Alguns cases de mídia social

Acabo de trabalhar com meus alunos do curso de publicidade e propaganda alguns cases interessantes de uso das mídias sociais. Resolvi compartilhar aqui no blog pois mais gente pode estar em busca do mesmo assunto (assim como meus alunos estavam). A aula tratou de exemplos de mídias sociais sendo usadas como parte de estratégias, ações ou campanhas de comunicação. Os escolhidos e trabalhados na aula foram:

  • Utilização do Twitter pela Dell e Pepsi – Nestes exemplos pode ser visto o conjunto de motivações que algumas empresas tem para trabalhar as mídias sociais, retornos obtidos e as considerações dos envolvidos. Vale ressaltar que há uma série de outros casos sendo apresentados na mesma seção do site em que o Twitter se dedica a apresentação de suas funcionalidades e possibilidades de uso por parte de empresas.
  • Doe Palavras – Neste caso, discutimos os desdobramentos da ação, mensuração e eficiência frente aos objetivos identificados. Há de se considerar a questão de que aqui a quantidade de manifestações dos usuários é um indicativo direto da eficiência da ação.
  • Xixi no banho e Dengue Ville –  sobre estes casos, discutimos os formatos e ponderamos sobre a necessidade de desdobramentos posteriores para verificar eficiência das ações. Entendemos que – embora válido – é muito mais complicado afirmar que estas ações são eficientes pois trabalham com conjuntos de pressupostos dos usuários e também com mudanças de comportamentos que às vezes este tipo de ação não é capaz de motivar.
  • Devassa em BH –  Aqui falamos de como os mesmos canais utilizados para a manifestação dos usuários foram usados pela empresa para responder as questões colocadas pelos usuários.
  • Old Spice – Discutimos como uma campanha criativa de tv e internet ajudou a mudar os números das vendas da marca. Discutimos o fomato utilizado, o papel das mídias sociais e os desdobramentos em mídia espontânea e de vídeos feitos por usuários.
  • Falamos ainda das ações rápidas da GVT para gerenciar problemas gerados em função de falhas nos serviços e de como a Fiat trabalhou a participação dos usuários com o Fiat Mio.

Enfim, foi uma aula que deu pano pra manga. Por isso mesmo resolvi compartilhar os links por aqui.

O que o plágio da Africa nos ensina?

Outro dia vi no Vorkurs que o ilustrador Mico Toledo está acusando a Africa de plágio numa peça para a Suzuki. Interessante, mas não necessariamente uma novidade, pois quem conhece um pouco de publicidade sabe que isso acontece o tempo todo. Entretanto, este caso nos ensina uma coisa bem peculiar sobre as interwebs…

Se não fosse feito o barulho que fizeram em torno do assunto, provavelmente o designer que foi plagiado jamais teria sido pago.

Pense bem nisso. Este é o verdadeiro poder das mídias sociais; o de fazer com que a atitude de pessoas comuns transformem uma realidade imposta por poucos que detém (ou detinham) poder (financeiro, de decisão, de controle de informação)…

Acho que a agência em questão – por mais que tenha tentado mascarar a coisa chamando o episódio de um erro logístico ou operacional – acabou aprendendo com o tapa na cara que levou. Quem sabe este tipo de atitude não diminui, né?

A coisa só não foi mais bacana, a meu ver, porque o designer acabou retirando a sua reclamação do ar. Isso soa meio como que sua boca foi calada pela empresa. Acho que uma nota dele explicando que depois da reclamação foi procurado pela agência e devidamente pago pelo uso de seu trabalho seria mais bacana do que simplesmente tirar a reclamação do ar…

Só espero que ele tenha sido remunerado de maneira apropriada, uma vez que a peça já foi veiculada e ele jamais receberá o crédito por ela (o dinheiro, pode até ter recebido, mas o crédito, creio que ficou pra trás).

A revolução será ou não tuitada?

Malcolm Gladwell escreve na New Yorker que as ferramentas de mídia social como o Twitter e o Facebook não representam a revolução que muita gente anda falando por aí. Calma… Ele não está falando de negócios e relacionamentos entre pessoas e entre empresas e seus consumidores. Ele está falando de movimentos que visam mudanças em estados sociais amplos; especialmente revoluções – no sentido stricto.

Recomendo muito que você leia o texto em questão pois ele certamente será muito mais completo do que meu post. De qualquer forma, não deixarei de dar alguns pitacos sobre o assunto.

Para ele, estas ferramentas proporcionam uma espécie de ativismo e comprometimento que é mais confortável e menos comprometedora para quem participa. Concordo em gênero, número e grau. Ele cita exemplos como o do levante no Twitter e as reações populares no Irã nas últimas eleições presidenciais daquele país e também de movimentos que buscam adesão social como o que se estabeleceu no Facebook para erradicar a pobreza em Darfur. Embora estes movimentos contem com uma adesão enorme por parte dos usuários destes serviços (lembra que teve gente que pintou o avatar do Twitter de verde em função da questão do Irã?), as consequências destas ações não são suficientemente impactantes para a realidade. Alem destes, os há vários outros exemplos no texto. Gladwell fala da causa palestina, boicotes e por aí vai… Todas com grande adesão virtual mas que trouxeram pouco ou nenhum impacto para a questão real.

Obviamente as manifestações virtuais têm valor, pois ajudam a espalhar a mensagem e fazer com que o assunto seja pautado em diversas instâncias. Mas não é isso que o autor argumenta. O que ele fala no entanto é que, embora as manifestações virtuais possam ser intensas, seus impactos reais não o são. Gladwell argumenta (com certa propriedade) que isso se dá em função da natureza destas ferramentas, que não priorizam estruturas fortemente organizadas em termos hierárquicos e também em função dos fracos laços que se formam entre as pessoas. Não que a ausência de hierarquias e a existência de laços fracos sejam ruins, é sempre bom deixar claro… Mas o que acontece é que para gerar efeitos e desdobramentos reais, a ausência de hierarquia e a predominância de laços fracos não proporcionam impactos reais a estas ações de ativismo virtual.

Em outras palavras, Gladwell argumenta o que muita gente já suspeitava: clicar em um botão é muito mais fácil do que  tomar uma atitude de verdade. É mais confortável clicar para salvar uma árvore do que efetivamente plantar uma. É mais fácil manifestar seu apoio a uma causa no Orkut, Twitter ou Facebook do que sair para a rua e tomar uma atitude. É lindo fazer campanha para o dia sem carro no mundo das coisas online mas não adotar o compromisso efetivo na vida real, fora do computador.

E isso é ruim? Bem, será se você espera que estas ferramentas trarão (ou proporcionarão) a revolução. Se você tem os pés no chão, não. Estas ferramentas continuarão sendo muito importantes para democratizar a comunicação, mas não necessariamente desempenharão papel de recrutador de revolucionários. Pelo menos não da maneira que muita gente tem falado.

Obviamente tem gente falando que ele está errado. É bom ler para construir uma opinião mais consolidada sobre o assunto. Inclusive acerca das argumentações de que ele nem sempre é o autor verdadeiro daquilo que escreve…. Deste tipo de debate prefiro me abster, embora gostaria de ver algum tipo de referência ao Mark Granovetter quando o assunto da força dos laços é mencionado, mas isso é papo para outra instância.

De qualquer forma, quem se dedica a combater de frente o que Gladwell fala é  veemente em mencionar Granovetter. Da minha parte, continuo achando que a questão  vai um pouco além da simples análise da força (ou ausência dela) nos laços.

Eu, por hora tendo a refletir apenas. Em minhas ruminanças, sempre vou achar que a coisa não é tão linda quanto se pinta. Como disse, a questão da força dos laços não parece ser determinante aqui. O que importa é a consequência das ações que vemos nas redes e em suas representações virtuais.

Olhando para nós mesmos para pararmos de falar sobre nós mesmos

Leia este post com atenção.
Ele tem uma importante lição para você e sua empresa usarem melhor as mídias sociais.
E não se trata de uma lição de moral.

Quem olha a imagem abaixo – de cara – tira uma série de conclusões.Duas das mais comuns conclusões que ouço quando mostro esta foto são:

  1. a de que o dono deste carro é uma pessoa sem noção;
  2. trata-se de uma pessoa que não tem muito bom gosto.

Mas… Será que é isso mesmo? Não, não refiro-me a estas características. Elas podem até ser verdade (e é bem provável que sejam). Mas, será que devemos sair por aí tirando conclusões precipitadas sobre as coisas ao vermos apenas uma fração delas? Ou melhor… O que as pessoas fazem mostra realmente o que elas são?

Vamos sair do exemplo do carro e dar uma olhadinha no Twitter. Não demora muito para vermos exemplo de ação semelhante:

A iniciativa desta pessoa não difere muito daquela do dono do carro da foto anterior, concorda? Trata-se de uma demonstração pública de amor e afeto e, por sí apenas, não deve – de maneira alguma – ser recriminada. Muito pelo contrário.

Isso só mostra que devemos olhar mais para o que nós fazemos ao invés apenas de ficar apontando o dedo para os outros. É muito difícil, concordo, e assumo que raramente consigo, mas é  o que deve ser feito.

Mas… O que eu quero dizer com estas duas imagens e este texto que está com a maior cara de lição de moral (embora não o seja, viu! Olha você julgando a coisa de cara novamente!)?

Bem, vamos lá então.

O que causa estranhamento, nos dois exemplos, não é o conteúdo da mensagem e nem a atitude em si, mas sim o lugar onde isso acontece. É claro que, em determinados momentos, o que mais queremos é que o mundo inteiro saiba o que estamos sentindo ou qual é a razão de nossas vidas. O problema é querer isso o tempo todo e forçar as outras pessoas a escutar ou ver o que queremos demonstrar. Milhares de pessoas devem ver este carro da foto andando pelas ruas da cidade todos os dias e não dão a mínima. Outras tantas olham e pensam (ou dizem): “e eu com isso?”.

A mesma coisa acontece com os tweets que lemos. Tem uma quantidade absurda de coisas que o que dá vontade de dizer é “é mesmo?” ou então o famoso “e o kiko?”. Aqui, no entanto, há uma singela diferença: enquanto o carro a gente vê involuntariamente, no Twitter a gente quer ver o que aquela pessoa tem a dizer, do contrário, não a seguiríamos.

[Pausa para você pensar que realmente o que eu não queria com este post era passar algum tipo de lição de moral. Não te disse?]

- Agora sim estamos chegando a um ponto bacana no post, Caio!

Ainda bem… O lugar onde quero chegar, para vocês que ainda não sacaram, é: quando estamos num ambiente onde falamos ao mesmo tempo que um bando de outras pessoas para o mesmo público, a mensagem tende a não chegar da melhor forma ou da maneira que queríamos que o nosso público a ouvisse. Nas ferramentas de mídia social como o Twitter, embora parte do seus seguidores também siga empresas concorrentes, eles estão atentos ao que você diz e a mensagem pode ser entregue de uma maneira mais fiel à ideia original. Daí, tira-se:

  1. Talvez não sejam os assunto de maior interesse para o meu público aquilo que eu faço ou somente as minhas opiniões randômicas sobre assuntos diversos;
  2. Quem me segue estará prestando atenção no que digo e espera ver algo relevante ou que se relacione comigo (e com ele);
  3. Estas pessoas também falam. Transformar a coisa num monólogo, não é legal. O mais interessante aqui é a conversa!

Atenção. A lição está abaixo!

Onde quero chegar com isso é que o que importa é o que você fala em seu canal e com quem você se relaciona. O número de seguidores é secundário aqui. Volume não representa qualidade, necessariamente. E não importa se aquilo que você tem a dizer é a coisa mais importante do mundo para você. Se aquilo for importante apenas para você, talvez você não devesse ficar falando pro mundo então… Qualidade vem de uma conversa produtiva e de mensagens relevantes. Assim sendo, para retomar o título do post e os exemplos citados, não é muito bacana ficar apenas falando de nós mesmos ou daquilo que é importante apenas para nós no Twitter. Nossos seguidores esperam conversar e interagir. Se eles não percebem que isso acontece, vão embora. E o volume de seguidores não é a coisa mais importante, mas sim a sua relevância para quem te segue. E manter-se relevante é bastante difícil. Muito mais difícil do que conseguir uma multidão de seguidores oferecendo prêmios pelo número de pessoas que te segue e retuíta suas mensagens… Como disse, o importante é ser relevante.

E o que isso tem a ver com o carro e o twwet citados? Tem tudo a ver, meu caro gafanhoto! Se a gente usa as ferramentas de mídias sociais (em especial o Twitter) para ficarmos falando apenas de nós mesmos, a gente vai acabar soando enfadonho ou desinteressante para muita gente… E isso é tudo o que não queremos quando a meta é sermos relevantes, não acha?

Ah, e antes de terminar, embora para muitos isso tudo pode parecer (e é) óbvio, basta dar uma navegada pelo Twitter para encontrar exemplos e mais exemplos que provam que não é todo mundo que sabe disso. Se você achou tudo isso óbvio, parabéns. Você tem um pouco de noção. Mas se você ainda não fazia ideia disso, parabéns também! Você acabou de aprender algo novo.