DISCLAMER: O título deste post nada tem a ver com o “jóia” do Quintão; mas sim com aquele comportamento muito conhecido de fechar alguém no trânsito mas “dar um jóia” para dizer que se importa e achar que isso anula a besteira recentemente feita.
Então… Parece que “dar um jóia” é o suficiente para passar por cima de uma caca que a gente faz. Algo como: pode fazer o que você quiser, desde que você dê um jóia depois. Tá valendo.
É isso que me parece ser o que está escrito nas entrelinhas deste post do Marcelo Tas onde ele explica que seu rabo agora abana para uma companhia telefônica. O post é recheado de idiossincrasias e contrariedades, como todas as explicações, aliás, daqueles que vendem suas opiniões e esperam que com um “jóia” (ou uma tag, ou uma hashtag ou um aviso no rodapé de um post) as coisas se resolvam (as coisas se resolvam == os leitores aceitem como normal o fato de que agora o rabo do autor tem dono). Um dos trechos que mais gostei foi este:
6. Finalmente: não tenho obrigação de “falar bem”, ”vender” ou mesmo fazer qualquer menção ao serviço da Telefônica.
Ah, claro… A empresa está te pagando para falar do produto dela e você não tem a menor obrigação de falar bem do produto. Faça-me rir! Da mesma forma abstrata e utópica que o jornalista do caderno de turismo que viajou às custas do resort não tem a menor obrigação de falar muito bem do tal resort; ele o faz porque o resort é muito bom. Ou ainda da mesma forma que o jornalista do caderno de veículos não tem a menor obrigação de falar bem dos carros da montadora tal que custeou sua viagem ao salão de Genebra para ver os lançamentos; os produtos falam por si só… Sim, claro. Entendo perfeitamente.
Obviamente, como o próprio Tas explica em seu post (engraçado ele precisar explicar isso, né? É algo tão normal…) nada há de errado em vender posts, ou vender a sua opinião. Eu também acho que não há nada de errado nisso. É algo lícito e ponto final. Só que eu não faço e não acho que é algo bacana de se fazer num blog. E acho pior ainda as pessoas fazerem e acharem que só por falarem que estão fazendo a coisa se transforma em comportamento correto e corriqueiro e que está tudo bem.
Bem, embora seja algo lícito, IMHO, eu não acho que fica tudo bem. Meu ponto é o seguinte: Os blogs são caracterizados por encarnarem e escancararem o poder democrático da web na questão da produção de conteúdo. Com um blog, eu, você ou qualquer outra pessoa comum pode – DE GRAÇA – colocar a sua opinião na rede para os outros lerem. Isso faz desta ferramenta uma excelente plataforma para o jornalismo cidadão, opinativo, pessoal, direto e verdadeiramente descomprometido com interesses econômicos quaisquer. Um blog (e aí vale complementar que qualquer outra ferramenta de publicação semelhante se apropria do raciocínio, como o Twitter, por exemplo) vale da reputação e da autoridade de seu autor; diferente de um jornal, que se vale do poderio econômico de quem o mantém (ou seja, de um grupo seleto de engravatados e de seus anunciantes). Portanto, um blog, embora não obrigatoriamente o seja, tem o potencial de ser um exemplo verdadeiro de comunicação independente.
É uma pena, portanto, quando autores que se esforçaram para construir sua reputação com blogs e demais ferramentas simplesmente optem por “entrar num esquemão” de grande mídia e vender suas opiniões em troca de seu sustento. Claro que todo mundo deve ganhar dinheiro, e reforço que fazer o que estas pessoas fazem de vender seus posts é lícito. Mas não deixa de ser feio e decepcionante. É feio porque no blog a pessoa, por mais pública que seja, tem a oportunidade de permanecer independente e opta por não seguir este caminho. Sinceramente, não acredito que o Tas precise deste dinheiro para viver; ele tem outras fontes de renda diferentes. E ele poderia deixar (se é que algum dia foi) seu blog (e/ou twitter) independente.
Chega a ser engraçado, portanto, essa tomada de atitude estranha de vender sua opinião e achar que deixar claro que aquela opinião específica é vendida (com uma tag ou hashtag) deixa tudo claro e tranqüilo para quem lê o que a pessoa escreve. Óbvio que não. Se a atitude não fosse estranha, não seria necessário explicá-la, você não acha? Pense se agora os leitores destas pessoas que vendem suas opiniões em posts de seus blogs ou streams de twitter acham que realmente tudo o que eles escrevem é livre de influências externas? Eu duvido.
Em suma: Nada contra vender sua opinião. Ela é sua e você faz com ela o que quiser; mas não espere ter a mesma credibilidade de outrora depois que você começar a escrever posts em troca de dinheiro.
Enfim… Parece que faço parte de um pequeno grupo de pessoas que acham que blogs devem ser apenas blogs e não jornais pessoais onde os pequenos e mambembes Robertos Marinhos vendem espaço publicitário.
E você, o que acha?
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