Qual é o seu presente para a web no dia de hoje?

Hoje, dia 12 de março de 2018, a WEB faz 29 anos. E ela está ameaçada.

A web é um instrumento, um dispositivo, um aparato, um ambiente em que nós, os usuários (se preferir, os “nós” da rede), podemos ter o poder. Podemos, como Licklider e Taylor (1968) e vários outros depois deles pensaram: a capacidade de participar ativamente do processo comunicacional. A web representa o que Negroponte chamou de deslocamento do poder do transmissor para o receptor. A gente monta nossa própria programação e consome o que quer, quando quer e do jeito que quer.

Acontece que, a necessidade de certo domínio de um conjunto de técnicas (Lévy, 2010), acabou por levar-nos a uma posição de dependência de plataformas controladas por entidades – as plataformas sociais como Twitter e Facebook – cujo modelo de negócios e funcionamento se assemelha enormemente com o que conhecemos na mídia de massa. Sua necessidade de obter lucro por meio de publicidade subverte a ideia de poder nas mãos das pessoas e desvirtua o que se pensava anteriormente como a web sendo o espaço onde todos poderíamos ter voz. Nestas plataformas, a lógica é a mesma da mídia de massa: é necessário ter o poder financeiro para fazer sua mensagem chegar às pessoas.

Só que a web não é isso. A web é um território livre.

Que tal darmos de presente para ela e, consequentemente, nós mesmos (já que a web somos nós) um passo adiante para a retomada do poder que a web nos proporcionou e que, voluntariamente, temos aberto mão nos últimos anos? É isso que (no link lá do começo) o inventor da web, Tim Berners-Lee fala sobre fazer a web trabalhar para as pessoas. Trata-se de uma retomada do poder que, voluntariamente, entregamos para corporações cujos interesses se distanciam enormemente dos nossos. Precisamos exercer mais a autocomunicação.

O poder da comunicação e da autocomunicação bem conceitualizado por Castells (2010) conceitualizou, permite que nós, indivíduos utilizemos da rede para nos organizar e constituir um novo poder que pode contrapor às instituições vigentes. Aqui refiro-me especialmente ao poder da mídia de massa que visa homogeneizar o que não é possível de homogeneizar (a sociedade).

Por isso insisto, que tal a gente dar para a web o presente que ela (nós) merece (merecemos)? Vamos retomar o poder. Vamos voltar a escrever em nossos próprios sites ao invés de usarmos plataformas outras que não nos pertencem e cujas decisões de alcance dependem do quanto os executivos podem ganhar em cima da nossas produções!

Vamos adotar a ideia de construirmos novas conexões entre ideias de forma mais orgânica e menos dependente dos algoritmos. Eles são interessantes, mas não devem ditar nossos comportamentos e intermediar plenamente nossas relações e as ligações entre nossas ideias.

Que tal a gente presentear a web com a ação de retornarmos a autoria do grande hipertexto que a compõe?

 

REFERÊNCIAS

Castells, M. (2013). Communication power. OUP Oxford.

Lévy, Pierre. (2010). Cibercultura. Editora 34.

Licklider, J. C., & Taylor, R. W. (1968). The computer as a communication device. Science and technology, 76(2), 1-3.

Negroponte, N. (1995). being digital. Alfred A. Knorpf: New York.

 

EXTRA
http://tantek.com/2018/037/t1/posse-indieweb-twitter-facebook
https://webfoundation.org/2018/03/web-birthday-29/

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