Boas práticas em social media

Muito bacana este conjunto de dicas sobre mídias sociais publicado pelo pessoal do Small Business Trends: Tell Us Your Social Media Do’s and Don’ts.

Algumas dicas bem bacanas que encontrei…

Dicas de Mari Smith, autora do livro Facebook Marketing: An Hour A Day

  • Converse via chat com seus clientes / usuários no Facebook
  • Aprenda a usar a funcionalidade de formar listas de amigos

Dica do Shawn Hessinger, do BizSugar.com

  • Não aja como um estranho com sua audiência; tente desenvolver um diálogo mais pessoal

Dica do Scott Allen, um dos autores do The Virtual Handshake

  • Não resuma seu esforço a apenas criar um grupo ou comunidade; chame pessoas e participe.

Dica do Tamar Weinberg, do Techipedia

  • Segure a onda na auto-promoção.

Então… Se eu fosse você, lia a lista completa pois tem muito mais.

Projete experiência

Uma coisa com a qual a gente se depara sempre quando estamos trabalhando com design de interação é o desafio de se desvincular do vício em projetar produtos. Trata-se de uma herança de uma era onde os produtos eram necessariamente físicos e palpáveis. Com a digitalização, a parte física vira apenas o suporte – e um suporte muito fácil de mimetizar, diga-se.

Assim sendo, tem um monte de gente já argumentando que muito mais importante que o produto (referindo-se a parte física) é a experiência proporcionada por aquilo que você comercializa.

Para mais leituras sobre este tema, consulte este texto do blog da Forrester Research e este artigo da Business Week.

Olhando para nós mesmos para pararmos de falar sobre nós mesmos

Leia este post com atenção.
Ele tem uma importante lição para você e sua empresa usarem melhor as mídias sociais.
E não se trata de uma lição de moral.

Quem olha a imagem abaixo – de cara – tira uma série de conclusões.Duas das mais comuns conclusões que ouço quando mostro esta foto são:

  1. a de que o dono deste carro é uma pessoa sem noção;
  2. trata-se de uma pessoa que não tem muito bom gosto.

Mas… Será que é isso mesmo? Não, não refiro-me a estas características. Elas podem até ser verdade (e é bem provável que sejam). Mas, será que devemos sair por aí tirando conclusões precipitadas sobre as coisas ao vermos apenas uma fração delas? Ou melhor… O que as pessoas fazem mostra realmente o que elas são?

Vamos sair do exemplo do carro e dar uma olhadinha no Twitter. Não demora muito para vermos exemplo de ação semelhante:

A iniciativa desta pessoa não difere muito daquela do dono do carro da foto anterior, concorda? Trata-se de uma demonstração pública de amor e afeto e, por sí apenas, não deve – de maneira alguma – ser recriminada. Muito pelo contrário.

Isso só mostra que devemos olhar mais para o que nós fazemos ao invés apenas de ficar apontando o dedo para os outros. É muito difícil, concordo, e assumo que raramente consigo, mas é  o que deve ser feito.

Mas… O que eu quero dizer com estas duas imagens e este texto que está com a maior cara de lição de moral (embora não o seja, viu! Olha você julgando a coisa de cara novamente!)?

Bem, vamos lá então.

O que causa estranhamento, nos dois exemplos, não é o conteúdo da mensagem e nem a atitude em si, mas sim o lugar onde isso acontece. É claro que, em determinados momentos, o que mais queremos é que o mundo inteiro saiba o que estamos sentindo ou qual é a razão de nossas vidas. O problema é querer isso o tempo todo e forçar as outras pessoas a escutar ou ver o que queremos demonstrar. Milhares de pessoas devem ver este carro da foto andando pelas ruas da cidade todos os dias e não dão a mínima. Outras tantas olham e pensam (ou dizem): “e eu com isso?”.

A mesma coisa acontece com os tweets que lemos. Tem uma quantidade absurda de coisas que o que dá vontade de dizer é “é mesmo?” ou então o famoso “e o kiko?”. Aqui, no entanto, há uma singela diferença: enquanto o carro a gente vê involuntariamente, no Twitter a gente quer ver o que aquela pessoa tem a dizer, do contrário, não a seguiríamos.

[Pausa para você pensar que realmente o que eu não queria com este post era passar algum tipo de lição de moral. Não te disse?]

- Agora sim estamos chegando a um ponto bacana no post, Caio!

Ainda bem… O lugar onde quero chegar, para vocês que ainda não sacaram, é: quando estamos num ambiente onde falamos ao mesmo tempo que um bando de outras pessoas para o mesmo público, a mensagem tende a não chegar da melhor forma ou da maneira que queríamos que o nosso público a ouvisse. Nas ferramentas de mídia social como o Twitter, embora parte do seus seguidores também siga empresas concorrentes, eles estão atentos ao que você diz e a mensagem pode ser entregue de uma maneira mais fiel à ideia original. Daí, tira-se:

  1. Talvez não sejam os assunto de maior interesse para o meu público aquilo que eu faço ou somente as minhas opiniões randômicas sobre assuntos diversos;
  2. Quem me segue estará prestando atenção no que digo e espera ver algo relevante ou que se relacione comigo (e com ele);
  3. Estas pessoas também falam. Transformar a coisa num monólogo, não é legal. O mais interessante aqui é a conversa!

Atenção. A lição está abaixo!

Onde quero chegar com isso é que o que importa é o que você fala em seu canal e com quem você se relaciona. O número de seguidores é secundário aqui. Volume não representa qualidade, necessariamente. E não importa se aquilo que você tem a dizer é a coisa mais importante do mundo para você. Se aquilo for importante apenas para você, talvez você não devesse ficar falando pro mundo então… Qualidade vem de uma conversa produtiva e de mensagens relevantes. Assim sendo, para retomar o título do post e os exemplos citados, não é muito bacana ficar apenas falando de nós mesmos ou daquilo que é importante apenas para nós no Twitter. Nossos seguidores esperam conversar e interagir. Se eles não percebem que isso acontece, vão embora. E o volume de seguidores não é a coisa mais importante, mas sim a sua relevância para quem te segue. E manter-se relevante é bastante difícil. Muito mais difícil do que conseguir uma multidão de seguidores oferecendo prêmios pelo número de pessoas que te segue e retuíta suas mensagens… Como disse, o importante é ser relevante.

E o que isso tem a ver com o carro e o twwet citados? Tem tudo a ver, meu caro gafanhoto! Se a gente usa as ferramentas de mídias sociais (em especial o Twitter) para ficarmos falando apenas de nós mesmos, a gente vai acabar soando enfadonho ou desinteressante para muita gente… E isso é tudo o que não queremos quando a meta é sermos relevantes, não acha?

Ah, e antes de terminar, embora para muitos isso tudo pode parecer (e é) óbvio, basta dar uma navegada pelo Twitter para encontrar exemplos e mais exemplos que provam que não é todo mundo que sabe disso. Se você achou tudo isso óbvio, parabéns. Você tem um pouco de noção. Mas se você ainda não fazia ideia disso, parabéns também! Você acabou de aprender algo novo.

O futuro dos livros, de acordo com a IDEO

Apenas hoje tive a oportunidade de ver o vídeo-conceito da IDEO sobre o futuro dos livros e da experiência de lê-los.

Apesar de muito citado e referenciado, não havia visto ainda nem o vídeo e muito menos alguém que comentasse algo sobre ele. O pessoal apenas recomendava a visualização. Senti falta de um pouquinho de reflexão e aqui vai o que achei do vídeo.

São apresentados três conceitos de maneiras diferentes para experimentarmos as leituras. O primeiro, Nelson, parece excelente; trata-se de uma espécie de sistema que permite que você compartilhe notas de diversas maneiras sobre o que está lendo. A ideia é bastante interessante pois permite criar discussões e debates constantes sobre as leituras. O conhecimento se expande e vai além do livro. No conceito me pareceu bastante inteligente a sacada, mas fiquei com algumas dúvidas com relação a viabilidade. O serviço me pareceu muito com o search wiki que o Google lançou e que teve uma pequena adesão. Imagino que apenas uma pequena parcela das pessoas que leram o livro que teriam algo para comentar comentariam. Aí vêm os desafios da implementação: onde ficariam armazenados estes comentários? Eu conseguiria controlar quais comentadores ver ou veria todo mundo? Será que eu só veria os comentários dos comentadores que são meus contatos? Como triar ou classificar os comentários? Imagina a quantidade de comentários que a bíblia ou o alcorão teriam? Obviamente que em sistemas colaborativos em que assuntos controversos são controlados como a Wikipedia, acoisa funciona razoavelmente bem, mas quem faria este serviço com os livros? As pessoas estariam dispostas a pagar por este conjunto de funcionalidades? Outra dúvida que me veio a cabeça quando vi o conceito do Nelson foi a de quais seriam as fontes da mídia que seriam utilizadas para contextualização atual do assunto do livro apresentada pelo conceito. Para ter credibilidade em todos estes aspectos, o produto precisa ser detalhadamente planejado, sem sombra de dúvidas. Percebam que eu não estou aqui querendo jogar lama no conceito apresentado, mas apenas discutir em cima das coisas que percebi assistindo o vídeo. De qualquer forma, o Nelson parece, como disse, bastante interessante. Especialmente a questão de checagem dos fatos e veracidade das informações apresentadas nos livros. Por último, sobre o Nelson, o aproveitamento do princípio do impacto e influencia de uma obra que temos na pesquisa acadêmica que mostra a rede de referencias e referenciadores de uma publicação é muito legal. Isso ajudaria bastante as pessoas a buscarem mais informação relevante baseando-se no impacto causado por elas no mundo editorial.

O segundo conceito, Coupland, consiste em um esquema de compartilhamento ampliado que, além de compartilhar livros comprados por muitas pessoas em uma determinada organização (pode ser uma empresa ou uma escola, por exemplo) permite que você tenha acesso a usuários e veja o que eles leram e estão lendo, recomende e receba recomendações de livros. Uma espécie de rede de leitura. Novamente aqui, alguns desafios nos são apresentados: mudanças no esquema de vendas devem ser planejadas pois eu duvido que os editores gostariam da ideia de um livro apenas ser vendido para a biblioteca da empresa quando existe o potencial de vender mais de mil cópias para todos os funcionários. E se este livro só é comprado para a biblioteca compartilhada da empresa depois de um certo número de cópias vendidas, quantos não serão os funcionários que optarão por esperar que outros comprem até que o livro fique disponível para ele acessar na biblioteca compartilhada. Não tenho dúvidas que este serviço, no entanto, acabe auxiliando a venda de livros e as regras para o funcionamento desse sistema de empréstimos precisam ser bem definidas. De qualquer forma, como conceito é bem interessante. Permite um alinhamento a lá Last.fm dos seus hábitos de leitura e proporciona a aproximação de pessoas que compartilham os mesmos gostos. No entanto, um outro desafio que é colocado é o do compartilhamento de informações entre empresas. Será que todas estariam dispostas a compartilhar o que anda alimentando as mentes de seus funcionários? Outro desafio que é colocado e que demanda pesquisa e refino para melhoria da proposta.

Por último, o conceito apresentado é o do Alice, um jeito diferente de experimentar a leitura, me pareceu o mais lúdico dos três e um que tem grandes chances de realmente mudar os hábitos de leitura. Você poderia descobrir capítulos escondidos ao fazer determinados procedimentos durante a leitura ou experimentar complementos narrativos ao estar em locais específicos que influenciem a narrativa e “liberam” novos trechos de conteúdo para os leitores. Sem sombra de dúvidas, este tipo de experiência se assemelha muito a uma partida em um jogo digital e proporciona engajamento e muda o jeito das pessoas de receber as histórias. Quem disse que os jogos digitais não mudariam a nossa cultura e a sociedade de uma maneira positiva, hein? De qualquer forma, este tipo de produto demanda um “reaprendizado” não só no jeito de ler, mas também no jeito de escrever. Escritores agora terão que aprender como conceber roteiros de interação que sejam cativantes e executáveis por seus leitores. Além disso, estes roteiros teriam que ser adequados ao perfil dos leitores. Lembrem que um game difícil é desafiador, mas um game muito difícil é frustrante. Esta experiência com o livro deve ser ainda mais sensível. Quem diria que os autores de romances agora teriam que fazer pesquisa com usuários? Me parece o conceito mais bacana dos três em termos de experiência com o material lido por parte do leitor e também do material escrito, por parte do autor. Dos três, é, pra mim, o mais fácil de ser amplamente adotado. Entretanto, questões como privacidade e acesso a informações pessoais dos leitores são um desafio. Com que critério você autoriza uma editora a saber onde você está a todo momento para te mandar um SMS te dizendo que você esteve em um lugar especial para a história que está lendo? E o seu telefone, você daria para uma editora te procurar via SMS quando ela achar conveniente? E se este lugar que “destrava” um conteúdo é um lugar que você não gostaria muito que alguém soubesse que você frequenta? Já pensou nas implicações? O que pode ser sedutor para uns, pode ser um pesadelo para outros.

Apesar disso, creio que estas propostas são muito interessantes e mais cativantes do que apenas livros com animações apresentados pela Apple no iPad. Esse é um indicativo forte de que livros eletrônicos não são (ou têm o potencial de ser mais do que) apenas papel digitalizado e passam a ser produtos multimídia. Isso é excelente pois abre (mais um) novo conjunto de possibilidades a explorar por parte de quem produz (e também de quem distribui e vende) conteúdo. O Designer de Interação e o Produtor Multimídia se mostram cada vez mais como profissionais mais do que necessários para o futuro.

Enfim, para fechar os meus devaneios, quero deixar claro que as ideias apresentadas são muito bacanas, mas vejo isso muito mais como um produto de uma livraria que controlará as coisas do que como um produto livre que permita cruzar dados de diferentes publicações vendidas por múltiplos varejistas. Isso, claro, não tira o valor dos conceitos, apenas torna-os mais próximos da realidade. Entretanto, consiste em um desafio para os varejistas conseguir adesão, frequencia e consistência no serviço. De qualquer forma, são possibilidades e, como tais, podem vir a se tornarem realidade e isso pode ser muito bom para a sociedade como um todo. Parabéns, IDEO.