em um) demonstra que o ditado “em terra de cego, quem tem um olho é rei” se faz valer de um jeito que espanta – mas não surpreende – no mundinho da comunicação online. Ademais, mostra que blogs são apenas blogs e que é um erro acharmos que os reduz, mas não devemos enaltecê-los por isso. Evidencia que a reflexão anda ausente num momento em que um bom vídeo com uma trilha bacana vende melhor um conceito do que pedir para que as pessoas exercitem suas mentes. Isso expande a questão da comunicação para promoção e vendas e vai a um ponto (direciondo pelo meu interesse) adiante: o de que tem muita gente achando que ler blogs é o suficiente para aprender algo.

Sobre marketing e relacionamentos

Para quem nunca percebeu, relacionamentos entre empresas e consumidores são como relacionamentos entre pessoas. Sempre uso esta analogia em sala de aula; meus alunos devem estar cansados de ouvir. Funciona com estratégias de venda, relacionamento (óbvio), fidelização e desenvolvimento de produtos.

Veja o caso do Data Liberation Front. É a própria empresa (no caso, Google) te dizendo o que fazer caso você queira se desligar dela. Claro que isso não é novidade. Há uma pá de serviços que oferecem este tipo de informação e funcionalidade a seus usuários. Outro exemplo é o do SquareSpace, que usa esta possibilidade como argumento de venda.

O fato é que é eficiente. E muito.

Como nos relacionamentos pessoais (pense em um namoro, por exemplo): quanto mais possessiva e ciumenta é uma parte, maior é a propensão da outra parte querer se desvencilhar e partir pra outra, certo? Para usar uma analogia zen, pense numa mão segurando um monte de areia. Se a mão fica aberta, a quantidade de areia é maior do que a que fica quando se fecha a mão…

Pra pensar, né?

Why Nokia Sucks (ou: porque a Nokia é uma porcaria)

Como sabem, tenho um N95. Antes dele, tive um 6100 e antes deste, um 6120 e outros tantos Nokia.
Apenas por três momentos – em 13 anos consumindo serviços de telefonia móvel – tive outros aparelhos: meu primeiro, um Motorola PT550 (tijorola), um SonyEricsson P800 e um Palm Treo.

Mesmo sendo usuário de produtos Nokia há tanto tempo (e talvez até por isso) tenho muito o que reclamar deles. Em especial sobre a minha experiência com o N95. Listo abaixo cinco motivos que fazem da Nokia uma porcaria quando se trata de algo além do hardware:

1 – Serviço de GPS ridículo, caro, ineficiente e confuso
Quando comprei, me emocionei com o GPS do N95 (grátis por seis meses). Entretanto, já nos primeiros meses de uso, percebi que o sistema é falho, há uma demora absurda em localizar satélites e a experiência vai por água abaixo. Ainda assim, por duas vezes, quis comprar a licença para usar o sistema depois de ter vencido meu período de testes. Em vão, não consegui comprar nada. Nem depois de mais de uma hora num congestionamento caótico que parou o trânsito em Salvador (onde passei férias) em por horas em julho eu consegui comprar a licença. Fiquei, literalmente, por mais de uma hora tentando fazer acompra da licença para conseguir achar uma saída de uma enrascada que me parou no trânsito e… Nada! Experiência pior do que essa eu não havia vivido até aquele dia. Me senti um ignorante usando o sistema que não funcionava e nem me dava chance de fazê-lo funcionar (tentei, como disse, a todo custo comprar a licença). Saldo final: frustrado.

2 – Plataforma de jogos pobre e ineficiente
O N95 vem com o NGage instalado. Teoricamente é por lá que você instala jogos. Teoricamente, pois a coisa não funciona e você não consegue fazer nada além de baixar as (poucas) demos disponíveis. Fiquei horas tentando comprar o Tetris da EA cujo demo está disponível na plataforma, mas não obtive sucesso. Gastei banda e tempo atoa. No geral a experiência chega a ser mais do que frustrante. A variedade de jogos é pífia e você não consegue fazer absolutamente nada além de jogar por alguns minutos uma demo qualquer. Sem mencionar que – por causa da plataforma NGage – carregar um jogo demora o triplo de tempo que demoraria se ele fosse instalado fora da plataforma.

3 – Falha ao organizar um espaço para desenvolvedores divulgarem seus trabalhos (e ganhar com isso)
Qualquer um que se aventurar a instalar algum software em seu N95 vai ter que passar por um verdadeiro calvário até encontrar algum repositório decente com software para diversos usos (pagos ou não). Não é raro cairmos em armadilhas para pegar para-quedistas e também sites onde não há qualquer sombra de seriedade para baixar software. Temos que recorrer a fóruns e sites estrangeiros onde o que vale é a tentativa e erro. Para tudo há um impecilho e um hack a fazer; desde burlar a assinatura eletrônica até desbloquear o telefone para usar algum recurso. Se a Nokia levasse as coisas um pouqquinho mais a sério, poderia facilmente ganhar muito intermediando a venda de software certificado (ou não) para usuários de seus aparelhos.

4 – Loja e OVI não funciona
Brasileiros não conseguem comprar nada. Quando fui testar a loja fiquei mais de quarenta minutos mexendo na loja para – ao final – receber apenas uma imagem de descanso de tela. Não há divulgação apropriada da loja e dos serviços que o OVI oferecem. Além disso o OVI não tem qualquer integração com outros serviços. Parece que eles acham que as pessoas que usam os celulares que eles fabricam estão dispostos a abandonarem todos os serviços (calendário, e-mail, compartilhamento de imagens) que já usam há anos para passarem a usar os serviços inferiores oferecidos pela Nokia.

5 – Travamento do aparelho impedindo atualizações
Essa é como chutar cachorro morto. Donos brasileiros de celulares Nokia N95 e N958GB precisam literalmente adulterar o código do produto usando um software de terceiros para poder fazer o sistema de atualização de firmware da própria Nokia funcionar. O motivo disso? Os aparelhos são vendidos com atualização bloqueada. Ou seja: você instala um trambolho em seu computador com a suposta funcionalidade de atualizar seu celular sempre que neceessário. Porém, este trambolho nunca funcionará pois o celular é bloqueado para nunca ser atualizado.

Conclusão
O hardware Nokia é bem bacana. Uso incansavelmente meu N95 para fotos, web, vídeos e textos. Mas o que foge a isso é uma porcaria.A Nokia deveria prestar um pouco mais de atenção para as coisas que envolvem seu produto e que vão além do hardware. Pode até ser que já pense; mas no Brasil, isso não parece acontecer de forma efetiva.

Você é brasileiro? Considere-se milionário

Não, o título deste post nada tem a ver com as belezas naturais e riquezas de nosso país. Tem a ver com o preço exorbitante que pagamos pelos serviços que usamos.

Hoje ví este texto no Ars Technica e fiquei indignado com o seguinte trecho:

The portions of the report that are available to the public indicate that, across countries, prices ranged from $11 to $53 for a medium usage plan of 780 voice calls, 600 SMS messages, and eight multimedia (MMS) messages. That’s a pretty wide range, and North American users are at the top end of it.

Eu uso um plano que tem um terço da quantidade de minutos, um décimo da quantidade de SMS e nenhum MMS e pago mais que o dobro (em dólares!) do preço mais alto do relatório. Isso sem ter quase nada de acesso à web no celular. Um absurdo!

Vivemos num país em desenvolvimento e pagamos mais caro do que os cidadãos de países ricos para ter acesso a serviços piores e mais restritos do que eles. É pra deixar qualquer um indignado.

E as empresas de telefonia móvel do país ainda têm a pachorra de argumentar que o mercado está saturado e que é impossível trabalhar com tanta concorrência. Eu acho que o que falta é justamente concorrência. Precisamos de mais players no mercado para que os preços caiam e as operadoras atentem para o fato de que é necessário oferecer mais qualidade. No mínimo.

Estamos prontos para a web 2.0?

Na seqüência do assunto do post com considerações acerca do entendimento do termo, vejo que o comentário bastante relevante do Kenji e os acontecimentos dos últimos dias (mais especificamente, as reações acerca de uma matéria exibida no Fantástico sobre o Twitter) mostram que a resposta seja: talvez não.

Em seu comentário, o Kenji menciona que a web 2.0 demanda coragem das empresas que participam. Mais correto, difícil. Abrir espaço para a colaboração dos usuários demanda coragem de assumir a possibilidade de receber uma enorme variedade de mensagens que não necessariamente serão positivas acerca da sua empresa e / ou seu negócio. Mas é exatamente aí que está o núcleo da coisa. Receber estas mensagens implica em aprender com elas e tomar (algumas) decisões a partir do conhecimento / acompanhamento destas manifestações (e, obviamente, de seu conteúdo).

O que percebo, no entanto, é que quem faz a web no Brasil (obviamente não estou generalizando, mas creio que o raciocínio se encaixa em grande parte das empresas) não parece também ter entendido a web 2.0. Portanto, a “culpa” não é só dos varejistas (como pode ter parecido ser a minha idéia no post anterior, referenciado no início deste texto). O que parece ocorrer é que quem faz a web (os “especialistas”) parecem saber tão pouco quanto os executivos das grandes corporações e da “velha mídia” que são tão criticados.

Para exemplificar, vou citar dois profissionais que admiro muito, o Cris Dias (que conheço há mais de sete anos e, como disse, admiro muito) e o Michel Lent. O primeiro é uma referência no Brasil em mídias sociais. O segundo é uma referência em comunicação online. O primeiro disse que o Twitter é uma rede social. O segundo criticou o Fantástico por ter falado que o Twitter é uma rede social (UPDATE: de acordo com Lent – veja os comentários – a crítica se refere ao fato da abordagem de o programa ter se referido a uma rede social como uma ferramenta). Na ocasião do post do Cris, conversei com ele (via IM) sobre o fato de que um dos fundadores da ferramenta disse o contrário e ele justificou que chamou a ferramenta de rede social pois as pessoas a rotulam como tal (e é fato. Basta uma busca báseica pela web para ver que muita gente se referencia ao Twitter como sendo uma rede social). A pergunta, então é: por quê ele (Cris) pode falar isso e o Fantástico não pode? Claro que isso não tem nada a ver com o Cris em si. Uso o exemplo dele pois é uma referência que trabalhou um conceito e ponto final. E é em torno da abordagem deste conceito (e do que isso implica) que trato neste post.

Alguns podem argumentar dizendo que o Fantástico, como um programa de orientação jornalística deveria procurar checar todos os conceitos antes de colocá-los numa matéria. Creio que talvez pode até ter acontecido isso; uma vez que o Cris é referência nacional quando o assunto é Twitter, acho bastante provável que o post dele ternha sido lido por alguém da equipe do programa da Globo. Mas nem é esse o caso (chega de especulações).

O caso é que, além de contrapor a abordagem de rede social do Twitter (de uma maneira bem bacana, diga-se) o Michel Lent especulou sobre os efeitos da popularização da ferramenta. E foi aí que ele errou e errou feio, motivando-me a escrever estas poucas linhas.

Ao final de seu texto, o Michel especula que a popularização do Twitter se compara à popularização do Orkut, diferenciando os dois fenômenos em alguns aspectos. Entretanto, ele se confunde bastante nas explicações e fala algumas abobrinhas:

Certamente o efeito ‘Fantástico’ no Twitter vai ter suas consequências. Mas será que a popularização da ferramenta vai atrapalhar? Vamos precisar mudar para um ‘bar mais vazio’?

Pôxa vida, a ferramenta foi feita para ser popular, oras! Se não fosse por isso, por qual motivo teria sido desenvolvida e disponibilizada gratuitamente? Não é justamente ao redor da idéia de que é na oferta de ferramentas para a participação democrática de pessoas ao redor do mundo contribuindo com conteúdo que a comunicação 2.0 se fundamenta?

Quando o Michel faz referência ao “bar mais vazio” fica clara a comparação com o Orkut, que se tornou bastante popular entre os brasileiros mas – justamente por isso – ganhou a “antipatia” dos mais antenados, que, ao ver que o site ganhou mais usuários, acharam que a coisa ficou ruim…

Veja bem se não é exatamente este o propósito destas ferramentas? Então por quê os profissionais que fazem a web desqualificam a coisa? Certamente não se embasam no fato de que a qualidade do conteúdo e o valor deste conteúdo cai (como o que ocorre com o MySpace nos EUA). Infelizmente, os argumentos não são esses. Antes fossem. Mas os argumentos são os mesmos que determinam a popularidade de bares e casas noturnas aqui em BH: Enquanto ninguém conhece, ok… Mas quando o “povão” (aka: classes C e D) começam a vir, é porque o bar ficou ruim.

Incrível como um pensamento tão 1.0 quanto este possa sair da cabeça de alguém que vende a web 2.0 a seus clientes. Por isso reforço a argumentação de que talvez não estejamos prontos. Estaremos prontos quando estas pessoas e empresas aprenderem que tanto no Orkut quanto no Twitter nos relacionamos com quem quisermos e é essa seleção que trará a relevância que precisamos. Ou seja: não importa se tem um trilhão de pessoas no Twitter ou no Orkut e que 99% destas pessoas coloquem nestes sites conteúdo irrelevante para mim. O que importa é a rede que eu formo!

Para reforçar, replico as palavras de um advogado (isso mesmo, não um comunicador e nem um comunicólogo, mas um advogado) sobre o assunto:

E tem aqueles que acham ruim a popularização do Twitter, com medo de ele virar um Okrut. Ninguém é obrigado a seguir ninguém, oras! Simples!

Que bacana que tenha gente que perceba isso, né? Mas que pena que este pensamento não seja compartilhado por uma das referências no Brasil em comunicação digital.

Para completar, remonto a pergunta do título do post: Estamos preparados para a web 2.0? A resposta definitiva (tirando o
“talvez”) é um sonoro não. Principalmente se formos observar o que o Lent falou.

Mas não creio que seja o caso de estarmos prontos. Na verdade, se pararmos para pensar, nunca estaremos.

Fechando, então, meu raciocínio, volto às palavras do comentário do Kenji: Para trabalhar com web 2.0 é preciso coragem.Ou seja: temos que fazer. É com nossos erros que vamos aprender. Tomara que seja rápido.